Agricultura em Portugal, mil anos de História

Por Dulce Freire

Acabou de sair o primeiro livro sobre a história da agricultura em Portugal. Ainda que o país tenha sido essencialmente agrícola até aos anos 60 do século XX, faltava fazer uma síntese desse percurso e, também, das décadas mais recentes. A obra oferece uma perspectiva de longa duração, que começa nos primórdios da nacionalidade e se estende até ao século XXI. Trata-se de An Agrarian History of Portugal, 1000-2000. Economic development on the European Frontier, publicada pela editora Brill. Este é um livro colectivo, em inglês, que reúne onze investigadores que, nas últimas décadas, se têm dedicado à pesquisa de várias temáticas relacionadas com a produção e o consumo de bens alimentares.

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Capa do livro “An Agrarian History of Portugal, 1000-2000”. Fonte: Brill

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As ciências sociais como virtuosismo político e social: a epistemologia de Bent Flyvbjerg

Este é o quarto post da série “A utilidade das Ciência Sociais

Por Marco Allegra

Qual é a utilidade das ciências sociais? Qual o seu impacto na sociedade? E quais as opções (epistemológicas, metodológicas, políticas) disponíveis para o investigador maximizar este impacto – mantendo, ao mesmo tempo,  autonomia e a independência que muitos de nós associamos ao estatuto da ciência? Estas são algumas das perguntas essenciais  subjacentes ao recente post de Andy Inch neste blogue – seguido de um contributo de Simone Tulumello sobre “a ciência do possibilismo”.

Tive a oportunidade adicional de refletir sobre este tema durante o último seminário do nosso grupo de investigação. O debate que seguiu a apresentação sobre as metodologias quantitativas transformou-se, de facto, numa discussão sobre o processo de construção dos dados, a relação entre dados qualitativos e quantitativos, e as possibilidades de integração destes no desenho da pesquisa.

Neste post gostaria de continuar esta conversa encaixando-a numa perspetiva mais alargada – num discurso sobre os fundamentos epistemológicos das ciências sociais, a epistemologia sendo “o estudo do conhecimento e das crenças justificadas” e, mais em geral, “a criação e a disseminação do conhecimento em áreas de investigação específicas” (EpistemologyStanford Encyclopedia of Philosophy) – para depois voltar às questões levantadas por Andy descrevendo a proposta epistemológica de Bent Flyvbjerg sobre as ciências sociais como virtuosismo político e social. Continuar a ler

Um comentário ao livro Portugal: ambientes de mudança

Autora: Ana Delicado

Acaba de ser publicado o livro Portugal: ambientes de mudança – erros, mentiras e conquistas, da autoria de Luísa Schmidt, coordenadora do Observa e investigadora do Grupo de Investigação ´Ambiente, Território e Sociedade`. Lançado a 2 de novembro no Centro Cultural de Belém, contou com uma ampla divulgação mediática nos jornais e televisões e com a presença de variadas figuras da academia, dos media e da política de ambiente.

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Sulcando e atravessando territórios de pesquisa

José Luís Cardoso

Comentário sobre o livro:

João Ferrão e Ana Horta (orgs.), Ambiente, Território e Sociedade: novas agendas de investigação. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais, 2015.

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Que existe de comum entre as preocupações com o consumo alimentar sustentável e com a energia que se consome ou desperdiça? Que pontes e caminhos cognitivos cruzam águas poluídas e lixeiras produzidas pelo homo urbanus?  Quais os efeitos que adultos e crianças sentem e sofrem por viverem em ambiente debilitado que lhes afecta a saúde? Que formas de participação cívica e política estão ao alcance dos cidadãos interessados em intervir na construção das condições de melhoria do seu bem-estar? Qual o envolvimento e que tipo de empenho se espera dos decisores públicos na condução de políticas que dignifiquem e valorizem a nossa existência individual e colectiva?

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