Will security concerns drive a faster energy transition in Europe?

By: Jiesper Pedersen, Carla Gomes and Filipe Duarte Santos

Energy supply has always been a key security concern. Yet, over the last few months, the Russia-Ukraine war has emerged as a possible driver for a faster transition towards a more resilient and clean energy system. The global economic system is strongly reliant on massive energy consumption. Energy consumption is constantly increasing each year and correlates directly with CO2 emissions. The Paris Agreement’s key goal was to keep warming under 1,5º but has not bent the annually increasing emissions curve yet. Will Putin’s invasion make us deliver on its promise faster?

Stopping Russian gas imports altogether, following the invasion of Ukraine in late February, would have been a strong show of support to the Ukrainian people. However, economic assessments, fear of national recessions, and a firm reliance on Russian natural gas for industry and households have prevented a total halt. Thus, the EU continues to finance the Russian war machine, all the while aiding Ukraine with armoury and gaining time to increase supply from alternative sources.

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BIODIVERSIDADE 2030. NOVA AGENDA PARA A CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE EM CONTEXTO DE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS EM PORTUGAL

Por: Rosário Oliveira e João Mourato

A biodiversidade é fundamental, pois dela depende a regulação de processos essenciais à vida como a composição química da atmosfera, do solo, da água, e a capacidade de produção agrícola e florestal. A sua perda afeta inevitavelmente a espécie humana, pelo que a sua conservação é crucial também para a nossa sobrevivência.

Contudo, as estratégias de conservação internacionais, europeias e nacionais não têm sido capazes de travar e inverter a perda alarmante de biodiversidade nas últimas décadas, sendo, assim, necessário ir além das tradicionais medidas de conservação (ex. gestão de áreas protegidas, proteção de espécies ameaçadas, controlo de espécies invasoras).

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Energias renováveis, paisagens e inovação social: o projeto PEARLS

Por: Ana Delicado e Mónica Truninger

É já longa a tradição de investigação sobre questões energéticas no GI SHIFT. Da história da energia nuclear ao futuro da energia da fusão, da pobreza energética às práticas de consumo dos jovens, têm sido múltiplos os projetos envolvendo investigadores do GI. Sobre energias renováveis houve já um projeto financiado pela FCT e está agora em curso outro financiado pela Comissão Europeia. É deste último que vos vamos falar.

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Democracia Energética e Comunidades de Energia Renovável em Portugal: uma agenda de investigação

Por: Vera Ferreira

A transição energética tem assumido uma preponderância sem precedentes no debate político à escala europeia e nacional. A descentralização da produção de energia e a expansão das comunidades de energia renovável (CER) são vistas como condições necessárias para uma transição energética mais justa e democrática. A democracia energética apresenta-se, assim, como uma alternativa aos sistemas energéticos dominantes. Os protagonistas que encabeçam este movimento priorizam o controlo democrático do setor energético, atribuindo um novo significado à própria noção de energia, que passa a ser entendida como um bem público e um direito universal (e não como uma mercadoria). Em última instância, a democracia energética procura fomentar a justiça social, em detrimento da acumulação de riqueza, empoderar as comunidades, reforçando o seu papel na propriedade, controlo e gestão do setor energético, e redistribuir o poder político e económico, almejando uma democratização mais ampla da sociedade.

No caso português, a articulação entre democracia energética e CER carece de aprofundamento. Neste sentido, é necessário introduzir a democracia energética no debate académico nacional, antecipando as suas potencialidades conceptuais e analíticas no que respeita ao estudo das CER. Embora estas se encontrem nas primeiras etapas de implementação, é expectável que se venham a afirmar como atores-chave da transição energética ao longo dos próximos anos. Por conseguinte, torna-se pertinente avaliar em que medida poderão contribuir para veicular os princípios da democracia energética em Portugal.

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A Era das Omnipresenças

Por: João Baptista

É capaz de cuidar de algo que não vê? Preocupar-se com o que não consegue tocar, ainda que esteja ao seu lado? Abdicar de consumir o que gosta por aquilo que não consegue sentir? Mudar as suas rotinas em prol de algo que está para além do seu conhecimento, mas que encontra em todos os sítios onde vai?

Este é, talvez, um dos maiores desafios que a humanidade enfrenta hoje. O de acordarmos, todos os dias, junto a algo que não sentimos, não vemos, não conseguimos tocar, mas pelo qual somos responsáveis. Timothy Morton deu-lhes o nome de hiperobjetos. A ideia de hiperobjectos é genial. Mas a designação é frustrante. O prefixo “hiper-” e a palavra “objeto” desviam-nos da condição espiritual que as entidades globais a que a conjugação se refere têm. O termo “hiperobjecto” atribui-lhes um carácter explícito, tangível. Materializa essas entidades. Dá-lhes um significado mais concreto do que elas requerem. Daí preferir chamar-lhes omnipresenças. Bem-vindo à Era das Omnipresenças.

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Participatory Rural Appraisal for the municipality of Odemira – The characterisation of a rural environment

Por: Kaya Schwemmlein , Lanka Horstink & Miguel Encarnação

Source: Project logo.

Drawing upon the challenge of creating inclusive, regenerative, and sustainable food systems, it is very important to address not only questions related to sustainable agricultural practices, but also issues regarding power asymmetries that can be found along the supply chain.

The European Union (EU), in its “Farm to Fork Strategy”, maintains that it is vital to “preserve affordability of food while generating fairer economic returns, fostering competitiveness of the EU supply sector and promoting fair trade”. Nonetheless, several studies, journalistic pieces and other EU documents (such as the EU´s Inception Impact Assessment) have already clearly acknowledged the existing challenge of imperfect competition : one that creates disparities in market power across the entire food chain, from production to retail.

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Planeamento Territorial no Quadro de Financiamento PT2020 – algumas reflexões

Por: André Pereira

O projeto SOFTPLAN tem como objectivo analisar a evolução de práticas de soft planning (paralelas e complementares ao sistema de gestão territorial português),  particularmente a partir da forma como a União Europeia, através da Política de Coesão e dos Fundos Estruturais de Investimento, tem vindo a fomentar a implementação destas práticas.

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Sustainable futures for whom? Towards an education for interspecies sustainability

By: Maria Helena Saari (University of Oulu)

What does cow’s milk have to do with education and sustainable futures? To explore this question we might ask, as environmental education scholar David Orr has done, if education stems from the word “educe”, meaning “to draw forth” or “bring out”, what is being brought out by the connections between the dairy industry and schools?

Image: Annie Spratt on Unsplash
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MUNICÍPIOS EM PERDA DEMOGRÁFICA:REFORMATAR REFERENCIAIS, VER MAIS LONGE, CRIAR NOVAS OPORTUNIDADES

Por: João Ferrão

Declínio demográfico: uma geografia diferenciada

Durante o período das designadas Grandes Navegações Portuguesas (séculos XV e XVI), Portugal tinha cerca de 1 milhão de habitantes. Em 1640, quando o país restaurou a sua independência em relação à governação castelhana, a população total do continente e ilhas pouco ultrapassava aquele valor. Em 1910, aquando da implantação da República, éramos quase 6 milhões. As estimativas do INE mostram que em 1964 atingimos um pico secundário de um pouco mais de 9 milhões de habitantes, iniciando-se então uma quebra provocada pela intensificação dos movimentos emigratórios, que apenas foi estruturalmente invertida, a partir de 1974, com o regresso de populações provenientes das ex-colónias e, mais tarde, com diversas vagas imigratórias, mantendo, a partir daí, valores próximos dos 10 milhões de habitantes, ainda que com oscilações.

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Maricultura em Pitangui/RN: género, economia solidária e meio ambiente

Por: José Gomes Ferreira & Winifred Knox

Logo após a declaração do estado de pandemia pela Organização Mundial de Saúde, a 11 de março de 2020, um grupo de investigadores liderado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) submeteu ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) o projeto Boas Práticas de Enfrentamento da Covid-19 no Rio Grande do Norte, na Paraíba e no Ceará,  visando acompanhar as necessidades sociais, económicas e de acesso à saúde das comunidades tradicionais, levando informação sobre saúde e promovendo articulações para diminuir a vulnerabilidade destas comunidades no acesso a serviços públicos. Na qualidade de investigadores do Departamento de Políticas Públicas da UFRN coube-nos o acompanhamento dos pescadores da vila de Ponta Negra, em Natal, e das maricultoras da AMBAP – Associação de Maricultura e Beneficiamento de Algas de Pitangui, no município de Extremoz, situado a 40 km de Natal. 

Além da associação ao projecto Boas Práticas, a investigação surge integrada no projecto de extensão Saberes Dialógicos, coordenado por nós, assim como à Rede Macroalgas coordenada pelo professor Dárlio Teixeira da Escola Agrícola de Jundiaí da mesma Universidade (EAJ/UFRN), incluindo outros especialistas e comunidades que recolhem e transformam algas no Nordeste.

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