Os veículos elétricos de baixa velocidade estão a influenciar a urbanização de alta velocidade na China

Por Dennis Zuev

Enquanto por todo o mundo os países tentam limitar o aumento da temperatura da Terra, a China fez da transição para o transporte de baixas emissões de carbono uma prioridade. Como parte do esforço para desenvolver veículos de baixas emissões (low-carbon), os fabricantes nacionais de automóveis elétricos beneficiaram de um apoio significativo por parte do governo chinês. As suas vendas, no entanto, têm sido prejudicadas por um concorrente de reduzida dimensão: o veículo elétrico de baixa velocidade (disuche).

Apesar do nome, os veículos elétricos de baixa velocidade (LSEV) não são assim tão lentos. Com uma velocidade máxima de 60 km/h, eles são suficientemente rápidos para se deslocarem em cidades grandes e fortemente congestionadas, podendo mesmo atingir 100 km/h se forem alvo de uma “intervenção manual”. A maioria dos modelos é compacta, assemelhando-se a veículos utilitários de três rodas ou a buggies de golfe – uma solução prática para a falta de espaço de estacionamento que se tornou um problema significativo à medida que cada vez mais pessoas conduzem na China.

Continuar a ler

Anúncios

A última oportunidade para os biocombustíveis no Brasil

Por Luiz Carlos Lourenço

De acordo com Guy-Peters, o caminho entre as promessas políticas e as suas efetivas realizações passa necessariamente pela escolha entre dois tipos de agendas onde a demanda específica do interesse público será processada: a agenda sistemática, organizada, objetiva e não necessariamente consensuada, com resultados semelhantes a uma bacia fluvial interconectada; ou, a agenda institucional, a qual destina-se a conter conflitos ou manter apoios, destinada a acompanhar a “marcha das coisas”, com intensidade passageira, cujos pontos críticos serão alvejados apenas quando forem extremos.

etanol fabrica
Primeira fábrica de etanol 2G do Brasil. Fonte: Wikipedia

Em estudo comparado de 2012 sobre os protagonistas mundiais de etanol, concluí que, enquanto nos EUA havia uma política de Estado a título de recuperação económica e auto-suficiência energética (com volumoso apoio à investigação científica e tecnológica, extensivos ao carvão e gás de xisto), no Brasil esteve em curso apenas a prorrogação contínua de uma política setorial de exportação de etanol. Percebiam-se dimensões diversas. No Brasil, o foco era um só tipo de biocombustível; nos EUA, visava-se atender a todas as fontes de energias renováveis. Continuar a ler

Capitalismo Puro

Autor: Ana Horta

“Há uns vinte anos fomos forçados a aderir ao capitalismo; agora compreendemo-lo.” É assim que o investimento em energias renováveis é sentido numa pequena comunidade da antiga República Democrática Alemã. Esta comunidade, considerada exemplar no envolvimento comunitário na produção de energia renovável, assegurou 35% do total da eletricidade consumida pela povoação em 2014 e, em 2050, pretende tornar-se autossuficiente em termos de produção de eletricidade através de fontes renováveis.

Figura 1 – A escola, o pavilhão desportivo e outros edifícios são aquecidos por um sistema comunitário que não emite CO2.
Horta1.png
Fotografia da autora

Zschadraß (em Colditz, no estado da Saxónia) tem sido referida como uma comunidade modelo em que a população é coproprietária dos investimentos feitos em energias renováveis. Através de uma fundação e de uma associação formadas por habitantes locais, a comunidade tem investido em projetos de energia renovável que incluem aerogeradores de energia eólica (em que 20% é propriedade da comunidade, pertencendo o restante a um investidor privado local), painéis fotovoltaicos nos edifícios públicos e um sistema de biomassa instalado numa quinta, entre outros. Com o lucro obtido através da venda da eletricidade à rede são financiados programas comunitários de apoio às crianças que têm proporcionado, por exemplo, refeições escolares gratuitas para crianças de famílias com baixos rendimentos, campos de férias e serviços de transporte. O jardim infantil também é apoiado e quando o empréstimo bancário realizado para financiar os aerogeradores estiver pago pretende-se que o lucro seja usado para permitir que o jardim infantil seja gratuito para todas as crianças da povoação.
Continuar a ler

Mudanças nas práticas dos consumidores: como as baterias dos telemóveis podem contribuir para a eficiência energética

Autora: Ana Horta

Se tem um smartphone já deve ter reparado na rapidez com que o pequeno aparelho fica sem bateria. Por isso há quem ande sempre com o carregador ou tenha comprado uma bateria de reserva ou power bank. Mas também há quem esteja a desenvolver uma nova prática: gerir o telemóvel de modo a evitar gastar energia desnecessariamente e assim prolongar a duração da bateria.

Uma investigação realizada recentemente mostra que gerir a energia do telemóvel é uma nova prática de muitos adolescentes. Sendo o grupo etário que mais utiliza o telemóvel e tendo geralmente grande facilidade em utilizar tecnologias eletrónicas, parte dos adolescentes está a adquirir um hábito que consiste em usar energia com mais eficiência. Este know-how poderá ser aplicado noutros domínios da sua vida quotidiana, com benefícios tanto a nível económico como ambiental. Dada a necessidade urgente de tornar sustentáveis as sociedades contemporâneas, o desenvolvimento desta prática é muito interessante do ponto de vista da mudança de comportamentos no sentido de um consumo de energia mais sustentável. Esta investigação mostra o processo de adoção desta prática, contribuindo para compreender como se processam algumas mudanças nos comportamentos relacionados com o consumo de energia.

Continuar a ler