Searching for utopia in dystopian times

By Andy Inch

“Utopia is the process of making a better world, the name for one path history can take, a dynamic, tumultuous, agonizing process, with no end. Struggle forever.” 
― Kim Stanley Robinson, Pacific Edge

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“No place like utopia”. Source: Creative Commons

It can be hard to know what to say when non-academic friends and family ask what you do as a full-time researcher. They often shake their heads, laugh and ask (only half-jokingly) when you’re going to get a real job. When faced with this reaction, I’ve discovered it’s best not to admit to spending long hours reading about utopia.  But at the risk of confirming people’s prejudices about life in the ivory tower that is one of the things I’ve been doing over recent months.

Since Thomas More coined the term in 1516, Utopia has been an important reference point in the cultural life of Western societies. Here in Lisbon the 500th anniversary of the publication of More’s book was marked by a series of debates and performances at the Maria Matos Theatre while one of the first exhibitions at the newly opened MAAT was entitled ‘utopia/ dystopia’. Continuar a ler

O futuro da Universidade: precisamos de uma mudança?

Por Lavínia Pereira e Olivia Bina

“Não se pode conceber a educação sem o pensamento de um futuro.” É Clément Rosset quem o diz numa entrevista concedida a Anita Kechichian publicada em 1985 no Le Monde de l’Éducation. Historicamente, a Universidade e a função educativa têm na Modernidade o seu momento alto: o projecto iluminista entende o conhecimento como fonte de emancipação do ser humano, finalidade associada a uma ideia redentora de futuro.

Como podemos conceber o projecto educativo no momento posterior àquele em que o ideal da Modernidade foi conduzido ao seu limite por auto-refutação? Um momento em que o risco e a incerteza alteraram a experiência humana do tempo: o futuro vem agora ao nosso encontro, interrogando-nos, interrompendo permanentemente o fluir do tempo presente? [1]

Três notícias recentemente vindas a público são ilustrativas do alcance da acção do ser humano sobre o equilíbrio do planeta: a destruição do mar de Aral; a separação de mais um enorme icebergue na Antártida Ocidental; e a sexta extinção de espécies em massa descrita pelos cientistas como ‘aniquilação biológica’. Tornámo-nos uma ‘força da natureza’ que introduziu uma alteração irreversível no equilíbrio planetário.

Por outro lado, a diferença entre os mais ricos e os mais pobres é maior que nunca. De acordo com o relatório Oxfam de Janeiro de 2017, o nível de desigualdade social ultrapassa as nossas piores expectativas. Continuar a ler

Fazer pesquisa num contexto de partido dominante: o caso de Moçambique

Por Edson Cortez

Neste pequeno artigo pretendo dar a conhecer as vicissitudes inerentes a conduzir investigação sobre a economia política de Moçambique e assuntos similares num ambiente em que os responsáveis por fontes escritas e orais têm receio de prestar declarações ou fornecer documentos que sejam fulcrais para que o investigador obtenha resposta às suas questões de pesquisa.

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Maputo, capital e maior cidade de Moçambique. Fonte: Wikipédia

Moçambique é uma democracia de partido dominante, onde a Frente de Libertação de Moçambique—FRELIMO detém o controlo sobre o Estado, a economia, os recursos e parte da sociedade civil. Segundo o estudo “Os custos da corrupção para a economia moçambicana“,

Neste tipo de economia política, as elites dominantes que ocupam posições-chave no partido, na administração pública, militar e económica possuem uma tendência de manter o poder através da ‘reciclagem’, entre posições no partido, governo, instituições do Estado e parlamento, bem como na criação de ‘arranjos políticos’ no seio dos vários segmentos das elites governantes. Estas elites podem ser consideradas como sendo agentes que estão para se servirem a si próprios e que consolidam o poder organizando grupos de clientes, oferecendo-lhes determinados benefícios (financeiros, organizacionais, económicos, etc.) e acesso aos recursos em troca do seu apoio.

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O aumento da prescrição e do consumo de psicofármacos em Portugal

Por Nádia Salgado Pereira

Segundo um relatório de 2011 da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), 10 a 20% das pessoas que procuram os cuidados de saúde primários em Portugal revelam queixas psicológicas. Dados recolhidos entre 2008 e 2009 apontam para uma prevalência elevada de problemas psicológicos na população portuguesa, situada em 23% e acima da média da União Europeia. No mesmo sentido, de acordo com um relatório da Comissão Europeia de 2010, Portugal está entre os países da União Europeia onde mais aumentou a procura de ajuda psicológica entre Dezembro de 2005 e Março de 2010. Estes dados sugerem que os problemas psicológicos terão crescido consideravelmente em Portugal, em particular ao longo da crise económica, criando uma maior necessidade de intervenção na saúde mental.

Fatores como o desemprego, a precariedade laboral e os cortes de rendimentos, potenciados pelas crises económicas, podem conduzir a situações de carência económica e de pobreza. Estas encontram-se associadas a um maior risco de problemas psicológicos, nomeadamente depressões e perturbações da ansiedade, podendo conduzir ao suicídio. De acordo com os resultados de um estudo recente, esta relação entre as condições de privação material e o risco de suicídio foi observada durante o período de crise em Portugal.

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Impacto da crise económica na saúde mental. Fonte: iStock.com

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Securitização das alterações climáticas: um debate político com implicações para as forças armadas

Por Raul Boeno

Enquanto o debate académico se tem ocupado em discutir conceitos paralelos, complementares e adjacentes ao de segurança, o debate político tem-se dividido entre securitizar e dessecuritizar o tema alterações climáticas.

Na Europa, a NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), o maior bloco armado do planeta, semanas antes da realização da COP 21 (Paris/2015) emitiu a Resolution 427 on Climate Change and International Security, demonstrando uma nítida postura securitizadora sobre o tema.

Esta resolução orientou os seus membros para aumentar a frequência e a participação de consultas militares, no seio da NATO, em assuntos ligados às alterações climáticas. Reforçou, também, a importância do assunto a ser tratado em Paris, devido aos futuros reflexos nos interesses da aliança na Europa e no mundo. Sobre a NATO, cabe lembrar dois pontos: o bloco incluiu as alterações climáticas como uma ameaça na sua atual estratégia de segurança e não é composto apenas por países europeus, como é o caso do Canadá e dos Estados Unidos da América (EUA). Continuar a ler

Um americano em Paris

Por Luísa Schmidt

Não foi surpresa. A desvinculação dos Estados Unidos da América do Acordo de Paris tinha sido anunciada e está em linha com a lamentável atitude política da fação extremista que tomou conta do Partido Republicano nos EUA.

A figura que a representa – Donald Trump – tentou fazer passar a ideia de que não está contra um Acordo, mas que pretende negociar os termos de modo mais favorável à América.

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Protesto nos EUA contra Trump. Fonte: Julia DeSantis/Flickr

É um logro. A América é o país que mais emissões lançou para a atmosfera durante mais tempo. Querer negociar uma posição mais favorável para si é não só moralmente inaceitável como inviável. O mundo não é um subúrbio da América e os outros países não são uma ralé que o poder americano trata conforme entende.

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Estágio Ciência Viva “A Outra Lisboa”

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No âmbito dos estágios Ciência Viva destinados a alunos do 10º ao 12º ano, o Observa propõe o estágio “A Outra Lisboa”, da responsabilidade de Ana Delicado e sob coordenação de Mariana Liz, Andy Inch, Roberto Falanga e Marco Allegra. O estágio tem cinco vagas e decorrerá de 21 a 25 de Agosto, durante todo o dia. Inclui refeições.

Descrição: A cidade de Lisboa e a sua área metropolitana apresentam um vasto conjunto de caraterísticas sociais e territoriais nem sempre uniforme e contíguo. Essas caraterísticas são influenciadas, ou até determinadas, por múltiplos fatores, como o tipo de política que vigora para os contextos urbanos, a mobilização e capacidade de se auto-organizar, e também o tipo de intervenções atuadas em prol de territórios que, face a problemas altamente complexos, requerem um cuidado especial. Neste estágio, os alunos vão fazer uma investigação científica sobre a grande diversidade social e territorial de Lisboa e da sua área metropolitana, com destaque para os territórios que apresentam várias tipologias de necessidades e, em alguns casos, carências. Os alunos serão convidados a usar ferramentas das ciências sociais e humanidades (inquéritos, trabalho de campo, visitas a arquivos e análise de imagens, etc) bem como a analisar dados derivados da aplicação das mesmas para uma abordagem crítica aos problemas identificados ao longo do estágio.

Mais informações aqui.