Precarious homes: gender, domestic space and film before and during the pandemic

By: Anna Viola Sborgi

In Phyllida Lloyd’s recent drama Herself (2020), domestic abuse survivor Sandra (Clare Dunne) devises her own way out of the Irish housing crisis: after watching some online tutorials on how to self-build an affordable home, she decides to build one to live in with her two little girls and to protect herself from her violent husband Gary (Ian Lloyd Anderson). To her help comes Peggy (Harriet Walter), the wealthy, retired doctor Sandra works for as a cleaner, who offers her land to build the house in the back of her Dublin townhouse. A group of friends and colleagues, overseen by initially reluctant building contractor Aido (Conleth Hill), generously gather to help her in the enterprise.

A compelling portrayal of domestic abuse survival, supported by a moving performance by actress and co-screenwriter Clare Dunne, the film is also a hymn to community and solidarity, especially resonant in pandemic times. Though the overly optimistic house-building narrative sometimes lacks credibility, especially considering class dynamics, the film is tempered by numerous plot twists that make one thing abundantly clear: home is never at easy reach.

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NATUREZA E CIDADE: EXPERIMENTANDO NOVAS ABORDAGENS ATRAVÉS DO PROJETO EUROPEU CONEXUS, EM LISBOA + 6 CIDADES

Por: Rosário Oliveira, Olivia Bina, Roberto Falanga and Andy Inch

  1. À PROCURA DE TRANSFORMAÇÕES

As múltiplas crises socioeconómicas e ecosistémicas alertam para a necessidade de olhar para uma transformação de paradigma que necessitamos imprimir na sociedade e na economia, de forma a ganharmos consciência de que somos parte integrante da natureza.  Os conceitos e as ideias inspiradoras sobre a integração dos seres humanos na natureza que vingaram nas últimas décadas não foram suficientemente efetivos, continuando a ser necessário um apelo forte à ação de todos. A Comissão Europeia lançou, no final de 2019,  o Pacto Ecológico e o roteiro para a neutralidade carbónica até 2050, exprimindo a ambição de criar uma nova estratégia, levando as cidades e os seus territórios rurais a encontrarem soluções baseadas na ideia de circularidade económica na gestão dos recursos. Esta estratégia, quando associada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pelas Nações Unidas, e aos princípios da Nova Agenda Urbana, reforça a urgência das cidades e dos assentamentos humanos se tornarem mais inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis (ver ODS 11).

Cidades em todo o mundo partilham desafios ambientais globais causados por múltiplos e complexos fatores, tais como a fragmentação da paisagem, o rápido crescimento demográfico e a expansão urbana, enquanto processos mal planeados continuam a erradicar áreas verdes e os ecossistemas associados, fundamentais para a saúde humana (física e mental) e para a biodiversidade. Uma abordagem mais ecológica requer um design criativo, quase disruptivo, e um trabalho colaborativo que conte com o envolvimento e compromisso de todos os sectores envolvidos na vida das cidades.

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Film industry and sustainability in the era of Covid-19

By Mariana Liz

One average tentpole film production – a film with a budget of over US$70m – generates 2,840 tonnes of CO2, the equivalent amount absorbed by 3,709 acres of forest in a year.” This is the damaging conclusion that guides the Screen New Deal report, published in September 2020. Although commissioned before the pandemic, the report already hints at new ways of working on set and on location in the era of Covid-19. 2020 has been characterized by massive changes in the film industry, from production to distribution, and particularly, exhibition. The coronavirus pandemic has seen fewer people travel by air, which is very positive in terms of carbon emissions. For instance, there have been accounts of scenes directed through Microsoft Teams and other online platforms. Several pre- and post-production activities can be done remotely, from scouting to casting, editing and special effects, and this should be encouraged as a practice even after the end of travelling restrictions.

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STRINGS: Vendendo os produtos agroalimentares de proveniência rural através de lojas gourmet em espaço urbano

Mónica Truninger, Elisabete Figueiredo e Alexandre Silva

Uma das principais transformações da sociedade portuguesa nos últimos 60 anos está relacionada, por um lado, com as mudanças observadas nas zonas rurais (mais ou menos intensas) e, por outro lado, com a consequente reestruturação das relações rural-urbano. Esta transformação tem vindo a aumentar a vulnerabilidade de muitos territórios rurais, através do declínio das dinâmicas demográficas e socioeconómicas, bem como do reforço das assimetrias entre o interior e o litoral de Portugal.

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Brief notes on the 2020 Rosi Braidotti’s Summer School: ‘Posthuman convergences’, postpresencial experience

By: Lavínia Pereira

It was only in July that I was informed I had been selected for this year’s Rosi Braidotti’s Summer School at the University of Utrecht (12-21 August). It was my second time applying and I was told it was very difficult to be accepted due to the avalanche of applications they receive every year. So I was both glad for the opportunity and disappointed with the news that the summer school would – eventually – be online. Despite this setback (I am really not a fan of the online mediation apparatus that we have been forced to use, during these last few months!), my expectations were high and… they were fulfilled.  

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A crescente importância do vetor ambiental para a segurança e defesa nacionais em Portugal

Por João Estevens*

Faz sentido pensar o ambiente do ponto de vista da segurança nacional? Qual tem sido o tratamento das questões ambientais na narrativa securitária? Estas duas questões dão o mote para este texto e continuidade a investigações recentes desenvolvidas no ICS-ULisboa.

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Vírus expôs falha sistémica e agrava divergência na UE

Por Paulo Miguel Madeira*

Devido à pandemia da Covid-19, entre o final do inverno e o início da primavera de 2020, centenas de milhões de europeus ficaram com as suas vidas suspensas, sujeitos a regimes mais ou menos coercivos de permanência nas suas residências, com as saídas limitadas a situações específicas determinadas pelas autoridades. A estratégia de diminuição drástica do contacto social adotada durante estes meses foi necessária para conter a disseminação do vírus e salvar muitas vidas, porventura dezenas de milhares em Portugal e centenas de milhares ou mesmo milhões por toda a Europa. Estão em maior risco pessoas com problemas de saúde específicos e pessoas idosas em geral – e os europeus são uma população muito envelhecida.

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Peixe não Puxa Carroça

Por Lúcia Campos

“Peixe não puxa carroça”. “Galinha gorda não precisa de tempero”. Todos nós conhecemos estas e outras expressões populares, que espelham as ideias pré-concebidas que existem sobre a comida.

Mas existem também crenças sobre quem consome os alimentos: estereotipicamente, a carne está associada à ideia de virilidade, enquanto que a fruta e legumes estão associados a uma ideia de feminilidade. Como exemplo de que este efeito é praticamente universal, um estudo conduzido no Japão mostrou que as pessoas associam nomes femininos a sobremesas, fruta e saladas, e, pelo contrário, associam nomes masculinos a pratos de carne. De acordo com o Inquérito Nacional de Saúde (INE/INSA, 2016), em Portugal, de facto, são as mulheres quem mais consome legumes e saladas (61% das mulheres referem consumir frequentemente estes alimentos/refeições, comparativamente com 49% dos homens que referem o mesmo comportamento). Continuar a ler

O Brasil do coronavírus e as mortes que se poderiam evitar

Por José Gomes Ferreira

Quando em 11 de março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o estado de pandemia do coronavírus (COVID-19), o Brasil despertou rapidamente para a ameaça mundial e colocou em prática diversas medidas. Foi dada atenção especial aos grupos de risco, com a recomendação de isolamento social de pessoas com mais de 60 anos ou com doenças crónicas, que deveriam passar a adotar o regime de teletrabalho e, consequentemente, deixar de frequentar locais públicos ou de aglomeração de pessoas, a fim de reduzir o risco de contágio. Na sexta-feira, dia 20, foi aprovado o Projeto de Decreto Legislativo nº88, de 2020, que reconhece o estado de calamidade pública no Brasil motivado pela COVID-1.9. Continuar a ler

Governação Ambiental: O que é que os não-humanos fariam?

Por João Afonso Baptista

A certa altura, Thomas e o departamento onde trabalha foram invadidos por muitas tarefas administrativas. Essas tarefas trouxeram desafios distintos e exigiam muito trabalho. A desorientação, o cansaço e o terror da improdutividade instalaram-se na sua equipa. Thomas e os seus colegas tinham de fazer alguma coisa para resistir a tamanha sobrecarga administrativa. Empregar mais pessoas? Contratar terceiros? Renunciar às suas novas responsabilidades administrativas? Em vez disso, Thomas aproveitou o momento difícil em que vivia para repensar a forma de trabalhar da sua equipa, e decidiu implementar uma nova forma de organização no departamento. Implicaria as mesmas pessoas, mas as atividades e os processos de tomada de decisão iriam mudar radicalmente. Para tal, Thomas adotou e pôs em prática a forma como se governa noutros locais e por outros seres. Ele adotou e pôs em prática a forma de governar das abelhas nas colmeias. Numa palestra que deu em 2011, Thomas D. Seeley revelou qual a questão que passou a surgir com mais frequência no Departamento de Neurobiologia e Comportamento da Universidade Cornell, onde trabalha, sempre que têm de resolver problemas administrativos: “O que é que as abelhas fariam?” Continuar a ler