Precarious homes: gender, domestic space and film before and during the pandemic

By: Anna Viola Sborgi

In Phyllida Lloyd’s recent drama Herself (2020), domestic abuse survivor Sandra (Clare Dunne) devises her own way out of the Irish housing crisis: after watching some online tutorials on how to self-build an affordable home, she decides to build one to live in with her two little girls and to protect herself from her violent husband Gary (Ian Lloyd Anderson). To her help comes Peggy (Harriet Walter), the wealthy, retired doctor Sandra works for as a cleaner, who offers her land to build the house in the back of her Dublin townhouse. A group of friends and colleagues, overseen by initially reluctant building contractor Aido (Conleth Hill), generously gather to help her in the enterprise.

A compelling portrayal of domestic abuse survival, supported by a moving performance by actress and co-screenwriter Clare Dunne, the film is also a hymn to community and solidarity, especially resonant in pandemic times. Though the overly optimistic house-building narrative sometimes lacks credibility, especially considering class dynamics, the film is tempered by numerous plot twists that make one thing abundantly clear: home is never at easy reach.

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Fazer da necessidade virtude: atividades participativas em tempos de COVID-19

Por: Helena Vicente, Ana Delicado, João Estevens e Jussara Rowland

Nos últimos anos tem crescido a noção de que não basta “ensinar” ciência ao público para estimular atitudes positivas e de confiança. O que as estatísticas demonstram é que “um pouco de conhecimento pode ser uma coisa perigosa”: são as pessoas com um nível intermédio de conhecimentos de ciência que demonstram atitudes mais negativas, adotando comportamentos como recusar vacinar os filhos, não reconhecer as causas humanas das alterações climáticas ou preferir tratamentos alternativos à medicina convencional.

Por isso, a ideia inicial do projeto PERSIST_EU, projeto Erasmus+ financiado pela Comissão Europeia, coordenado pela Universidade de Valência (Espanha) e com a participação de equipas da Alemanha, Eslováquia, Itália e Portugal, de desenvolver uma atividade formativa para aprofundar o conhecimento e a opinião dos estudantes europeus sobre ciência, deu lugar a uma abordagem mais participativa, que batizámos como “Science Camp” (SC).

Os SC teriam a participação de 100 jovens estudantes universitários em cada país, que se reuniriam numa tarde para visionar filmes curtos sobre alterações climáticas (AC), vacinas (VAX), organismos geneticamente modificados (OGM) e medicinas alternativas e complementares (MAC), fazer perguntas a especialistas nestes temas e debater entre si os prós e contras de diversos aspetos científicos, incluindo os modelos climáticos, as probabilidades de efeitos secundários das vacinas, o principio da precaução no uso de OGM ou o efeito placebo nos medicamentos e tratamentos alternativos. Antes e depois do evento os estudantes seriam convidados a preencher um questionário sobre estes temas, de modo a aferir como as atitudes, crenças, perceções e conhecimentos variam com a participação no SC.

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Covid-19: uma tempestade perfeita, incluindo para os processos participativos

Por: Roberto Falanga

A pandemia da covid-19 pode ser definida como uma “tempestade perfeita” que, juntamente com a crise sanitária global, alterou velhos hábitos e trouxe novos (des)equilíbrios sociais, económicos, políticos e emocionais.

Apesar de várias entidades e redes internacionais terem lançado sinais de alarme sobre os riscos iminentes de epidemias e pandemias, esta tempestade perfeita encontrou-nos impreparados e mostrou a profunda vulnerabilidade do sistema em que vivemos.

Se o distanciamento social e o uso de máscaras e álcool gel se tornaram a nossa salvaguarda no dia-a-dia, a médio e longo prazo teremos de enfrentar desafios que precisam de mais empenho político e da colaboração do tecido económico e social. Em particular, as crises alastradas pelo escasso empenho no combate às alterações climáticas representam uma ameaça incontornável para o debate público sobre o nosso futuro neste planeta.

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NATUREZA E CIDADE: EXPERIMENTANDO NOVAS ABORDAGENS ATRAVÉS DO PROJETO EUROPEU CONEXUS, EM LISBOA + 6 CIDADES

Por: Rosário Oliveira, Olivia Bina, Roberto Falanga and Andy Inch

  1. À PROCURA DE TRANSFORMAÇÕES

As múltiplas crises socioeconómicas e ecosistémicas alertam para a necessidade de olhar para uma transformação de paradigma que necessitamos imprimir na sociedade e na economia, de forma a ganharmos consciência de que somos parte integrante da natureza.  Os conceitos e as ideias inspiradoras sobre a integração dos seres humanos na natureza que vingaram nas últimas décadas não foram suficientemente efetivos, continuando a ser necessário um apelo forte à ação de todos. A Comissão Europeia lançou, no final de 2019,  o Pacto Ecológico e o roteiro para a neutralidade carbónica até 2050, exprimindo a ambição de criar uma nova estratégia, levando as cidades e os seus territórios rurais a encontrarem soluções baseadas na ideia de circularidade económica na gestão dos recursos. Esta estratégia, quando associada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pelas Nações Unidas, e aos princípios da Nova Agenda Urbana, reforça a urgência das cidades e dos assentamentos humanos se tornarem mais inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis (ver ODS 11).

Cidades em todo o mundo partilham desafios ambientais globais causados por múltiplos e complexos fatores, tais como a fragmentação da paisagem, o rápido crescimento demográfico e a expansão urbana, enquanto processos mal planeados continuam a erradicar áreas verdes e os ecossistemas associados, fundamentais para a saúde humana (física e mental) e para a biodiversidade. Uma abordagem mais ecológica requer um design criativo, quase disruptivo, e um trabalho colaborativo que conte com o envolvimento e compromisso de todos os sectores envolvidos na vida das cidades.

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Health as a global public good – An essential reframing for poverty measurement and a more balanced view on sustainability

By: Jieling Liu and Franz Gatzweiler

1. The flawed and antiquated international poverty line

We have learnt from COVID-19 that the key is to ‘flatten the curve’ and many have thereby appreciated a slower pace of life. The same lesson is valuable for the sustainability discourse in the post-COVID era. We need to flatten the development curve and decelerate. The current pandemic, climate impacts, and resource scarcity are all entangled in the global development bottleneck. Similar to the inadequacy of GDP measurement, development economists have long argued that the current $1.90 international poverty line is flawed and antiquated. Understanding and measuring poverty is more about distribution and access to opportunities than reaching a monetary threshold. Despite the emergence of numerous improved wellbeing indicators in the last three decades, such as the Human Development Index (HDI) by Amartya Sen, the multidimensional approaches to poverty, the Gini coefficient, other alternative approaches such as the Happpiness index and the human rights-based approaches, the overly simplified international poverty line is still being used to compare the progress of nations. Behind this phenomenon is the view that money can create wealth and buy wellbeing. The $1.90 poverty line is too low, and most success in eliminating poverty globally is due to China’s contribution. A multidimensional system of indicators, including health, to improve poverty measurement, is needed.

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5 anos de blogue ATS: balanço do percurso de um blogue “quase-académico”

Por: Equipa Editorial

O blogue ATS

No final de 2015, o grupo de investigação Ambiente Território e Sociedade decidiu criar um blogue para contribuir para uma maior divulgação das atividades desenvolvidas pelo grupo fora do ICS-ULisboa. A ideia era utilizar o blogue como instrumento de diálogo entre ciência e sociedade, e como teste de ideias inovadoras.

O blogue ATS pretende ser um blog “quase-académico”, um espaço, não para reproduzir informação sobre a atividade do grupo, mas para apresentar breves textos e reflexões dirigidas a um público mais abrangente.

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A reinvenção da roda

Por: Ana Delicado

Vivemos tempos sem precedentes. Ou talvez não. Esta não é a primeira pandemia global. Nem a segunda. Temos é a memória curta. Da centenária gripe espanhola à mais recente e ainda por resolver pandemia do VIH-SIDA, passando pela gripe asiática do final dos anos 1950 ou pela cólera dos anos 1970, o mundo vai sendo assolado por microrganismos que se aproveitam da nossa tendência para convivermos em proximidade e de viajarmos pelo globo.

Não faltará material às ciências sociais nas próximas décadas para analisar a cascata de fenómenos sociais que esta pandemia provocou. Das transformações no trabalho às dinâmicas familiares intergeracionais, do lazer ao luto, das fragilidades do tecido económico postas a nu pela crise do turismo à problemática da mobilidade urbana, são incontáveis os trabalhos que se publicarão sobre esta pandemia. Já para nem falar dos múltiplos ângulos da sociologia e antropologia da saúde pelos quais se pode examinar a pandemia.

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Towards a ‘water-smart’ society in Europe

By Carla Gomes

When discussing water scarcity and the dire scenarios for water access in the future, European populations are probably not the first that come to mind. Yet, climate change, a growing population and competing demands between sectors such as agriculture, industry and tourism are putting pressure over water resources across the continent, and will be driving a profound shift in how we manage the ‘blue gold’ over the next few decades. Water scarcity has in fact become a serious threat, in particular for Southern Europe. In addition, over 40% of the water needed to provide products consumed in Europe is used outside EU territory, which puts pressure over global freshwater resources.

In response to an increasingly challenging scenario, improving water use efficiency is crucial. For this reason the European Commission launched in 2017 the H2020 call ‘Building a water-smart economy and society’. This call resulted in the approval of B-WaterSmart: Accelerating Water Smartness in Coastal Europe, a 4-year project coordinated by the German institute IWW Water Centre, in which the ICS-ULisboa has been involved since September 2020, being responsible for the development of the Work Package ‘Society, Governance & Policy’.

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A venda de produtos alimentares de origem rural em lojas especializadas de Aveiro, Lisboa e Porto

Por: Alexandre Silva, Elisabete Figueiredo, Monica Truninger

O termo quality turn tem sido usado para designar uma crescente insatisfação dos consumidores com os produtos de origem industrializada e de venda em massa, e um aumento de procura e criação de soluções de diferenciação ao longo da cadeia de abastecimento. No domínio alimentar essa transição tem incidido em pontos tão diferenciados como os métodos de produção e transformação alimentar, a dimensão das cadeias de distribuição, e mesmo os formatos de retalho nos quais os produtos são vendidos ao consumidor. Em Portugal essa “viragem” tem-se manifestado na procura de produtos alimentares em categorias diversas como o gourmet ou o biológico. Além disso, tem ganho visibilidade nos últimos anos uma multiplicação da oferta retalhista urbana de pequena dimensão, sobretudo no sector alimentar. Estas são algumas das transformações que têm sido analisadas no quadro do projeto STRINGS, apresentado num texto anterior deste blogue, designadamente no que respeita às potenciais oportunidades que estas transformações podem abrir para a criação e reativação de ligações entre o rural e o urbano, e os seus possíveis efeitos sobre o desenvolvimento rural.

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