INFORMALITY IN PRACTICE – n.3

This post is part of a series on informality in practice, to be published at regular interval on the ATS blog.

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São Paulo (Photo from the website The Global Millenial)

n.3

FANTASIA PAULISTA

Or: building citizens, one brick at the time

Brazil is a country with a violent past – a Wild-West kind of violence.

Take Maria da Conceição Pereira Silva, for example. Born in 1945 in Afogados de Sertania, deep in the Brazilian Nordeste, one of her first memories was seeing a bunch of jagunços, thugs with guns, beating her father on behalf of the local fazendeiro.

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Invisibilidade e Negatividade: o discurso mediático sobre ambiente em Portugal

Por João Carlos Sousa

Na sua obra seminal a Democracia na América, Alexis Tocqueville chama atenção para a centralidade dos media na formação da opinião pública. Deste ponto de vista, aos media cabe tornar visíveis os temas considerados de interesse público, desde a escala local/regional à global. A opinião pública surge, desta forma, na área de sobreposição dos meios de comunicação e da política, contribuindo para o processo informativo que está subjacente à ação política, à participação e mobilização cívica, e à formulação de processos deliberativos no seio da esfera pública. Continuar a ler

INFORMALITY IN PRACTICE – n.2

This post is part of a series on informality in practice, to be published at regular interval on the ATS blog.

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Vacant houses, Baltimore (Photo by Flickr user cranky messiah, Creative Commons license)

n.2 

CORNER BOYZ N THE HOOD

Or: tapping into the latent potential of people

Straight from the epic tv series “The Wire”: how do you teach something to West Baltimore’s worst “corner boys”?

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INFORMALITY IN PRACTICE – n.1

Artesanado de Rua, Empresa Familiar, Cidade dos Mortos, Cairo
Artisan’s workshop, City of the Dead, Cairo (Alessandro Colombo)

n.1

INTRO

This post is part of a series on informality in practice, to be published at regular interval on the ATS blog.

Formally, the series constitutes a theoretically-ambitious attempt at exploring the implications of key insights from practice theory for the realm of urban governance (both analytically and normatively). In methodological terms, the series will implement a heuristic research strategy based (in terms of its epistemological premises) on the potential of bottom-up theorization via case studies research.

Practically, the series will publish short posts telling stories – possibly with short video clips and nice pictures of exotic places. If this thing is going to fly, it will first become something self-sustaining, then a must read for the local community of scholars, then a trail-blazing publication, then an H2020, and finally a hugely popular and critically-acclaimed tv series like Black Mirror – only focusing on the more optimistic side of life.

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Thinking about the Future

By Andy Inch

This piece was first produced for a seminar held at ICS in July, 2017. A fully referenced version was published as part of a ‘position paper’ on the website of the INTREPID Cost-Action here.

 At this rate, we’ll never get to the future.

(Chuck Palahniuk, Invisible Monsters, 40)

Recent years have seen a resurgence of interest in getting to the future.

The existential threat posed by ecological crises and the logical impossibility of indefinite growth on a finite planet has, for example, generated a profound sense of urgency. As Bruno Latour has argued, time is running out to take action. However, its normal flow also seems to have been reversed. Innumerable threats now seem to stream back towards the present from a damaged future that we are responsible for creating yet seem incapable of avoiding.  Continuar a ler

“Inclusão”, liminaridade e precariedade científica (II)

Por Paulo Granjo

(Continuação do post publicado a 4 de Outubro)

Verifiquemos, então, em que medida esta proposta teórica poderá ser útil para compreender um processo de inclusão em curso e a negociação social nele envolvida: a regularização da precarização científica estrutural.

3 . Quando o precariado científico “não existia”

Tendo em conta o contraste entre essa situação e a atual, deveremos começar por focar a atenção no tempo recente, há menos de 2 anos, em que o precariado científico «não existia».

Claro que existia precariedade científica, abrangendo aliás 70% d@s investigadores trabalhando no país, sob 6 diferentes situações de vinculação laboral, concretizadas através de bolsas e de contratos a termo certo ou incerto. Contudo, para utilizar uma expressão clássica na análise de classes, constituíam um grupo “em si” (pela sua situação objetiva), mas não um grupo “para si” (segundo a sua perceção subjetiva).

Esse quadro resultava em grande medida de uma atomização, quer das condições de trabalho, quer das representações que lhes estavam associadas.

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“Inclusão”, liminaridade e precariedade científica (I)

Por Paulo Granjo

1. Inclusão: uma falsa ideia clara

“Inclusão” tornou-se uma palavra-fetiche, omnipresente quer no discurso político vago e bem-intencionado, quer nos cadernos de encargos para o financiamento de pesquisas sociais.

Como qualquer palavra que utilizemos, pretendendo que seja mais do que um som, está associada a noções e ideias, por vezes muito variáveis. Contudo, na sua utilização predominante nos contextos que referi, constitui por um lado uma “falsa ideia clara” (para utilizar uma expressão cara a Mário Murteira) e, por outro, um traiçoeiro simplismo.

Quando ouvimos “inclusão”, de imediato pensamos “exclusão”. Com isso, tendemos a aperceber ambas as palavras e ideias como um par opositivo, delimitado de forma evidente e com uma carga positiva ou negativa, consoante o prefixo; mas não é, de todo, esse o caso.

Ao estabelecermos essa oposição (fig. 1), não estamos, antes de mais, a constatar uma evidência empírica. Estamos a enfatizar de forma arbitrária – mas de acordo com critérios valorativos, normalmente dominantes – um conjunto, entre muitos possíveis, de critérios ou características que permitam afirmar a semelhança ou a partilha de posse entre quem é “incluído”, ao mesmo tempo que enfatizamos um outro conjunto de características ou critérios de diferenciação ou despossessão, que permitam contrastar esse grupo com o dos “excluídos”. É só em função dessa arbitrariedade negociada que a fronteira entre “dentro” e “fora” (e entre quem está de um e de outro lado) é afirmada e assume um simulacro de evidência.

Fig. 1 – Construção de fronteiras de inclusão/exclusão (P. Granjo)

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