The Alternative University of Romania: a life-changing experience?

By Lavínia Pereira

Imagine a University that prioritises self-development, awareness and civic engagement!

Within the scope of this research on the ‘Future of University’, and its contribution to more just and sustainable futures, last February I went to Bucharest for a ‘short-term scientific mission’ (STSM) funded by INTREPID Cost Action, aiming to explore the educational and organizational model of Alternative University (AU) of Romania. My expectations were high. I had met Traian Bruma – one of the founders of AU – a couple of months earlier, and his enthusiastic presentation at a gathering at ISCSP in Lisbon caught my attention. Founded in 2008 by a group of students from Politehnica University of Bucharest, integrated in the student associative movements of Romania, AU is a non-conventional project for higher education. Proposing itself as an alternative to the Romanian higher education conventional system, considered by the founders to be out-dated, disconnected from the world and indifferent to the real needs of the students, the Alternative University strived to be a freedom-centred organization with an educational model mainly focused in human development in its various dimensions, with a strong emphasis in self-directed learning.

BLOGUE publicação 9MAIO2018
‘Schools around the World’ Hackathon @ the Alternative University, 4th February 2018. Photo by Lavínia Pereira.

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Blogues de projetos de investigação. Para quê? E para quem?

Por Jussara Rowland

De entre todos os tipos de blogues académicos que tenho acompanhado nos últimos anos, os que mais me têm frustrado e fascinado são os blogues de projetos de investigação. De forma geral, são poucos os projetos que têm blogues verdadeiramente dinâmicos. Na maioria dos casos constrói-se um website com, eventualmente, uma página tipo blogue na qual serão publicadas algumas notícias direcionadas para o público em geral, que irá ser atualizada ao longo do projeto sempre que seja atingida alguma milestone ou que o projeto precise de publicitar um evento.

Mas será que se pode esperar de um projeto mais do que isso? No contexto acelerado da academia atual, até que ponto faz sentido investir na criação de um blogue no âmbito de um projeto? E se a resposta for afirmativa, para quê? Para quem?  E, sobretudo, como?

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Jogos de tabuleiro sobre alterações climáticas: um meio para materializar conceitos, impactos, políticas e soluções

Por Mônica Prado

Jogos sobre alterações climáticas ou jogos climáticos são definidos como “jogos e simulações em que alterações climáticas são o tema central e os quais têm foco nos processos (naturais), no papel dos sistemas humanos e nos potenciais impactos. A definição é dos autores Jason Wu e Joey Lee em artigo publicado na Nature Climate Change, em 2015, em que realizam revisão de literatura de jogos sobre alterações climáticas. Esta revisão de Wu e Lee foca em formatos de jogos e na avaliação de exemplos representativos, ao invés da abordagem descritivo-analítica das duas revisões anteriores, a primeira realizada em 1997 e a segunda em 2013.

A primeira revisão abordou critérios para o sucesso de jogos digitais de simulação, a segunda considerou questões de conteúdo e a terceira revisão abordou formatos e o potencial para participação cívica do cidadão. Estas revisões sobre o inventário de jogos climáticos listam mais de 80 jogos de tabuleiro e/ou digitais, sendo que alguns foram criados como iniciativas de curto prazo e outros ainda estão disponíveis em plataformas digitais e/ou em sites para comercialização. Todas as três revisões apontam que os jogos climáticos são meios de comunicação, recursos educacionais e ferramentas para engajamento cívico.

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Etnografia breve de uma vila piscatória em mutação

Por Ana Delicado

Santa Luzia é uma vila e uma freguesia (a mais pequena) do concelho de Tavira, no extremo sudoeste de Portugal. Ocupa uma área de 8,5 km2 e tem uma população de perto de milhar e meio de habitantes, de acordo com os últimos censos (2011). É uma vila de pequenas casas predominantemente brancas, bordejada por um braço da Ria Formosa e rodeada de campos agrícolas e salinas. Tem em frente um troço da Ilha de Tavira onde se situa uma praia consistentemente distinguida pelos galardões da Bandeira Azul e da Bandeira Dourada, acessível apenas por ferryboat na época balnear.

Foto 1
Figura 1. Imagem de satélite de Santa Luzia, © Google Terrametrics, 2017

Desde o século XVI que há um núcleo populacional neste local, construído em torno de uma ermida dedicada à santa titular, hoje substituída por uma pequena igreja de traça moderna.

A pesca sempre foi a principal atividade económica e o eixo da identidade local. Até meados do século XX foi predominante a pesca do atum, através de uma armação frente à praia do Barril, instalada anualmente em abril e removida em setembro, que sustentava dezenas de famílias. Imortalizada nas fotografias de Artur Pastor (Figura 2) e no livro de Fausto Costa A Pesca do Atum nas Armações da Costa Algarvia (editora Bizâncio, 2000), a Armação do Barril (também chamada dos Três Irmãos), fundada em 1867, encerrou em 1966, devido ao acentuado declínio do número de exemplares desta espécie capturados. Igual sorte tiveram todos os arraiais (bases de operação da pesca de atum, que incluíam edifícios para processamento do pescado mas também para habitação dos trabalhadores) da zona, sendo a última campanha do Arraial da Abóbora alvo de um documentário de Hélder Mendes, “Almadrava atuneira” (ver vídeo).

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Um novo rumo? O Fórum da Habitação no ICS-ULisboa

Por Simone Tulumello

João Ferrão salientou recentemente neste blogue como, após algumas décadas de marginalização, a habitação está a regressar ao centro da agenda política mundial. De facto, a habitação tem estado no centro da mobilização social nos anos recentes da crise (para um enquadramento, ver In Defense of Housing de David Madden e Peter Marcuse e a minha recensão em português), para depois começar a fixar-se, embora ainda de forma muito fraca, na ação de instituições internacionais como a ONU ou a UE. Em Portugal, com alguns anos de atraso, foi a retoma económica, mais do que a crise, que trouxe a habitação de volta às agendas política e pública: um crescimento económico assente no turismo e no setor imobiliário está a produzir, através da explosão do custo da habitação nos centros urbanos, novas precariedades habitacionais, que se somam a precariedades históricas (persistência de bairros informais, habitação social degradada, sobrelotação e ausência geral de soluções para as classes baixas e médio-baixas). Com mais visibilidade após a visita da Relatora Especial das Nações Unidas pela Habitação Condigna efetuada no final de 2016, multiplicaram-se os sinais sociais deste regresso (ver, por exemplo, a Caravana pelo Direito à Habitação). E também em Portugal assistimos a uma nova institucionalização do tema, evidente na criação, em julho de 2017, de uma Secretaria de Estado da Habitação, que está a trabalhar num pacote com diferentes medidas (a Nova Geração de Políticas de Habitação), enquanto a Assembleia da República prepara uma Lei de Bases da Habitação.

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Ciência cidadã de iniciativa comunitária

Por Ana Delicado

No dia 25 de novembro decorreu na Biblioteca Municipal de Oeiras um colóquio sobre as cheias de 1967. Até aqui nada de novo, a efeméride dos 50 anos desta catástrofe foi celebrada em várias localidades afetadas e também através de documentários televisivos e reportagens alongadas na imprensa. O que distingue o colóquio Rios de Lama é ser o culminar de um processo de ciência cidadã verdadeiramente inovador.

Em 2014, as Bibliotecas Municipais de Oeiras lançaram o projeto Histórias de Vida, com o objetivo de recolher e registar histórias de pessoas da comunidade nascidas antes de 1955 e cruzá-las com a história local. O grupo, moderado por Ana Santos, bibliotecária, reunia-se regularmente na biblioteca de Algés, num processo que acompanhou o percurso de vida de cada um e permitiu a partilha de memórias e experiências. No final do ano seguinte a autarquia contratou uma empresa de media para dar apoio aos trabalhos do grupo, proporcionando-lhes formação em digital storytelling e criando uma plataforma onde os registos vídeo e áudio das histórias de vida foram disponibilizados.

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Oh Voluntariado, para onde tens vindo a caminhar tu?

Por Fábio Rafael Augusto

A resposta a esta interrogação, que admito ser algo abstrata e com inclinações ligeiramente poéticas, emerge no âmbito do meu projeto de doutoramento em Sociologia – onde me proponho analisar iniciativas de apoio alimentar e as dinâmicas que se estabelecem no seu seio – e pode seguir duas linhas de resposta, orientadas por dois olhares que, infelizmente, nem sempre andam de mãos dadas.

Por um lado, temos um olhar para os números, onde se procura, através de uma visão alicerçada nas estatísticas e assente, em diversos casos, na preocupação de fornecer uma perspetiva longitudinal e comparativa, apontar tendências que nos permitam responder a questões como: quem pratica voluntariado? Quais as motivações? Quantos praticam? Quanto tempo disponibilizam em prol da prática? Em que tipo de ações concretas o voluntariado se expressa? Quais as organizações que promovem a prática? E quantas são?

Por outro lado, temos um olhar que se preocupa em examinar o fenómeno de uma forma intensiva, ou seja, em perceber, de forma aprofundada, as dinâmicas por detrás dos números e que podem, em última análise, ajudar a explicá-los.

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