5 anos de blogue ATS: balanço do percurso de um blogue “quase-académico”

Por: Equipa Editorial

O blogue ATS

No final de 2015, o grupo de investigação Ambiente Território e Sociedade decidiu criar um blogue para contribuir para uma maior divulgação das atividades desenvolvidas pelo grupo fora do ICS-ULisboa. A ideia era utilizar o blogue como instrumento de diálogo entre ciência e sociedade, e como teste de ideias inovadoras.

O blogue ATS pretende ser um blog “quase-académico”, um espaço, não para reproduzir informação sobre a atividade do grupo, mas para apresentar breves textos e reflexões dirigidas a um público mais abrangente.

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A reinvenção da roda

Por: Ana Delicado

Vivemos tempos sem precedentes. Ou talvez não. Esta não é a primeira pandemia global. Nem a segunda. Temos é a memória curta. Da centenária gripe espanhola à mais recente e ainda por resolver pandemia do VIH-SIDA, passando pela gripe asiática do final dos anos 1950 ou pela cólera dos anos 1970, o mundo vai sendo assolado por microrganismos que se aproveitam da nossa tendência para convivermos em proximidade e de viajarmos pelo globo.

Não faltará material às ciências sociais nas próximas décadas para analisar a cascata de fenómenos sociais que esta pandemia provocou. Das transformações no trabalho às dinâmicas familiares intergeracionais, do lazer ao luto, das fragilidades do tecido económico postas a nu pela crise do turismo à problemática da mobilidade urbana, são incontáveis os trabalhos que se publicarão sobre esta pandemia. Já para nem falar dos múltiplos ângulos da sociologia e antropologia da saúde pelos quais se pode examinar a pandemia.

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E, de súbito, o mundo mudou? Avanços da Covid-19, retrocessos da sustentabilidade

Por João Guerra

Pouco depois do coronavírus ter emergido no panorama mundial e ocupado um lugar imperativo na imprensa, nos fora de decisão política e na vida quotidiana, as anteriores preocupações sociais perderam fôlego, tal a proeminência alcançada pela nova ameaça. Para isso contou a descomunal extensão das suas consequências, de que não há memória recente quer na saúde pública, quer na economia, quer nas comunidades. Cada vez mais pronunciados, os efeitos múltiplos e multiplicadores da pandemia fazem adivinhar, já a curto e médio prazos, convulsões sociais e crises políticas não menos inquietantes.

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Vírus expôs falha sistémica e agrava divergência na UE

Por Paulo Miguel Madeira*

Devido à pandemia da Covid-19, entre o final do inverno e o início da primavera de 2020, centenas de milhões de europeus ficaram com as suas vidas suspensas, sujeitos a regimes mais ou menos coercivos de permanência nas suas residências, com as saídas limitadas a situações específicas determinadas pelas autoridades. A estratégia de diminuição drástica do contacto social adotada durante estes meses foi necessária para conter a disseminação do vírus e salvar muitas vidas, porventura dezenas de milhares em Portugal e centenas de milhares ou mesmo milhões por toda a Europa. Estão em maior risco pessoas com problemas de saúde específicos e pessoas idosas em geral – e os europeus são uma população muito envelhecida.

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Ajuda alimentar em Portugal: as crises que enaltecem o papel das iniciativas

Por Fábio Rafael Augusto

Ajuda, apoio ou assistência alimentar remete para um conjunto de serviços que visam garantir o acesso a bens alimentares a pessoas que se encontram socialmente vulneráveis. Geralmente, este tipo de apoio é proporcionado por iniciativas que advêm da sociedade civil e envolve a doação de alimentos. Em alguns casos, estas respostas articulam-se com sistemas de recolha e redistribuição de excedentes alimentares que não estão inseridos nos habituais processos de comercialização.

A análise desta realidade no contexto nacional representa a força motriz da minha tese de doutoramento, bem como do motivo que me conduziu à escrita deste post. Compreender as dinâmicas relacionais e organizacionais que se estabelecem nos principais modelos de ajuda alimentar que atuam em Portugal representa o principal objetivo do projeto de doutoramento iniciado em 2016. Conhecer o modus operandi das iniciativas, bem como as suas fragilidades e potencialidades, permitirá lançar algumas pistas para o extenso debate, dentro e fora da academia, acerca do papel social destas respostas. Continuar a ler

COVID-19 narratives: old wine in new bottles?

Por Cláudia Santos e João Morais Mourato

As the COVID-19 pandemic unfolds it becomes clear this is not just a random phenomenon of human-Nature interaction. It is the product of human choices, quintessentially anthropogenic in its creation, reach, response and politicisation. The growingly quarantined world population, from the forced seclusion of their homes, expresses the full range of human emotions. All over the world digital logbooks are keeping record of some of these voices. The large majority however will never be heard. For them this will be another layer of their vulnerability, a cruel reminder of their marginalisation and structural disadvantage. Continuar a ler

Pandemia e inquietação nas ciências sociais: Uma reflexão do Urban Transitions Hub, no Instituto de Ciências Sociais

Por Urban Transitions Hub

Os membros do Urban Transitions Hub pretendem contribuir para o debate sobre o que significa, e o que pode representar a médio prazo, ser um/a académico/a nas ciências sociais face à pandemia que enfrentamos nos dias de hoje. Este texto apresenta-se como um exercício contínuo de autorreflexão em tempos de Covid-19, o qual não pretende esgotar as nossas inquietações, mas sim começar a dar-lhes voz.

(NOVA) CRISE

Aparentemente, parece que estamos perante uma tempestade perfeita. Uma tempestade que gera inquietação, mas também sentimentos de confusão e luta. Para muitos/as de nós, esta crise representa uma aceleração de padrões sociais já existentes, assim como de tendências que são críticas há já muito tempo. Problemas e contradições das nossas sociedades têm vindo a acumular-se nas últimas décadas, e a pandemia parece oferecer-lhes um novo e dramático desenlace ao mesmo tempo que novos “monstros em ascensão”, como alguns de nós têm vindo a chamar-lhes, parecem rastejar no horizonte: as tecno-distopias, as repercussões autoritárias, a evidente desigualdade do sofrimento. Continuar a ler

Action research and ethics in times of a global pandemic. An ongoing reflection on the EU-funded project ROCK in Lisbon

By Roberto Falanga, Jessica Verheij and Mafalda Corrêa Nunes

The Covid19 pandemic and the ROCK project

The widespread use of action research methods in social sciences since the mid-20th century, and the increase in participatory, transdisciplinary and engaged research approaches in the last few decades confirm an ongoing paradigm shift regarding the relationship between expert and lay knowledge. A growing interest into new ways of grasping social life and co-producing knowledge with local actors has unsettled the conventional divides between researchers and their “objects” of study. As local actors become active co-creators of knowledge, critical ethical issues arise regarding the role of researchers in the field, as well as the production, use, and impacts of scientific knowledge. Continuar a ler

Urban Islands In Times Of a Pandemic Or Boredom As Priviledge

By Diana Soeiro

My main research activity is developed within the ROCK project, funded by the European Union, under the Horizon 2020 programme, involving 13 European cities. Briefly, the project focuses on researching how can urban regeneration be promoted through cultural heritage. In Portugal it features two hosts, ICS-UL and Lisbon’s City Hall, promoting a methodology that encourages a close dialogue between the university and public institutions, known as action-research. The goal is that both institutions inform each other so that research translates into action, and action informs research. The selected area where the action-research takes place is in the neighbourhoods of Marvila and Beato (Lisbon). Since the beginning of the project, in 2017, this is the territory where the team has been focused. Continuar a ler

BEACON: Coruche and its coal ovens – far from being stuck in a time warp

By Alexandra Bussler

The municipality of Coruche lies about 80 km northeast of Lisbon in the district of Santarém, in Leziría do Tejo. Despite its only 20.000 inhabitants, it is one of the largest municipalities in Portugal, stretching across 1.120 km². Due to its vast cork tree plantations, Coruche has come to call itself the cork capital of the world: as the largest cork producing district it fabricates 5 million corks every day. Continuar a ler