BEACON: Coruche and its coal ovens – far from being stuck in a time warp

By Alexandra Bussler

The municipality of Coruche lies about 80 km northeast of Lisbon in the district of Santarém, in Leziría do Tejo. Despite its only 20.000 inhabitants, it is one of the largest municipalities in Portugal, stretching across 1.120 km². Due to its vast cork tree plantations, Coruche has come to call itself the cork capital of the world: as the largest cork producing district it fabricates 5 million corks every day. Continuar a ler

“International Seminar on Environment and Society”: sociólogos em debate face à emergência ambiental

Por Ana Horta

A perceção pública dos desafios ambientais tem ganho uma dimensão enorme nos últimos tempos. Isto deve-se em grande medida à inclusão das alterações climáticas nas agendas mediáticas, com as suas repercussões em eventos climáticos extremos, assim como as suas vastas implicações na produção e consumo de energia e de alimentos ou ainda na perda de biodiversidade. Além disso, recentemente outros problemas ambientais têm também captado muita atenção a nível internacional, como é o caso da utilização de plásticos. Neste contexto, cidadãos, decisores políticos, agentes dos media, cientistas e outros têm-se movimentado de formas por vezes marcantes e inéditas, como aquando do reconhecimento do estado de emergência climática e ambiental pela ONU, pelo Parlamento e pela Comissão Europeia ou pelo Papa, pelo anúncio de políticas profundamente ambiciosas (como é o caso da descarbonização da economia) ou ainda do movimento internacional de estudantes em greve à escola pelo clima. Continuar a ler

A inconcebível perda das sementes agrícolas enquanto bem comum

Por Lanka Horstink

O bem comum compreende benefícios materiais, culturais ou institucionais, cuja pertença e responsabilidade para a sua preservação cabem, em igual medida, a todos os membros de uma comunidade. O solo, a água potável, os minérios, as florestas, os monumentos, as gastronomias, e o próprio ar, são exemplos de bem comum. Pode parecer evidente que estes benefícios a todos pertencem e que são cuidados em conjunto, mas a realidade não poderia ser mais distinta. Com a consagração da propriedade privada no advento da industrialização — uma condição sine qua non para o sucesso do capitalismo industrial — a humanidade foi relativizando a noção de bem comum, aceitando com progressiva normalidade a ideia da privatização de benefícios comunitários, passados assim para as mãos do melhor pagador. É hoje inegável a enorme perda de terras florestais e aráveis para as monoculturas de soja, milho e óleo de palma, que alimentam muitas indústrias e segregam camponeses e indígenas (land grabbing). Igualmente conhecida é a venda de aquíferos às maiores empresas transnacionais de processamento alimentar e a grandes empresas financeiras que vêem nestes recursos um excelente negócio de futuros (water grabbing). Já bem menos presente na esfera pública tem estado a problemática das sementes agrícolas, que são um bem milenar que trouxe sustento e sustentabilidade à humanidade, e que estão igualmente a ser retiradas do foro do bem comum, com consequências muito mais devastadoras do que possamos imaginar. Continuar a ler

UNLEASH: pensar em soluções para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Por Jessica Verheij

No mês passado participei no UNLEASH, um programa de inovação social com a duração de uma semana, organizado por várias organizações e instituições internacionais. Este post serve para dar a conhecer o programa UNLEASH através da minha experiência, e, mais importante, para encorajar todos os doutorandos e investigadores até aos 35 anos, que estão a trabalhar em temas de desenvolvimento sustentável, a candidatar-se a este programa. UNLEASH é uma organização sem fins lucrativos patrocinada por vários parceiros internacionais, como as empresas de consultoria Chemonics e Deloitte, e várias fundações e organizações, como a Carlsberg Foundation e a Dalberg. Tem sede na Dinamarca e foi aqui que decorreu a primeira reunião do UNLEASH em 2017. No ano 2018 o programa teve lugar em Singapura, e em 2019 em Shenzhen, na China. Uma vez que está diretamente relacionado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU, o objetivo é organizar o programa todos os anos até 2030 – ano em que se pretende que os Objetivos sejam atingidos. Continuar a ler

Adaptation and human development: looking at the climate crisis from the perspective of capabilities

By Carla Gomes

We have got used to seeing human development as some kind of ladder, where gradual improvement in quality of life is the only desirable and reasonable outcome. However, the unprecedented crisis of climate change threatens to hinder longstanding gains in poverty alleviation, health and food security, at worldwide level. The ‘climate emergency’ has a direct impact on the availability of resources, shrinking liveable territory and making it all the more challenging to achieve the Sustainable Development Goals.

Looking at this problem through the lens of capabilities – our opportunities to lead a life we have reason to value – helps to clarify the multiple ways in which climate change hinders human development, or how the ‘blind spots’ of climate-related policies may reinforce existent vulnerabilities. Conversely, it unveils how our personal and social strengths, often less visible, can serve as adaptation capabilities.

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A Remuneração dos Serviços dos Ecossistemas. Quem paga e quem recebe?

Por Rosário Oliveira

Os serviços dos ecossistemas são os benefícios diretos e indiretos que a sociedade pode obter dos ecossistemas a partir de uma correta gestão do capital natural, como a água, o solo, a biodiversidade ou a paisagem, traduzidos no bem-estar humano e numa melhor qualidade de vida.

Desde 2005 que os serviços dos ecossistemas foram classificados e avaliados pelo Millenium Ecosystem Assessment (MEA). Desde então muito se tem escrito acerca de como poderão os ecossistemas prestar à sociedade serviços de Suporte, Regulação, Provisionamento e Cultura. Em 2012 a União Europeia adotou a classificação internacional de serviços dos ecossistemas (Common International Classification of Ecosystem Services, CICES). Continuar a ler

Livre-comércio e desenvolvimento sustentável: Obstáculos e contradições do acordo UE-Mercosul

Por Luís Balula

Após 20 anos de negociações, o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e os países do bloco económico Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) foi aparentemente alcançado no encontro do G20 em Osaka, em 29 de junho passado. O texto do acordo, divulgado em 1 de julho com o sub-título “The agreement in principle” (“O acordo em princípio”), estabelece, em dezassete capítulos, as regras segundo as quais se irá processar, gradualmente, a liberalização das trocas comerciais entre os dois blocos ao longo dos próximos dez/quinze anos.

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