As ciências sociais como virtuosismo político e social: a epistemologia de Bent Flyvbjerg

Este é o quarto post da série “A utilidade das Ciência Sociais

Por Marco Allegra

Qual é a utilidade das ciências sociais? Qual o seu impacto na sociedade? E quais as opções (epistemológicas, metodológicas, políticas) disponíveis para o investigador maximizar este impacto – mantendo, ao mesmo tempo,  autonomia e a independência que muitos de nós associamos ao estatuto da ciência? Estas são algumas das perguntas essenciais  subjacentes ao recente post de Andy Inch neste blogue – seguido de um contributo de Simone Tulumello sobre “a ciência do possibilismo”.

Tive a oportunidade adicional de refletir sobre este tema durante o último seminário do nosso grupo de investigação. O debate que seguiu a apresentação sobre as metodologias quantitativas transformou-se, de facto, numa discussão sobre o processo de construção dos dados, a relação entre dados qualitativos e quantitativos, e as possibilidades de integração destes no desenho da pesquisa.

Neste post gostaria de continuar esta conversa encaixando-a numa perspetiva mais alargada – num discurso sobre os fundamentos epistemológicos das ciências sociais, a epistemologia sendo “o estudo do conhecimento e das crenças justificadas” e, mais em geral, “a criação e a disseminação do conhecimento em áreas de investigação específicas” (EpistemologyStanford Encyclopedia of Philosophy) – para depois voltar às questões levantadas por Andy descrevendo a proposta epistemológica de Bent Flyvbjerg sobre as ciências sociais como virtuosismo político e social. Continuar a ler

Recursos de ciências sociais na web: Redes Sociais

Autor: Luís Junqueira

Ao longo dos últimos anos, aplicações como o facebook ou linkedin contribuíram para popularizar o conceito de rede social. No entanto, no contexto das ciências sociais a ideia de rede social tem um significado mais abrangente. As redes sociais são um método de representar e organizar dados que pode ser utilizado para estudar uma grande diversidade de fenómenos sociais. Este texto tem o objetivo de servir como uma muito breve introdução ao uso de métodos baseados em redes nas ciências sociais e de apresentação de alguns recursos online para recolher e trabalhar em redes sociais.

O uso de redes como suporte de dados não é obviamente apropriado a todas as situações em ciências sociais. Mas nas situações em que é possível e desejável obter informação sobre as ligações entre os atores sociais envolvidos, o uso de redes apresenta alguns benefícios:

  • Simplifica a visualização de dados complexos. A disponibilidade de ferramentas que permitem manipular a representação de redes através de ajustamentos da posição, cor ou forma dos vértices e arestas facilitam a visibilidade dos elementos considerados relevantes, mesmo em redes densas ou de grande dimensão.
  • Permite que se alterne facilmente entre várias escalas. É possível passar de uma análise dos aspetos estruturais da totalidade da rede para uma análise de partes da mesma (em última instância até aos elementos individuais) mantendo uma ligação entre várias escalas.
  • Para todos os efeitos, uma rede é uma estrutura de dados. Os vértices e as ligações podem conter variáveis semelhantes às usadas habitualmente em trabalhos quantitativos em ciências sociais (género, idade, escolaridade, etc.) e que podem ser integradas na análise.
  • Graças à popularidade das plataformas associadas ao que é frequentemente denominado Web 2.0, assentes em práticas de maior interação e de participação dos utilizadores na produção de conteúdos, estão disponíveis novas fontes de dados que podem ser facilmente estruturados como redes. Análises baseadas em dados do twitter, facebook, wikipedia, etc. tornaram-se populares em algumas áreas das ciências sociais.

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