Pobreza Energética em Portugal: uma proposta metodológica para a sua avaliação e monitorização

Por João Pedro Gouveia

Nos anos 1970, na sequência da crise energética então vivida, surge no Reino Unido o termo ´pobreza energética`, uma forma de pobreza que não permite às pessoas nesse estado satisfazerem as suas necessidades de energia, por exemplo, para aquecimento e confeção de alimentos. Nessa altura começa-se a estudar o tema, mas é apenas na última década que assistimos a um crescente interesse pelo tópico, tanto na investigação como na política, passando essencialmente por perceber o conceito em diferentes áreas geográficas. Vários estudos têm alertado para a importância e influência de diferentes culturas, climas, tipologia de edifícios, tecnologias (e.g. climatização) no consumo de energia e nas diversas formas de dar resposta ao desafio de manter um ambiente confortável e saudável nas habitações. Continuar a ler

UNLEASH: pensar em soluções para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Por Jessica Verheij

No mês passado participei no UNLEASH, um programa de inovação social com a duração de uma semana, organizado por várias organizações e instituições internacionais. Este post serve para dar a conhecer o programa UNLEASH através da minha experiência, e, mais importante, para encorajar todos os doutorandos e investigadores até aos 35 anos, que estão a trabalhar em temas de desenvolvimento sustentável, a candidatar-se a este programa. UNLEASH é uma organização sem fins lucrativos patrocinada por vários parceiros internacionais, como as empresas de consultoria Chemonics e Deloitte, e várias fundações e organizações, como a Carlsberg Foundation e a Dalberg. Tem sede na Dinamarca e foi aqui que decorreu a primeira reunião do UNLEASH em 2017. No ano 2018 o programa teve lugar em Singapura, e em 2019 em Shenzhen, na China. Uma vez que está diretamente relacionado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, o objetivo é organizar o programa todos os anos até 2030 – ano em que se pretende que os Objetivos sejam atingidos. Continuar a ler

Uma etnografia da comunidade piscatória de Setúbal: em defesa de uma antropologia de envolvimento

Por Joana Sá Couto

Para a minha dissertação de mestrado, cujo foco foi a relação entre práticas piscatórias e poluição marítima por plásticos, iniciei a minha primeira aventura enquanto antropóloga na comunidade piscatória de Setúbal, marcadamente masculina. Este post tem como objetivo salientar alguns resultados relevantes, assim como ajudar-me a refletir acerca de questões metodológicas e de produção de conhecimento na defesa de uma antropologia de envolvimento. Continuar a ler

O Primeiro Seminário Internacional Ambiente e Sociedade (2020)

Por João Guerra

No rescaldo do VI Congresso Português de Sociologia, realizado em 2008 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), surgiu a ideia de criação de secções temáticas que permitissem estimular atividade relevante nas diversas subáreas da sociologia. Assim, em resultado dessa vontade e em cumprimento do disposto no regulamento sobre a constituição e o funcionamento de Secções Temáticas e Núcleos Regionais da Associação Portuguesa de Sociologia (APS), que entrou em vigor a 13 de fevereiro de 2009, e em consonância com as orientações adotadas internacionalmente por associações congéneres, foi constituída a Secção Temática Ambiente e Sociedade. Continuar a ler

O Regresso à Lua e os Desafios Criativos para as Ciências Sociais

Por Mónica Truninger

No ano em que se celebram os 50 anos da ida dos primeiros seres humanos à Lua participei na organização de um workshop interdisciplinar com colegas das ciências sociais e naturais do Reino Unido e da Alemanha, que teve lugar em maio na Universidade de Manchester. Juntaram-se antropólogos, sociólogos, investigadores de ciência e tecnologia, bem como geólogos planetários, astrónomos e astrofísicos para apresentar quinze comunicações em torno do tópico geral A Lua como Ponto de Contacto com Outros Mundos. Continuar a ler

A Remuneração dos Serviços dos Ecossistemas. Quem paga e quem recebe?

Por Rosário Oliveira

Os serviços dos ecossistemas são os benefícios diretos e indiretos que a sociedade pode obter dos ecossistemas a partir de uma correta gestão do capital natural, como a água, o solo, a biodiversidade ou a paisagem, traduzidos no bem-estar humano e numa melhor qualidade de vida.

Desde 2005 que os serviços dos ecossistemas foram classificados e avaliados pelo Millenium Ecosystem Assessment (MEA). Desde então muito se tem escrito acerca de como poderão os ecossistemas prestar à sociedade serviços de Suporte, Regulação, Provisionamento e Cultura. Em 2012 a União Europeia adotou a classificação internacional de serviços dos ecossistemas (Common International Classification of Ecosystem Services, CICES). Continuar a ler

Livre-comércio e desenvolvimento sustentável: Obstáculos e contradições do acordo UE-Mercosul

Por Luís Balula

Após 20 anos de negociações, o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e os países do bloco económico Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) foi aparentemente alcançado no encontro do G20 em Osaka, em 29 de junho passado. O texto do acordo, divulgado em 1 de julho com o sub-título “The agreement in principle” (“O acordo em princípio”), estabelece, em dezassete capítulos, as regras segundo as quais se irá processar, gradualmente, a liberalização das trocas comerciais entre os dois blocos ao longo dos próximos dez/quinze anos.

Continuar a ler