“International Seminar on Environment and Society”: sociólogos em debate face à emergência ambiental

Por Ana Horta

A perceção pública dos desafios ambientais tem ganho uma dimensão enorme nos últimos tempos. Isto deve-se em grande medida à inclusão das alterações climáticas nas agendas mediáticas, com as suas repercussões em eventos climáticos extremos, assim como as suas vastas implicações na produção e consumo de energia e de alimentos ou ainda na perda de biodiversidade. Além disso, recentemente outros problemas ambientais têm também captado muita atenção a nível internacional, como é o caso da utilização de plásticos. Neste contexto, cidadãos, decisores políticos, agentes dos media, cientistas e outros têm-se movimentado de formas por vezes marcantes e inéditas, como aquando do reconhecimento do estado de emergência climática e ambiental pela ONU, pelo Parlamento e pela Comissão Europeia ou pelo Papa, pelo anúncio de políticas profundamente ambiciosas (como é o caso da descarbonização da economia) ou ainda do movimento internacional de estudantes em greve à escola pelo clima. Continuar a ler

Clima e Energia: para uma Transição Enérgica e Justa

Por Luísa Schmidt

Em plena COP25 em Madrid, onde se irão definir novas metas para redução das emissões e novas metodologias para as atingir, convém reflectir sobre Portugal.

Alterações climáticas e transição energética são dois assuntos-chave que têm dado origem a políticas públicas e suscitado preocupações sociais, colocando novos desafios à sociedade portuguesa na sua diversidade.

Comecemos por analisar alguns factos para enquadramento dos problemas e dos caminhos para uma necessária transição. Os impactos das alterações climáticas interferem directamente na nossa relação com a energia. Basta pensar nas ondas de calor e de frio que produzem desconforto térmico e sobretudo riscos para a saúde pública, nos custos da energia implicados na climatização e nos transportes, ou ainda nas dinâmicas de percepção de risco e de ansiedade que tem afectado crescentemente vários sectores da população. Continuar a ler

A colaboração científica internacional vista a partir da investigação em energias renováveis em Portugal

Por Luís Junqueira

A capacidade de colaborar no plano internacional é frequentemente apontada como um elemento de maturação da atividade científica e a Comissão Europeia e os governos nacionais tem aumentado o esforço para fomentar o desenvolvimento da Área Europeia de Investigação (European Research Area – ERA) como forma de potenciar a investigação e integrar os países cientificamente mais periféricos. Este texto tem por objetivo explorar a colaboração científica internacional em energias renováveis, usando a coautoria de artigos científicos como aproximação, ainda que com limitações, do volume da atividade de colaboração entre países. Com este objetivo, recolhi todos os artigos na área de energias renováveis publicados entre 2000 e 2015, com autoria de pelo menos um investigador de instituições portuguesas disponíveis na base bibliografia Scopus, um dos principais indexadores de artigos científicos. Estes dados foram desambiguados e transformados de forma a serem compatíveis com uma análise de redes da colaboração científica internacional (em que os vértices correspondem a países e as arestas correspondem a coautorias de artigos por autores dos países adjacentes). Continuar a ler

Se uma pessoa aguenta, não é preciso estar a gastar energia! Sobre a pobreza energética em Portugal

Por Ana Horta

Após ter sido ignorada durante muitos anos, a pobreza energética começa finalmente a ser reconhecida em Portugal como um problema que afeta muitas famílias. Uma investigação recentemente conduzida pelo ICS-ULisboa consistiu numa primeira abordagem sociológica das práticas e perceções dos portugueses a este respeito. Esta investigação foi desenvolvida no âmbito da medida Ligar, coordenada pela ADENE e financiada pela ERSE no âmbito do Plano de Promoção da Eficiência no Consumo de Energia Elétrica. Além da participação da ADENE e do ICS-ULisboa, este projeto reuniu como parceiros o CENSE da FCT-UNL, a Sair da Casca e a CDI Portugal. Este post reflete sobre alguns dos resultados do relatório produzido pela equipa do ICS, onde são analisadas 100 entrevistas realizadas em dez freguesias de zonas bastante diferentes do país. Continuar a ler

Consulta pública sobre clima e combustíveis

Por Ana Delicado, Luísa Schmidt, Madalena Dias Santos, Joana Sá Couto, Carla Gomes e Mara Almeida

No dia 1 de junho de 2019, a equipa do Observa organizou uma consulta a cidadãos para aferir a aceitabilidade de combustíveis de carbono reciclado. 29 pessoas prescindiram de uma manhã de sábado solarenga para vir discutir questões ambientais e dar o seu contributo para a produção de conhecimento científico. Continuar a ler

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 visto a partir da realidade de Cabo Verde

Por Luzia Oliveira

Sob o desígnio de transformar o mundo num período de 15 anos, a Agenda 2030 das Nações Unidas, definida em 2015, fixou 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), que contemplam 169 metas e 231 indicadores.

ods7O  ODS 7: Energia limpa e acessível, que visa garantir energia barata, confiável, sustentável e renovável para todos, tem uma relação direta com o ODS 13 (Ação contra a mudança global do clima) e   indireta com uma grande parte dos outros ODS, como: 1. Erradicação da pobreza; 2. Fome zero e agricultura sustentável; 3. Saúde e bem-estar; 4. Educação de  qualidade; 5. Água limpa e saneamento; 9. Indústria, inovação e infraestrutura; 10. Redução das desigualdades; 11. Cidades e comunidades sustentáveis; 14. Vida debaixo da água e 15. Vida sobre a terra. Continuar a ler

Métodos quantitativos para uma análise exploratória de discursos sobre energia

Por Luís Junqueira

A participação nas redes sociais como o Facebook, Twitter e Instagram vem a ganhar uma importância cada vez maior na nossa interação com o mundo: veja-se, por exemplo, o papel do Twitter nas eleições americanas de 2016 ou do Facebook na mobilização para a manifestação “Que se lixe a troika” em 2013. Estas plataformas são cada vez mais espaços onde se estabelecem relações, se expressam representações sociais e se desenvolvem controvérsias. A exploração destas na sua componente relacional foi já referida num post anterior, mas ficou por fazer uma discussão sobre as possibilidades de análise do seu conteúdo. A massificação da internet trouxe também o acesso alargado a bases de documentação digitalizada, das quais as mais proeminentes são as bases de artigos de imprensa, mas que abrangem também debates parlamentares, documentos de políticas públicas, bases de livros ou de artigos científicos, entre outros. Continuar a ler