Brief notes on the 2020 Rosi Braidotti’s Summer School: ‘Posthuman convergences’, postpresencial experience

By: Lavínia Pereira

It was only in July that I was informed I had been selected for this year’s Rosi Braidotti’s Summer School at the University of Utrecht (12-21 August). It was my second time applying and I was told it was very difficult to be accepted due to the avalanche of applications they receive every year. So I was both glad for the opportunity and disappointed with the news that the summer school would – eventually – be online. Despite this setback (I am really not a fan of the online mediation apparatus that we have been forced to use, during these last few months!), my expectations were high and… they were fulfilled.  

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A crescente importância do vetor ambiental para a segurança e defesa nacionais em Portugal

Por João Estevens*

Faz sentido pensar o ambiente do ponto de vista da segurança nacional? Qual tem sido o tratamento das questões ambientais na narrativa securitária? Estas duas questões dão o mote para este texto e continuidade a investigações recentes desenvolvidas no ICS-ULisboa.

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Vírus expôs falha sistémica e agrava divergência na UE

Por Paulo Miguel Madeira*

Devido à pandemia da Covid-19, entre o final do inverno e o início da primavera de 2020, centenas de milhões de europeus ficaram com as suas vidas suspensas, sujeitos a regimes mais ou menos coercivos de permanência nas suas residências, com as saídas limitadas a situações específicas determinadas pelas autoridades. A estratégia de diminuição drástica do contacto social adotada durante estes meses foi necessária para conter a disseminação do vírus e salvar muitas vidas, porventura dezenas de milhares em Portugal e centenas de milhares ou mesmo milhões por toda a Europa. Estão em maior risco pessoas com problemas de saúde específicos e pessoas idosas em geral – e os europeus são uma população muito envelhecida.

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Recursos interativos para uma alimentação mais sustentável

Por Equipa SUSTAINMEALS

Uma transição para dietas com menor consumo de carne e baseadas em alimentos de origem vegetal é importante para responder a desafios globais de sustentabilidade e saúde na alimentação. Descubra aqui a pegada ecológica dos alimentos, conheça o seu potencial de mudança e saiba como pode agir!

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SafeConsume – um olhar sociológico sobre a segurança alimentar

Por Luís Junqueira, Alexandre Silva, Mónica Truninger

O SafeConsume é um projeto internacional, financiado pela União Europeia através do programa Horizon 2020 (grant agreement Nº 727580), que junta 32 parceiros de 14 países. O seu objetivo é conhecer as práticas de segurança alimentar em contexto doméstico e procurar soluções para reduzir os surtos de toxinfecção na Europa, concentrando-se nos cinco principais agentes patogénicos de origem alimentar: Campylobacter jejuni; Toxoplasma gondii; Salmonella enterica; Norovirus; Listeria monocytogenes. Ainda que o seu impacto seja pouco discutido, estima-se que estes e outros micróbios transmitidos pelos alimentos que ingerimos sejam responsáveis por 23 milhões de casos de doença e 5000 mortes por ano em toda a Europa. Continuar a ler

Ajuda alimentar em Portugal: as crises que enaltecem o papel das iniciativas

Por Fábio Rafael Augusto

Ajuda, apoio ou assistência alimentar remete para um conjunto de serviços que visam garantir o acesso a bens alimentares a pessoas que se encontram socialmente vulneráveis. Geralmente, este tipo de apoio é proporcionado por iniciativas que advêm da sociedade civil e envolve a doação de alimentos. Em alguns casos, estas respostas articulam-se com sistemas de recolha e redistribuição de excedentes alimentares que não estão inseridos nos habituais processos de comercialização.

A análise desta realidade no contexto nacional representa a força motriz da minha tese de doutoramento, bem como do motivo que me conduziu à escrita deste post. Compreender as dinâmicas relacionais e organizacionais que se estabelecem nos principais modelos de ajuda alimentar que atuam em Portugal representa o principal objetivo do projeto de doutoramento iniciado em 2016. Conhecer o modus operandi das iniciativas, bem como as suas fragilidades e potencialidades, permitirá lançar algumas pistas para o extenso debate, dentro e fora da academia, acerca do papel social destas respostas. Continuar a ler

Substâncias químicas em produtos – propostas de ação política e na área da saúde

Por Susana Fonseca

Entre junho de 2016 e maio de 2019 desenvolvi a minha investigação de pós-doutoramento sobre o tema das substâncias químicas em produtos do quotidiano(brinquedos, roupas, cosméticos, produtos de limpeza, equipamento elétrico e eletrónico, alimentos, etc.). Durante este período, o objetivo foi sempre o de analisar se a controvérsia científica sobre o impacto de substâncias químicas em produtos do quotidiano (alimentação, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza, e brinquedos) é reconhecida e integrada pelos profissionais de saúde (comunidade médica e de enfermagem) que acompanham e apresentam recomendações às mães; e de que forma, seja pelo aconselhamento médico, seja por outras fontes, influencia os pais nas suas práticas quotidianas e opções de consumo relacionadas com o cuidar dos filhos. Continuar a ler

Serviços de Ecossistemas e Bem-Estar: a participação do ICS no projeto Riveal

Por Joana Sá Couto, Luísa Schmidt e Ana Delicado

O Projeto RIVEAL – Valores e Serviços dos Ecossistemas Fluviais e das Florestas Ripárias em Paisagens Fluviais Alteradas e Futuros Climáticos Incertos – tem como objetivo compreender, mapear e quantificar os serviços de ecossistemas dos rios e das florestas ripárias, em zonas a montante e a jusante de barragens, especificamente nos casos do Rio Lima (Barragem de Touvedo) e do Rio Alva (Barragem de Fronhas). Para tal, uma equipa multidisciplinar de diversas instituições – Universidade de Coimbra, Universidade de Aveiro, Instituto Superior de Agronomia e o Instituto de Ciências Sociais, ambos da Universidade de Lisboa – tem como objectivo efectuar uma análise holística dos serviços de ecossistema de paisagens ribeirinhas alteradas por barragens. Continuar a ler

Peixe não Puxa Carroça

Por Lúcia Campos

“Peixe não puxa carroça”. “Galinha gorda não precisa de tempero”. Todos nós conhecemos estas e outras expressões populares, que espelham as ideias pré-concebidas que existem sobre a comida.

Mas existem também crenças sobre quem consome os alimentos: estereotipicamente, a carne está associada à ideia de virilidade, enquanto que a fruta e legumes estão associados a uma ideia de feminilidade. Como exemplo de que este efeito é praticamente universal, um estudo conduzido no Japão mostrou que as pessoas associam nomes femininos a sobremesas, fruta e saladas, e, pelo contrário, associam nomes masculinos a pratos de carne. De acordo com o Inquérito Nacional de Saúde (INE/INSA, 2016), em Portugal, de facto, são as mulheres quem mais consome legumes e saladas (61% das mulheres referem consumir frequentemente estes alimentos/refeições, comparativamente com 49% dos homens que referem o mesmo comportamento). Continuar a ler

Catástrofes naturais, alterações climáticas e seguros

Por António Sobrinho

As catástrofes que ocorreram ao longo do ano de 2019 provocaram perdas económicas da ordem de 146.000 milhões de USD, a nível mundial. Desse montante, 137.000 milhões correspondem a danos causados por catástrofes naturais, de acordo com a SWISS RE. No mesmo período, os desastres resultantes de intervenção humana representaram apenas cerca de 6,2% do total, cifrando-se em 9.000 milhões de USD. Do conjunto das perdas globais, apenas 60.000 milhões de USD estavam cobertos por seguros, correspondendo aproximadamente a 41,1% do seu valor. Isto permite identificar uma considerável lacuna de protecção (protection gap) – ou seja, a quota-parte das perdas económicas globais não cobertas por seguros – de 58,9%. Continuar a ler