Valerá a pena construir barragens em Cabo Verde?

Por António Sobrinho

O governo de Cabo Verde, confrontado com o fenómeno das alterações climáticas, aprovou um conjunto de medidas que visam o aproveitamento integrado dos seus recursos hídricos. Na sua estratégia de adaptação às alterações climáticas recuperou uma ideia antiga relativa ao aproveitamento das águas superficiais das suas ribeiras, decidindo construir, até 2017, “cerca de 17 barragens, 29 diques e mais de 70 furos, visando obter 75 milhões de m3/ano de água para rega e consumo doméstico”, conforme referem SHAHIDIAN et alia (2014). Continuar a ler

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O valor das ciências sociais (Parte II): o paradigma Schwarzenegger

Por João Morais Mourato

Faz agora ano e meio que contribuí para a série de reflexões do nosso blogue sobre a utilidade das ciências sociais, tema que, desde então, não voltou a ser abordado. Contudo, resultado do projeto BEACON que coordeno no ICS, e da leitura dos contributos recentes do João Sousa e da Olívia Bina, decidi revisitar a discussão sobre a utilidade da Universidade e em particular das ciências sociais, ancorando-me, desta vez, na questão fundamental da comunicação do conhecimento. Surpreendentemente, reparei que comunicação não surge entre as palavras-chave (tags) mais frequentemente registadas no blogue. Ora se no post anterior explorei os desafios epistemológicos, identitários e operativos associados à evolução das ciências sociais, desta vez centrar-me-ei no que designarei como o seu desafio comunicacional.

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INFORMALITY IN PRACTICE – n.3

This post is part of a series on informality in practice, to be published at regular interval on the ATS blog.

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São Paulo (Photo from the website The Global Millenial)

n.3

FANTASIA PAULISTA

Or: building citizens, one brick at the time

Brazil is a country with a violent past – a Wild-West kind of violence.

Take Maria da Conceição Pereira Silva, for example. Born in 1945 in Afogados de Sertania, deep in the Brazilian Nordeste, one of her first memories was seeing a bunch of jagunços, thugs with guns, beating her father on behalf of the local fazendeiro.

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Invisibilidade e Negatividade: o discurso mediático sobre ambiente em Portugal

Por João Carlos Sousa

Na sua obra seminal a Democracia na América, Alexis Tocqueville chama atenção para a centralidade dos media na formação da opinião pública. Deste ponto de vista, aos media cabe tornar visíveis os temas considerados de interesse público, desde a escala local/regional à global. A opinião pública surge, desta forma, na área de sobreposição dos meios de comunicação e da política, contribuindo para o processo informativo que está subjacente à ação política, à participação e mobilização cívica, e à formulação de processos deliberativos no seio da esfera pública. Continuar a ler

‘Corrida’ às terras aráveis: a perspectiva da justiça ambiental

Por Carla Gomes

A aquisição em larga escala de terras em países em desenvolvimento teve um aumento notório na última década, impulsionada pelas crises climáticas e do preço dos alimentos, bem como pela liberalização dos mercados. A tese “A justice approach to the African ‘land rush’: Investigating the social dynamics around agricultural investments in Mozambique”, que defendi na Universidade de East Anglia em 2017, em co-tutela com a Universidade de Lisboa, aborda esta problemática a partir de dois estudos de caso realizados em Moçambique, um dos países que mais têm atraído investidores estrangeiros. Continuar a ler

Métodos quantitativos para uma análise exploratória de discursos sobre energia

Por Luís Junqueira

A participação nas redes sociais como o Facebook, Twitter e Instagram vem a ganhar uma importância cada vez maior na nossa interação com o mundo: veja-se, por exemplo, o papel do Twitter nas eleições americanas de 2016 ou do Facebook na mobilização para a manifestação “Que se lixe a troika” em 2013. Estas plataformas são cada vez mais espaços onde se estabelecem relações, se expressam representações sociais e se desenvolvem controvérsias. A exploração destas na sua componente relacional foi já referida num post anterior, mas ficou por fazer uma discussão sobre as possibilidades de análise do seu conteúdo. A massificação da internet trouxe também o acesso alargado a bases de documentação digitalizada, das quais as mais proeminentes são as bases de artigos de imprensa, mas que abrangem também debates parlamentares, documentos de políticas públicas, bases de livros ou de artigos científicos, entre outros. Continuar a ler

Comer o mundo – Desafios de sustentabilidade na nossa alimentação

Por João Graça

Muitos alertas e discussões sobre a (in)sustentabilidade dos atuais padrões de produção e consumo humano centram-se em temas como os transportes, a dependência energética de recursos fósseis, e a separação e gestão de resíduos. No entanto, a nossa alimentação, e a produção e o consumo de alimentos de origem animal em particular, têm sido associados a problemas ambientais muito significativos em todas as escalas, que incluem a degradação de terrenos aráveis, alterações climáticas, poluição atmosférica, poluição e destruição de recursos hídricos, e perda de biodiversidade.

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