Negação e saúde mental: da urgência de um plano de intervenção em tempos de pandemia

Por Roberto Falanga

Impreparação?

Há pouco menos de três meses o mundo como o conhecíamos mudou. A Organização Mundial da Saúde declarou a pandemia da SARS-CoV-2 a 11 de março 2020 e, em seguida, muitos governos centrais declararam medidas de contenção que passaram, em muitos casos, por um longo período de isolamento profilático seguido, como no caso de Portugal, por medidas de desconfinamento gradual e regulado. Há, porém, segundo confirmam virologistas, e conforme o anúncio feito pelo diretor da Organização Mundial da Saúde na Europa Hans Kluge, a elevada probabilidade de este coronavírus ter chegado para ficar. Ou ainda a eventualidade de este ser o primeiro de outros vírus que resultam da ação do ser humano nos ecossistemas naturais, incluindo através da aceleração da produção industrial, da agricultura intensiva, e da desflorestação em massa. Continuar a ler

A Reflection on the Scientific Foundations of Social Sciences

By Diana Soeiro

In the wake of the current pandemic each profession is impacted in its own way. Social scientists seem eager to prove their usefulness and value and the many posts, new blogs, new discussion groups and newsletters seem to confirm this tendency. The motivation is to be able to provide others an informed opinion. Those looking a little bit more ahead try to find ways to collect data in order to be able to produce scientific articles about the current situation – conducting surveys, interviews, or soliciting personal reflections.

A few examples that are relevant to refer at this point in the realm of health are: 1) The website Barómetro COVID-19, an initiative conducted by the National School of Public Health (ENSP) – Universidade Nova de Lisboa, taking an interdisciplinary approach, featuring different sections dedicated to ‘opinion and commentary’, public policy, occupational health and epidemiology. The goal is to provide informed and updated information; 2) The Life and Health Sciences Research Institute (ICVS), School of Medicine, Universidade do Minho, is conducting a long-term study to better understand the impact of the pandemia on mental health. The study encompasses Portugal and Spain, working in partnership, and is coordinated by Maria Picó Pérez and Pedro Morgado. Continuar a ler

Action research and ethics in times of a global pandemic. An ongoing reflection on the EU-funded project ROCK in Lisbon

By Roberto Falanga, Jessica Verheij and Mafalda Corrêa Nunes

The Covid19 pandemic and the ROCK project

The widespread use of action research methods in social sciences since the mid-20th century, and the increase in participatory, transdisciplinary and engaged research approaches in the last few decades confirm an ongoing paradigm shift regarding the relationship between expert and lay knowledge. A growing interest into new ways of grasping social life and co-producing knowledge with local actors has unsettled the conventional divides between researchers and their “objects” of study. As local actors become active co-creators of knowledge, critical ethical issues arise regarding the role of researchers in the field, as well as the production, use, and impacts of scientific knowledge. Continuar a ler

Urban Islands In Times Of a Pandemic Or Boredom As Priviledge

By Diana Soeiro

My main research activity is developed within the ROCK project, funded by the European Union, under the Horizon 2020 programme, involving 13 European cities. Briefly, the project focuses on researching how can urban regeneration be promoted through cultural heritage. In Portugal it features two hosts, ICS-UL and Lisbon’s City Hall, promoting a methodology that encourages a close dialogue between the university and public institutions, known as action-research. The goal is that both institutions inform each other so that research translates into action, and action informs research. The selected area where the action-research takes place is in the neighbourhoods of Marvila and Beato (Lisbon). Since the beginning of the project, in 2017, this is the territory where the team has been focused. Continuar a ler

“International Seminar on Environment and Society”: sociólogos em debate face à emergência ambiental

Por Ana Horta

A perceção pública dos desafios ambientais tem ganho uma dimensão enorme nos últimos tempos. Isto deve-se em grande medida à inclusão das alterações climáticas nas agendas mediáticas, com as suas repercussões em eventos climáticos extremos, assim como as suas vastas implicações na produção e consumo de energia e de alimentos ou ainda na perda de biodiversidade. Além disso, recentemente outros problemas ambientais têm também captado muita atenção a nível internacional, como é o caso da utilização de plásticos. Neste contexto, cidadãos, decisores políticos, agentes dos media, cientistas e outros têm-se movimentado de formas por vezes marcantes e inéditas, como aquando do reconhecimento do estado de emergência climática e ambiental pela ONU, pelo Parlamento e pela Comissão Europeia ou pelo Papa, pelo anúncio de políticas profundamente ambiciosas (como é o caso da descarbonização da economia) ou ainda do movimento internacional de estudantes em greve à escola pelo clima. Continuar a ler

Pensamento contraintuitivo em ciência: a propósito de um livro de um historiador-antropólogo que analisa a política a partir da geografia

Por João Ferrão

Olhando por um telescópio ou por um microscópio vemos realidades distintas (uma galáxia e uma célula, por exemplo) ou diferentes facetas de uma mesma realidade? O mesmo se poderá perguntar em relação aos vários instrumentos com um alcance de visão e um poder de resolução entre esses dois extremos, como os satélites de recolha de imagens, os binóculos, o olho humano, as lupas ou as objetivas de máquinas fotográficas. Talvez a resposta mais simples seja dizer que vemos realidades distintas se as consideramos de modo isolado, mas componentes de uma mesma totalidade se interpretadas de uma forma relacional e multiescalar.

Qual é a pergunta equivalente para os cientistas sociais? Não temos telescópios, mas produzimos metateorias. Não recorremos a microscópios, mas desenvolvemos trabalhos a uma escala micro: indivíduos, objetos, espaços de uma habitação, etc. E também podemos usar instrumentos intermédios, desde as teorias de médio alcance aos estudos de caso do mais diverso tipo. Continuar a ler

CONCISE: O papel da comunicação nas perceções e crenças dos cidadãos europeus sobre ciência

Por Ana Delicado, Jussara Rowland, João Estevens, Roberto Falanga, Mónica Truninger

As alterações climáticas são um embuste inventado pela China. As vacinas causam autismo. Os alimentos com OGM (Organismos Geneticamente Modificados) fazem mal à saúde. A homeopatia cura o cancro, mas as empresas farmacêuticas não querem que se saiba. O Homem nunca foi à Lua. A Terra é plana.

São muitas as ideias que circulam nas redes sociais que contrariam o consenso científico prevalente. São transmitidas entre amigos, publicadas em websites, partilhadas em fóruns de discussão.  A sua disseminação aumenta o número de crentes. E, se opiniões toda a gente tem a sua, quando formam a base da tomada de decisão podem tornar-se prejudiciais para a sociedade. Pais que não vacinam os filhos não só põem em risco de vida as suas crianças como contribuem para a eclosão de epidemias. Céticos das alterações climáticas opõem-se a medidas de mitigação das emissões poluentes que poderiam impedir a catástrofe iminente. Em determinadas doenças, pacientes que substituem a medicina convencional por terapêuticas alternativas incorrem numa maior probabilidade de agravar o seu estado de saúde e até de morrer. Continuar a ler

A colaboração científica internacional vista a partir da investigação em energias renováveis em Portugal

Por Luís Junqueira

A capacidade de colaborar no plano internacional é frequentemente apontada como um elemento de maturação da atividade científica e a Comissão Europeia e os governos nacionais tem aumentado o esforço para fomentar o desenvolvimento da Área Europeia de Investigação (European Research Area – ERA) como forma de potenciar a investigação e integrar os países cientificamente mais periféricos. Este texto tem por objetivo explorar a colaboração científica internacional em energias renováveis, usando a coautoria de artigos científicos como aproximação, ainda que com limitações, do volume da atividade de colaboração entre países. Com este objetivo, recolhi todos os artigos na área de energias renováveis publicados entre 2000 e 2015, com autoria de pelo menos um investigador de instituições portuguesas disponíveis na base bibliografia Scopus, um dos principais indexadores de artigos científicos. Estes dados foram desambiguados e transformados de forma a serem compatíveis com uma análise de redes da colaboração científica internacional (em que os vértices correspondem a países e as arestas correspondem a coautorias de artigos por autores dos países adjacentes). Continuar a ler

INTREPID Knowledge – reflecting on our final conference and the future of universities

By Olivia Bina

INTREPID – the network of scholars and practitioners from 32 countries, funded by the European Cooperation in Science and Technology (COST), has been celebrating its four-year journey at a final conference: ‘INTREPID Knowledge’, in Lisbon, where it all began in May 2015. The main aim of the COST Action is to better understand how to achieve more efficient and effective inter and transdisciplinary research in Europe so as to strengthen our ability to address contemporary global challenges characterised by increasing complexity and uncertainty. The added value of INTREPID’s network has been to explore the potential of inter and transdisciplinary knowledge, inspiring change and build leadership, at the level of policy for research funding, within universities/Higher Education Institutions (HEIs), and crucially among the youngest researchers who choose to promote interdisciplinary inquiries despite the many challenges (and oftentimes risks) that this entails. The Action achieved its main aim targeting three challenges, which were explored over the three days: Continuar a ler

Comunicação como compromisso: o projeto ReSEED

Por Dulce Freire e Caroline Delmazo

Papers. Pôsters. Conferências. Seminários. A divulgação dos resultados do trabalho de pesquisa para a comunidade acadêmica é parte da rotina dos investigadores. Trata-se da disseminação científica, que é “natural” no contexto de investigação. Esta é, entretanto, apenas uma parte de um processo mais amplo de comunicar a ciência, que tem como objetivo alcançar a sociedade, pessoas que não são especialistas no tema investigado, e não apenas os pares académicos. Continuar a ler