Um novo fôlego para o Desenvolvimento Sustentável?

Por João Guerra

Com os primeiros sinais de crise ecológica, nos anos sessenta e setenta do século XX, surgiu a ideia de Desenvolvimento Sustentável (DS). O conceito, no entanto, só décadas depois se consolidou com a publicação, sob o título “O Nosso Futuro Comum” (1987), do Relatório Bruntdland. Foi nesta obra que se delimitou o âmbito do DS e, a partir daí, se disseminou a ideia pelos mais variados cantos do globo: “um desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração presente, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das gerações futuras”. Continuar a ler

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Valerá a pena construir barragens em Cabo Verde?

Por António Sobrinho

O governo de Cabo Verde, confrontado com o fenómeno das alterações climáticas, aprovou um conjunto de medidas que visam o aproveitamento integrado dos seus recursos hídricos. Na sua estratégia de adaptação às alterações climáticas recuperou uma ideia antiga relativa ao aproveitamento das águas superficiais das suas ribeiras, decidindo construir, até 2017, “cerca de 17 barragens, 29 diques e mais de 70 furos, visando obter 75 milhões de m3/ano de água para rega e consumo doméstico”, conforme referem SHAHIDIAN et alia (2014). Continuar a ler

‘Corrida’ às terras aráveis: a perspectiva da justiça ambiental

Por Carla Gomes

A aquisição em larga escala de terras em países em desenvolvimento teve um aumento notório na última década, impulsionada pelas crises climáticas e do preço dos alimentos, bem como pela liberalização dos mercados. A tese “A justice approach to the African ‘land rush’: Investigating the social dynamics around agricultural investments in Mozambique”, que defendi na Universidade de East Anglia em 2017, em co-tutela com a Universidade de Lisboa, aborda esta problemática a partir de dois estudos de caso realizados em Moçambique, um dos países que mais têm atraído investidores estrangeiros. Continuar a ler

Comer o mundo – Desafios de sustentabilidade na nossa alimentação

Por João Graça

Muitos alertas e discussões sobre a (in)sustentabilidade dos atuais padrões de produção e consumo humano centram-se em temas como os transportes, a dependência energética de recursos fósseis, e a separação e gestão de resíduos. No entanto, a nossa alimentação, e a produção e o consumo de alimentos de origem animal em particular, têm sido associados a problemas ambientais muito significativos em todas as escalas, que incluem a degradação de terrenos aráveis, alterações climáticas, poluição atmosférica, poluição e destruição de recursos hídricos, e perda de biodiversidade.

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Ordenamento do Território e Fenómenos Meteorológicos Extremos: O caso do impacto do ciclone tropical Haiyan nas Filipinas

Por Carlos Tito Santos

As alterações climáticas e os ciclones tropicais

Apesar de existirem algumas incertezas científicas sobre a forma como as alterações climáticas afectam os ciclones tropicais, a variabilidade do clima e as alterações climáticas estão definitivamente a influenciar estes fenómenos climáticos extremos, cada vez mais intensos e devastadores.

O Quinto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas de 2013 concluiu que o aquecimento do clima era inequívoco. Estudos mais recentes como Emanuel (2015) ou Knutson et al. (2015), indicaram que este facto contribuiu para que a temperatura da superfície do mar esteja a aumentar, o que faz com que mais água evapore para a atmosfera e contribua para a intensificação dos ciclones tropicais. O aquecimento global estará também a causar a subida do nível do mar, o que agravará o impacto das inundações resultantes da sobrelevação marítima dos ciclones tropicais em zonas costeiras baixas. Continuar a ler

On moral action for the sake of humanness and humanity

By Tim O’Riordan

I do not believe what I am about to suggest will happen. Nevertheless I feel it is timely to express it. I am a Gaianist, in that I subscribe to the provable evidence of an almost miraculous self-organising and self-perpetuating planet. We appear to be in stage two of the Gaian journey. The beginning was the microbial age of single celled biota which still colonise the microbiomes of our internal life giving functions. The second age of the more sophisticated many celled biota led eventually to the emergence of humanity. We seem to be heading towards the end of this age. What looms is a third Gaian age of a planet which is essentially post human. This could emerge within the coming thousand years. By post human I posit a species which has essentially lost any moral concern for the viability of its offspring, nor has the capability of being able to create the conditions for meaningful survival of the remaining human race. In essence that third Gaian age heralds the emergence of a species that can only live for its own existence. The humanness of caring, sharing and reciprocating will have atrophied. The essence of sustainability, namely providing both the conditions and the capabilities for future generations to live sustainably, will have been lost.

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A participação do GI ATS / OBSERVA no Verão na ULISBOA

Entre 2 e 6 de julho o ICS participou mais uma vez na iniciativa da Reitoria Verão na ULisboa, acolhendo 18 alunos do ensino secundário para uma semana de atividades diversas a que foi dado o rótulo “Aventuras com as Ciências Sociais”.

Duas das atividades foram coordenadas por investigadores do GI ATS / Observa: “O Jogo das Negociações sobre Alterações Climáticas” e “Marvila ROCKS! – Descobrindo os processos de transformação de um bairro”. No final da semana os alunos foram convidados a escrever um post para blogue sobre a sua experiência, que abaixo publicamos. Os investigadores responsáveis acrescentaram uns parágrafos de enquadramento a cada post. Continuar a ler