De qué hablamos cuando hablamos de Sociología Ambiental

Por: Antonio Aledo

Estoy realizando una estancia académica en el Instituto de Ciencias Sociales de la Universidad de Lisboa en el equipo de investigación liderado por la Dra. Luisa Schmidt y con el apoyo de la Dra. Carla Gomes. Esta estancia está financiada por el Ministerio de Universidades del Gobierno de España dentro del Programa de Estancias de Movilidad de Investigadores en Centros Extranjeros. La preparación de un manual de sociología ambiental es uno de los objetivos principales de esta estancia. En los próximos párrafos resumo los principios fundamentales sobre los que se ha construido la sociología ambiental, que van a dirigir los contenidos de este manual.

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PhD SHIFT Hub: balanço do último ano letivo e perspetivas para o futuro

Por: PhD SHIFTHub

Nascido das dificuldades e desafios da pandemia Covid-19, o PhD SHIFT Hub foi criado por estudantes e para estudantes no seio do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa). Em 2021, com o post PhD SHIFTHub: how adversities can be a catalyst for change, ficou clara a relevância do grupo para a comunidade ICS. Este novo post tem como objetivo refletir acerca do ano que passou, um ano em que o Hub se apresentou à restante comunidade científica, afirmando-se como dinamizador de um espaço de inovação e discussão entre pares.

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Democracia Energética e Comunidades de Energia Renovável em Portugal: uma agenda de investigação

Por: Vera Ferreira

A transição energética tem assumido uma preponderância sem precedentes no debate político à escala europeia e nacional. A descentralização da produção de energia e a expansão das comunidades de energia renovável (CER) são vistas como condições necessárias para uma transição energética mais justa e democrática. A democracia energética apresenta-se, assim, como uma alternativa aos sistemas energéticos dominantes. Os protagonistas que encabeçam este movimento priorizam o controlo democrático do setor energético, atribuindo um novo significado à própria noção de energia, que passa a ser entendida como um bem público e um direito universal (e não como uma mercadoria). Em última instância, a democracia energética procura fomentar a justiça social, em detrimento da acumulação de riqueza, empoderar as comunidades, reforçando o seu papel na propriedade, controlo e gestão do setor energético, e redistribuir o poder político e económico, almejando uma democratização mais ampla da sociedade.

No caso português, a articulação entre democracia energética e CER carece de aprofundamento. Neste sentido, é necessário introduzir a democracia energética no debate académico nacional, antecipando as suas potencialidades conceptuais e analíticas no que respeita ao estudo das CER. Embora estas se encontrem nas primeiras etapas de implementação, é expectável que se venham a afirmar como atores-chave da transição energética ao longo dos próximos anos. Por conseguinte, torna-se pertinente avaliar em que medida poderão contribuir para veicular os princípios da democracia energética em Portugal.

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A Era das Omnipresenças

Por: João Baptista

É capaz de cuidar de algo que não vê? Preocupar-se com o que não consegue tocar, ainda que esteja ao seu lado? Abdicar de consumir o que gosta por aquilo que não consegue sentir? Mudar as suas rotinas em prol de algo que está para além do seu conhecimento, mas que encontra em todos os sítios onde vai?

Este é, talvez, um dos maiores desafios que a humanidade enfrenta hoje. O de acordarmos, todos os dias, junto a algo que não sentimos, não vemos, não conseguimos tocar, mas pelo qual somos responsáveis. Timothy Morton deu-lhes o nome de hiperobjetos. A ideia de hiperobjectos é genial. Mas a designação é frustrante. O prefixo “hiper-” e a palavra “objeto” desviam-nos da condição espiritual que as entidades globais a que a conjugação se refere têm. O termo “hiperobjecto” atribui-lhes um carácter explícito, tangível. Materializa essas entidades. Dá-lhes um significado mais concreto do que elas requerem. Daí preferir chamar-lhes omnipresenças. Bem-vindo à Era das Omnipresenças.

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MUNICÍPIOS EM PERDA DEMOGRÁFICA:REFORMATAR REFERENCIAIS, VER MAIS LONGE, CRIAR NOVAS OPORTUNIDADES

Por: João Ferrão

Declínio demográfico: uma geografia diferenciada

Durante o período das designadas Grandes Navegações Portuguesas (séculos XV e XVI), Portugal tinha cerca de 1 milhão de habitantes. Em 1640, quando o país restaurou a sua independência em relação à governação castelhana, a população total do continente e ilhas pouco ultrapassava aquele valor. Em 1910, aquando da implantação da República, éramos quase 6 milhões. As estimativas do INE mostram que em 1964 atingimos um pico secundário de um pouco mais de 9 milhões de habitantes, iniciando-se então uma quebra provocada pela intensificação dos movimentos emigratórios, que apenas foi estruturalmente invertida, a partir de 1974, com o regresso de populações provenientes das ex-colónias e, mais tarde, com diversas vagas imigratórias, mantendo, a partir daí, valores próximos dos 10 milhões de habitantes, ainda que com oscilações.

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Cidades inteligentes para quem? Notas de um estudo de caso sobre Lisboa

Por: Tomás Donadio

No enquadramento de um dos temas indicados para o Blogue SHIFT em 2022, este texto discute um tópico particular sobre o futuro das cidades: as cidades inteligentes. Apesar de ser um conceito relativamente recente, certamente a sua utilização está na moda. O termo é atualmente empregue por diversos atores urbanos, como formuladores de políticas, políticos e académicos. No entanto, é encontrado com maior assiduidade em discursos de corporações multinacionais de tecnologia e de instituições governamentais. Mas, afinal, o que são as cidades inteligentes?

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Podcasting climate change between tragedy and comedy

By: Enrique Pinto-Coelho

When I was a kid, probably around the age of my 11-year-old son, I sent a drawing of a flying Superman – copied from a piggy bank – to my school’s magazine. I still remember the excitement of reading my name under the full-page picture the day it was published, a mixture of pride and delight that I only felt again many years after, when I signed my first journalistic article in a (paid) publication.

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Gestão é tudo (SQN)

Por: Daniel Roedel

No Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, é comum utilizarmos ao final de uma afirmação a expressão “só que não” (SQN). Trata-se de uma ironia que nega a certeza anterior e cria uma piada. Utilizei a expressão no título para abordar o tema da gestão que desde há alguns anos saiu dos estudos e debates da academia e das ações empresariais e entrou no cotidiano das pessoas em diversas localidades. Exemplos podem ser encontrados na entrevista do treinador de futebol em Portugal, que orgulhosamente declara que fez a gestão do banco de reservas; da terapeuta que destaca a necessidade da gestão das emoções; do atleta que enaltece a gestão do esforço. Associar a palavra gestão aos temas em questão parece indicar seriedade e profissionalismo, mesmo que não se saiba bem o que ela significa.

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Uma vida que seja sua: um Hub de estudos com os animais

Por: HAS-Hub

Em 2017, um colectivo de autoras assinava o texto A life of their own: children, animals, and sustainable development, questionando a invisibilidade dos animais não humanos na agenda do desenvolvimento sustentável das Nações Unidas. O texto chamava a atenção para a sua ausência nos 17 Objetivos (SDGs) da Agenda 2030, onde só surgem mencionados indiretamente como “recursos” (SDGs 14 e 15), meios para um fim: construir uma vida e um futuro melhores para os humanos, no (e não com) o planeta. Sem o saber, este documento lançava as bases programáticas que inspiraram a agenda de investigação daquele que viria a ser o Human-Animal Studies Hub (HAS-Hub) – um espaço interdisciplinar para investigadores nacionais e internacionais unidos por um interesse comum: reconhecer os animais como sujeitos de investigação de pleno direito, com subjetividade e agência, parceiros no estudo das nossas relações com eles.

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