Urbanismo DIY e Right to the Future em Palermo: um livro

Por Simone Tulumello

No âmbito da World Urban Campaign e das atividades da preparação, lançamento e implementação da Nova Agenda Urbana, a ONU-Habitat tem vindo a promover uma série de eventos, chamados Urban Thinker Campus, definidos como “um espaço aberto para uma discussão crítica entre atores urbanos que consideram a urbanização uma oportunidade que pode levar a transformações positivas” (tradução minha do website).

O PUSH., laboratório de design baseado na cidade de Palermo e com larga experiência de projetos sobre mobilidade e fruição do património cultural, organizou já dois Thinker Campus nos últimos anos – o terceiro, Human Flows, dedicado a mobilidade e migração, será também em Palermo, em novembro de 2019. Continuar a ler

O Estado da Habitação, entre crise e novas políticas

Por Marco Allegra

Como sabemos, a habitação regressou à política, tanto nacional como europeia. Em Portugal, o motor deste debate foi a rápida subida dos preços do imobiliário – um tópico que se tornou incontornável nas conversas dos lisboetas (e não só) nos últimos anos.

Aliás,  nestes anos vimos também várias novidades do ponto de vista legislativo, como a Lei de Base de Habitação e sobretudo a chamada Nova Geração de Políticas de Habitação (NGPH), lançada pelo governo em 2017. A NGPH é o enfoque do dossier “O estado da habitação”, que a equipa do projeto exPERts publicou na revista CIDADES, Comunidades e Territórios. Continuar a ler

Shanghai’s 2035 future imagined: a paradigm for a high-end society?

By Virginie Arantes

Created in 1949 under leader Mao Zedong, the People’s Republic of China experienced the fastest sustained economic expansion in world history under China’s Communist Party. Opposing Western countries and modernization theories, the one-party system has been dominating the state and society and reinforced its grip on power with Xi Jinping’s election. The Party-state is determined to put China at a world stage and to create an ecological civilization, a “New Green Era”, putting an end to the previous industrial civilisation. Continuar a ler

Novos usos em redor do Património Tangível Pós-Industrial. Contributos do Projeto H2020 ROCK

Por João Carlos Martins

As cidades, e os seus territórios urbanos mais ou menos periféricos, enquanto formas territoriais do capitalismo contemporâneo, resultam da interação entre capital, representações e atores sociais. Compreender a herança cultural das urbes contemporâneas, perante um contexto global que promove o consumo e a visita, e em que estas marcas históricas são convocadas como elementos fundamentais de competição entre cidades, é também compreender a razão das suas pulsões, desvios e disfuncionalidades. Continuar a ler

A participação do GI ATS no Verão na ULisboa

Este post dá conta da participação de investigadores do GI ATS num estágio de Verão dirigido a estudantes do ensino secundário, organizado pela Reitoria da Universidade de Lisboa. Contém um breve enquadramento redigido pelos investigadores responsáveis pela organização de cada atividade, seguido de textos escritos pelos jovens estagiários. Continuar a ler

Como planear uma cidade mais verde para todos?

Por Jessica Verheij

No ano de 2020, Lisboa vai ser a Capital Verde Europeia. Este prémio, criado e promovido pela Comissão Europeia, visa incentivar e apoiar cidades que estejam no ‘bom caminho’ para a sustentabilidade urbana e que possam funcionar como exemplos a seguir por outras cidades. Um dos motivos para eleger Lisboa foi, segundo a Comissão Europeia, o investimento feito (e a ser feito) para expandir a estrutura verde na cidade. Desde 2008 a Câmara Municipal de Lisboa (CML) já desenvolveu 200ha de nova estrutura verde, sendo que até 2021 estão previstos mais 400ha. Lisboa está a ficar mais verde. Mas será que é para todos? Quem tira partido destes novos espaços verdes e quem é deixado de fora? Quais são as prioridades da CML neste sentido? Foram estas as questões que me levaram a investigar as estratégias de estutura verde da CML a partir de uma perspetiva de justiça ambiental. Continuar a ler

Podem o cosmopolitismo e o racismo coexistir?

Por Susana Boletas

Cosmopolitismo e globalização

O cosmopolitismo, ideologia que eleva todas as pessoas, independentemente do seu local de origem, a cidadãos do mundo livres de nele circular, tem vindo a ser apresentado como solução para as limitações do multiculturalismo que, em nome da diversidade, peca por essencializar e reificar culturas e relações assimétricas de poder existentes dentro delas, por secundarizar direitos individuais e por separar mais do que incluir, pois a sua natureza ambígua presta-se facilmente à manipulação retórica. O regime de apartheid da África do Sul, por exemplo, fundamentou-se nas diferenças culturais existentes no país, que seriam, por conseguinte, inultrapassáveis. Vai ganhando força, assim, a ideia de uma cidadania cosmopolita que vá além do multiculturalismo e que contrarie a lógica assimilacionista do Estado-nação, que nega a diversidade e presume a superioridade de quem assimila sobre quem é assimilado. Continuar a ler