Sustainable futures for whom? Towards an education for interspecies sustainability

By: Maria Helena Saari (University of Oulu)

What does cow’s milk have to do with education and sustainable futures? To explore this question we might ask, as environmental education scholar David Orr has done, if education stems from the word “educe”, meaning “to draw forth” or “bring out”, what is being brought out by the connections between the dairy industry and schools?

Image: Annie Spratt on Unsplash
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MUNICÍPIOS EM PERDA DEMOGRÁFICA:REFORMATAR REFERENCIAIS, VER MAIS LONGE, CRIAR NOVAS OPORTUNIDADES

Por: João Ferrão

Declínio demográfico: uma geografia diferenciada

Durante o período das designadas Grandes Navegações Portuguesas (séculos XV e XVI), Portugal tinha cerca de 1 milhão de habitantes. Em 1640, quando o país restaurou a sua independência em relação à governação castelhana, a população total do continente e ilhas pouco ultrapassava aquele valor. Em 1910, aquando da implantação da República, éramos quase 6 milhões. As estimativas do INE mostram que em 1964 atingimos um pico secundário de um pouco mais de 9 milhões de habitantes, iniciando-se então uma quebra provocada pela intensificação dos movimentos emigratórios, que apenas foi estruturalmente invertida, a partir de 1974, com o regresso de populações provenientes das ex-colónias e, mais tarde, com diversas vagas imigratórias, mantendo, a partir daí, valores próximos dos 10 milhões de habitantes, ainda que com oscilações.

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Maricultura em Pitangui/RN: género, economia solidária e meio ambiente

Por: José Gomes Ferreira & Winifred Knox

Logo após a declaração do estado de pandemia pela Organização Mundial de Saúde, a 11 de março de 2020, um grupo de investigadores liderado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) submeteu ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) o projeto Boas Práticas de Enfrentamento da Covid-19 no Rio Grande do Norte, na Paraíba e no Ceará,  visando acompanhar as necessidades sociais, económicas e de acesso à saúde das comunidades tradicionais, levando informação sobre saúde e promovendo articulações para diminuir a vulnerabilidade destas comunidades no acesso a serviços públicos. Na qualidade de investigadores do Departamento de Políticas Públicas da UFRN coube-nos o acompanhamento dos pescadores da vila de Ponta Negra, em Natal, e das maricultoras da AMBAP – Associação de Maricultura e Beneficiamento de Algas de Pitangui, no município de Extremoz, situado a 40 km de Natal. 

Além da associação ao projecto Boas Práticas, a investigação surge integrada no projecto de extensão Saberes Dialógicos, coordenado por nós, assim como à Rede Macroalgas coordenada pelo professor Dárlio Teixeira da Escola Agrícola de Jundiaí da mesma Universidade (EAJ/UFRN), incluindo outros especialistas e comunidades que recolhem e transformam algas no Nordeste.

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Justiça Socioambiental: retrato do racismo ambiental no Brasil

Por: Ana Flávia Trevizan

Na busca por um ambiente mais saudável, por um bem viver, esbarra-se na ideia de justiça: Justiça não apenas em seu sentido estrito de acesso aos foros e tribunais, mas justiça na vertente ampliada, pautada pela realidade vivenciada por um dado grupo social, abrangendo questões econômicas, culturais, ambientais e sociais.

Quando analisada em profundidade, a problemática socioambiental, por muitas vezes, expõe a ideia de injustiça. Dentre alguns casos exemplificativos tem-se a pressão sobre os territórios indígenas, exploração da mineração sem que a sociedade participe do processo de licenciamento ambiental, poluição dos recursos hídricos, desmatamento sem ulterior responsabilização, paraísos de poluição em países emergentes, morte de ativistas ambientais, deslocados climáticos.

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Uma análise crítica da inovação na Agricultura 4.0

Por: Lanka Horstink

A inovação tecnológica tem ganho preponderância enquanto solução principal para os problemas da sustentabilidade da agricultura. O conceito “Agricultura 4.0” reúne abordagens como a agricultura de precisão, agricultura inteligente, agricultura digital, agricultura vertical, e bioeconomia sustentadas em tecnologias recentes como a robótica, inteligência artificial, blockchain, internet das coisas, edição genética, proteínas sintéticas e nanotecnologia.

A Agricultura 4.0, enquanto expoente de uma 4ª revolução industrial, pretende uma “fusão de tecnologias que esbate as linhas entre as esferas física, digital e biológica.” São exemplos desta fusão, a biologia sintética que faz crescer carne a partir das células estaminais extraídas dos fetos de vacas e os organismos geneticamente modificados pela tecnologia CRISPR/Cas, que promete rapidez, facilidade e custos reduzidos na eliminação/alteração de genes indesejados. Estas tecnologias só foram possíveis graças aos avanços na computação que permitem, por exemplo, descodificar e digitalizar genomas inteiros numa questão de dias.

Foto de James Baltz no site Unsplash
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Lisboa Inovadora e Inclusiva – notas de trajetória, investigação e outros quereres

Por: João Felipe P. Brito

Há doze anos, no Rio de Janeiro, enquanto eu iniciava uma investigação sobre a criação de um novo bairro nos arredores do maior complexo penitenciário da América Latina, não imaginava que a vontade de compreender os porquês daquele processo me traria, um dia, a Lisboa. Aquela inquietação intelectual diante das desigualdades das cidades brasileiras e da mudança social em ambiente urbano resultou em uma dissertação de mestrado sobre estratégias políticas e econômicas que buscavam ressignificar e revalorizar um tradicional e decadente bairro industrial carioca, Bangu, lugar onde nasci e onde primeiro vi o mundo.

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PilotSTRATEGY Captura e Armazenamento de Carbono em Portugal

Por: Jussara Rowland, Ana Delicado, Luísa Schmidt

As alterações climáticas são um problema “malvado” (wicked, na terminologia inglesa). Complexo, de difícil resolução, não há uma “bala mágica” que o consiga travar. Da mudança de comportamentos individuais à transformação dos sistemas de produção e consumo globais, muitas são as propostas para prevenir um aumento catastrófico da temperatura no planeta, como múltiplas são as respostas tecnológicas que podem contribuir para isso. Segundo o IPCC e a Comissão Europeia, a captura e armazenamento geológico de carbono é uma das respostas possíveis,  particularmente relevante para mitigar as emissões carbónicas de algumas indústrias cujos processos industriais implicam a produção de CO2. O CO2 é capturado nas grandes fontes emissoras industriais ou de produção de energia, comprimido em estado líquido e transportado por gasoduto, navio ou comboio para ser injetado no subsolo, geralmente a profundidades superiores a 1 km. O armazenamento é feito em formações geológicas como aquíferos salinos profundos, reservatórios esgotados de petróleo ou gás, ou em camadas de carvão não-exploráveis.

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O Perigo da História Única das Alterações Climáticas

Por: Fronika de Witt

Quando rejeitamos a história única, quando percebemos que nunca há uma história única sobre qualquer lugar, recuperamos uma espécie de paraíso.

Chimamanda Adichie: O perigo de uma história única. TED Talk 2009.

A escritora e contadora de histórias nigeriana Chimamanda Adichieto tem vindo a alertar para o perigo das histórias únicas. As histórias únicas, segundo ela, são as perceções excessivamente simplistas e, por vezes, falsas que formamos sobre pessoas e lugares. Estas dependem da perspetiva do narrador e criam estereótipos e imagens incompletas. Outro problema das histórias únicas é onde começam; começar antes ou depois do processo de colonização, por exemplo, muda completamente uma história e a sua dinâmica de poder.

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Lisboa verde oriental – entre parques, hortas e corredores verdes

Por: David Travassos

Foto 1 – A zona oriental de Lisboa oferece uma coleção diversificada, e até surpreendente, de lugares e áreas verdes (exemplo do Parque do Vale do Silêncio). Fotografia do autor.

A zona oriental de Lisboa oferece uma colecção diversificada, e até surpreendente, de lugares e áreas verdes propícias ao lazer e contacto com a natureza em espaço urbano. São múltiplos ambientes, alguns ainda pouco conhecidos pela maioria dos lisboetas, incluindo lugares marcados pelas memórias do passado rural que caracterizou este lado da cidade até meados do século XX. Este território tem vindo a beneficiar da abertura de uma série de novos espaços verdes, parques hortícolas, ciclovias e percursos pedonais, incluindo a requalificação ambiental e paisagística de áreas degradadas. Somam-se ainda novos quiosques e esplanadas, parques infantis, equipamentos e circuitos de manutenção, que possibilitam um melhor usufruto destas áreas.

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A produção do mundo: estudos críticos da logística em Portugal

Por: Simone Tulumello

A palavra “logística” remete para um imaginário feito de contentores, autocarros, navios, aeroportos, armazéns, códigos de barras; de grandes empresas multinacionais; para a  ideia de fluxos; para a circulação de produtos, coisas, pessoas e capitais numa escala que vai do planetário ao local: um clique na Amazon e, 24 horas depois, um produto está à porta de casa; um clique na Uber e, 5 minutos depois, um carro está à nossa espera. Simples, rápido, fácil – smooth.

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