Dívida pública e dependência

Por Daniel Roedel

Frequentemente os media especializados em economia destacam a necessidade imperiosa de se promover radicais ajustes nos orçamentos públicos como caminho natural e necessário para um desenvolvimento equilibrado dos países. Citam até o honroso (embora preconceituoso) exemplo das “donas de casa”, que cuidam do orçamento cotidiano e que sabem que não se pode gastar mais do que se arrecada. Tal exemplo sensibiliza e encontra respaldo nas camadas médias da população, pois esta costuma ser determinada no cumprimento de seus compromissos financeiros. Continuar a ler

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Desafios e oportunidades da política ambiental brasileira

por José Gomes Ferreira

Muito se vai escrever sobre o impacto do novo desenho institucional e as prioridades do novo governo brasileiro em matéria ambiental. Deixando de lado o posicionamento das forças políticas que o lideram, o país tem uma importante herança que reclama avaliação, continuidade e mudança, consoante os casos.

A imensidão do país, com a sua enorme variedade e riqueza em recursos naturais, permite que nele se concentrem: i) a maior biodiversidade de espécies no mundo, estando catalogadas na parte continental mais de 103.870 espécies animais e de 43.020 espécies vegetais, distribuídas por seis biomas: Amazónia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa; ii) 12% da água doce de todo o planeta, que apresenta, contudo, no seu território uma distribuição muito desigual, de tal modo que, segundo a Agência Nacional de Águas, a região Norte concentra 80% do total das reservas de água doce do país e a região Nordeste possui pouco mais de 3%; e iii) uma enorme riqueza mineral e no subsolo, assim como uma costa marinha de 3,5 milhões km². Em termos de água subterrânea, o Brasil partilha com a Argentina, o Paraguai e o Uruguai aquele que é considerado o principal aquífero do mundo, o aquífero Guarani, que possui um volume acumulado de 37.000 km3 e uma área estimada de 1.087.000 Km2. Continuar a ler

Eixo Verde e Azul: Intermunicipalidade em Ação na Área Metropolitana de Lisboa

por Luís Balula

Em julho de 2016, os municípios de Sintra, Oeiras e Amadora, em conjunto com a Parques de Sintra – Monte da Lua (PSML), uma empresa pública que opera na área do turismo e lazer na região, assinaram voluntariamente um protocolo para desenvolver o projeto EVA na área metropolitana de Lisboa. EVA é o acrónimo de Eixo Verde e Azul e o projecto respeita à criação de um vasto parque (Belas-Queluz-Cruz Quebrada) estruturado pelo rio Jamor e cobrindo uma área de aproximadamente 10 km2 partilhada pelos três municípios contíguos. O parque irá possibilitar a conetividade de um amplo território, interligando diversos ativos territoriais – naturais, patrimoniais e infraestruturais – nos três municípios. Continuar a ler

Um novo fôlego para o Desenvolvimento Sustentável?

Por João Guerra

Com os primeiros sinais de crise ecológica, nos anos sessenta e setenta do século XX, surgiu a ideia de Desenvolvimento Sustentável (DS). O conceito, no entanto, só décadas depois se consolidou com a publicação, sob o título “O Nosso Futuro Comum” (1987), do Relatório Bruntdland. Foi nesta obra que se delimitou o âmbito do DS e, a partir daí, se disseminou a ideia pelos mais variados cantos do globo: “um desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração presente, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das gerações futuras”. Continuar a ler

Comer o mundo – Desafios de sustentabilidade na nossa alimentação

Por João Graça

Muitos alertas e discussões sobre a (in)sustentabilidade dos atuais padrões de produção e consumo humano centram-se em temas como os transportes, a dependência energética de recursos fósseis, e a separação e gestão de resíduos. No entanto, a nossa alimentação, e a produção e o consumo de alimentos de origem animal em particular, têm sido associados a problemas ambientais muito significativos em todas as escalas, que incluem a degradação de terrenos aráveis, alterações climáticas, poluição atmosférica, poluição e destruição de recursos hídricos, e perda de biodiversidade.

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On moral action for the sake of humanness and humanity

By Tim O’Riordan

I do not believe what I am about to suggest will happen. Nevertheless I feel it is timely to express it. I am a Gaianist, in that I subscribe to the provable evidence of an almost miraculous self-organising and self-perpetuating planet. We appear to be in stage two of the Gaian journey. The beginning was the microbial age of single celled biota which still colonise the microbiomes of our internal life giving functions. The second age of the more sophisticated many celled biota led eventually to the emergence of humanity. We seem to be heading towards the end of this age. What looms is a third Gaian age of a planet which is essentially post human. This could emerge within the coming thousand years. By post human I posit a species which has essentially lost any moral concern for the viability of its offspring, nor has the capability of being able to create the conditions for meaningful survival of the remaining human race. In essence that third Gaian age heralds the emergence of a species that can only live for its own existence. The humanness of caring, sharing and reciprocating will have atrophied. The essence of sustainability, namely providing both the conditions and the capabilities for future generations to live sustainably, will have been lost.

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Energias renováveis e qualidade da paisagem

Por Ana Delicado e Luís Silva

As energias renováveis são um dos itens da Estratégia Europa 2020, tendo sido definida uma meta global de 20% no consumo de eletricidade proveniente de fontes renováveis. Em Portugal, o objetivo sempre foi mais ambicioso, a saber, chegar a 2020 com 31%. Entre os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas também se encontra um respetivo a energias renováveis e acessíveis, que estabelece a meta de aumentar substancialmente a participação de energias renováveis na matriz energética global até 2030. Continuar a ler