A colaboração científica internacional vista a partir da investigação em energias renováveis em Portugal

Por Luís Junqueira

A capacidade de colaborar no plano internacional é frequentemente apontada como um elemento de maturação da atividade científica e a Comissão Europeia e os governos nacionais tem aumentado o esforço para fomentar o desenvolvimento da Área Europeia de Investigação (European Research Area – ERA) como forma de potenciar a investigação e integrar os países cientificamente mais periféricos. Este texto tem por objetivo explorar a colaboração científica internacional em energias renováveis, usando a coautoria de artigos científicos como aproximação, ainda que com limitações, do volume da atividade de colaboração entre países. Com este objetivo, recolhi todos os artigos na área de energias renováveis publicados entre 2000 e 2015, com autoria de pelo menos um investigador de instituições portuguesas disponíveis na base bibliografia Scopus, um dos principais indexadores de artigos científicos. Estes dados foram desambiguados e transformados de forma a serem compatíveis com uma análise de redes da colaboração científica internacional (em que os vértices correspondem a países e as arestas correspondem a coautorias de artigos por autores dos países adjacentes). Continuar a ler

INTREPID Knowledge – reflecting on our final conference and the future of universities

By Olivia Bina

INTREPID – the network of scholars and practitioners from 32 countries, funded by the European Cooperation in Science and Technology (COST), has been celebrating its four-year journey at a final conference: ‘INTREPID Knowledge’, in Lisbon, where it all began in May 2015. The main aim of the COST Action is to better understand how to achieve more efficient and effective inter and transdisciplinary research in Europe so as to strengthen our ability to address contemporary global challenges characterised by increasing complexity and uncertainty. The added value of INTREPID’s network has been to explore the potential of inter and transdisciplinary knowledge, inspiring change and build leadership, at the level of policy for research funding, within universities/Higher Education Institutions (HEIs), and crucially among the youngest researchers who choose to promote interdisciplinary inquiries despite the many challenges (and oftentimes risks) that this entails. The Action achieved its main aim targeting three challenges, which were explored over the three days: Continuar a ler

Comunicação como compromisso: o projeto ReSEED

Por Dulce Freire e Caroline Delmazo

Papers. Pôsters. Conferências. Seminários. A divulgação dos resultados do trabalho de pesquisa para a comunidade acadêmica é parte da rotina dos investigadores. Trata-se da disseminação científica, que é “natural” no contexto de investigação. Esta é, entretanto, apenas uma parte de um processo mais amplo de comunicar a ciência, que tem como objetivo alcançar a sociedade, pessoas que não são especialistas no tema investigado, e não apenas os pares académicos. Continuar a ler

O acesso ao terreno: dilemas, desafios, estratégias e compromissos

Por Fábio Rafael Augusto

“Sabemos que o terreno de pesquisa […] é muito mais do que um local onde vai ser realizada a observação. Mas também é um local.” (Amante, 2015)

No âmbito do projeto de doutoramento que me encontro a desenvolver no ICS-ULisboa em Sociologia, onde procuro analisar iniciativas de apoio alimentar (IAA) e as dinâmicas relacionais que se estabelecem entre voluntários e beneficiários, tenho vindo a deparar-me, como seria de esperar, com desafios de diversa ordem.

Um desses desafios prende-se com o acesso ao terreno. De forma a chegar às dinâmicas entre os atores supramencionados considerei pertinente partir para a realização de voluntariado nas IAA selecionadas. Desta forma, seria possível – com recurso ao método de observação participante – cumprir os objetivos do projeto e, simultaneamente, dar algo em troca às iniciativas. Continuar a ler

Segurança alimentar e políticas públicas sobre alimentação

Por Virgínia Henriques Calado

A criação de conselhos municipais de alimentação em Portugal é uma proposta em torno da qual se têm vindo a mobilizar diversas entidades, designadamente, a FAO-Portugal, a Rede Rural Nacional, a Rede Portuguesa pela Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (ReAlimentar) — rede da sociedade civil que «tem por objetivo principal influenciar os processos de formulação e tomada de decisão sobre políticas públicas, nacionais e internacionais, que digam respeito à Soberania e Segurança Alimentar» — e universidades portuguesas, como a Universidade Aberta e a Universidade de Lisboa, esta última através do Colégio Food, Farming and Forestry (F3). Seminários organizados, como aquele em que se discutiu o Direito humano a uma alimentação adequada através de compras públicas e cadeias curtas agroalimentares (Universidade de Lisboa, 7 de fevereiro de 2018) ou a oficina Direito humano à alimentação adequada e políticas públicas ao nível local (FAO – Portugal, Lisboa, 19 de junho de 2018), permitiram dar conta do desejo de implementação de políticas públicas nacionais e municipais que possam contribuir para uma realização progressiva do direito a uma alimentação adequada.

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“Agora tens de escrever um paper sobre isto”: produção e devolução ética de conhecimento científico

Por Susana Boletas

Quando terminei de apresentar o meu artigo, ou paper, sobre as visitas guiadas na Cova da Moura, no seminário final do projeto “Espaço Relacional e Direito à Cidade: Pesquisa Experimental na Cova da Moura”, em 30 de abril na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, e esperava pelas questões, um dos comentadores convidados pegou numa das minhas observações e dirigiu-o aos moradores do bairro presentes, em vez de o dirigir a mim. A observação era sobre a mercantilização, exotização e espetacularização da pobreza e os moradores eram os membros da associação local, a Associação Cultural Moinho da Juventude, responsável, entre muitas outras coisas, pelo projeto de visitas guiadas pelo bairro. A fundadora do Moinho da Juventude respondeu que estava lá apenas para ouvir. A questão foi-me, então, devolvida e tive de explicar o que pretendia dizer. Falei acerca das minhas preocupações e considerações sobre as possibilidades de melhorias físicas e sociais na Cova da Moura e, então, o debate alargou-se às restantes pessoas presentes. Discutiu-se a extensa produção académica sobre este bairro e as razões por que esta não se traduziu em melhoramentos das suas condições, a necessidade de se desenvolver pensamento crítico e o facto de nem toda a produção académica ser pensada para ter aplicação prática, os abusos de investigadores que constroem as suas carreiras académicas com base no conhecimento que adquiririam na Cova da Moura sem, depois, retribuir. Então, a fundadora do Moinho da Juventude sentiu a necessidade de quebrar o silêncio e explicar que já faziam visitas guiadas pontualmente nos anos 1990, mas que foi só em 2002 que começaram de forma sistemática, para combater a imagem negativa do bairro veiculada pela comunicação social. Explicou que se tinham inspirado num programa semelhante a um da Holanda e implementaram-no na Cova da Moura quando viram o bairro tornar-se alvo de discursos estigmatizantes à medida que este se ia tornando um local estratégico para a especulação imobiliária. Acrescentou, ainda, que jovens que tinham ido para fora estudar e trabalhar contactavam a Associação porque queriam voltar para o bairro, alguns já com família. Eu aproveitei a ocasião para tirar notas.

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As if U and sustainability mattered: U-you, U-niversity, U-theory, U-topia

By Olivia Bina

U for you

When was the last time you sat with two strangers and told them the story of your life, in three minutes?

Mine was eight weeks ago. It is harder than you think. And not just because of the embarrassment factor, but because one too rarely thinks of one’s whole life, let alone presenting it in three minutes. But it does achieve something precious: it tears down silos. Silos of me and you, of all those ideas of what makes us different, of what divides us, of the ‘what I do’ identities. It leaves you with something simpler, something about a shared humanity and a sense of what probably does matter and what probably does not (at least not that much).

U for University

It is from within this space that thirty-two people from fifteen countries began a journey to explore ‘The Future Of Universities, as if Sustainability Mattered’: a training programme centred around the question of how universities can be a positive force for transformation and change towards a more sustainable future.

The key words here being ‘future’ and ‘sustainability’, since both inevitably require a normative exploration engaging with ‘evaluative claims about what is good’. And to add to the discomfort that at least some of us are already feeling with ‘being normative’, let me introduce the killer application: during a whole week, we were asked to use bodies (the ones in the room), emotions and, yes, minds. That was meant to take care of the centuries-long arguments around separation between thought and feeling.

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