“Não é maravilhoso ver as pessoas a viver como querem?!”

Autora: Susana Boletas

A Cova da Moura é um bairro periférico de Lisboa, um dos maiores de concentração de população imigrante. É um espaço autoconstruído e multiétnico, com um forte e interventivo tecido associativo.

10387617_499828923453363_6641458407111906138_n.jpgFonte: Página do Sabura no Facebook (autor desconhecido)

O Sabura é um projeto de uma associação local, o Moinho da Juventude, ativo desde 2004, que visa proporcionar aos interessados passeios turísticos e visitas guiadas à Cova da Moura. Os visitantes, geralmente grupos de estudantes portugueses e estrangeiros e pessoas interessadas neste tipo de turismo temático, são guiados pelas várias instalações do Moinho da Juventude, onde lhes são descrito os vários serviços que a associação tem disponíveis: creche, jardim-de-infância, atividades de tempos livres e apoio escolar, alfabetização de adultos, cantina social, gabinete de inserção social, biblioteca e um estúdio de gravação onde os jovens do bairro têm a oportunidade de mostrar aos visitantes as suas músicas e vídeos. Pelas ruas sinuosas da Cova da Moura, o guia vai contando aos visitantes como os moradores construíram eles próprios as suas casas, enquanto vão passando pelos vários restaurantes, cabeleireiros e mercearias existentes no bairro associados ao Sabura e pelos street art murals da autoria de jovens do bairro. As festas são, também, ocasiões que atraem visitantes à Cova da Moura, em especial o Kola San Jon, uma festa junina cabo-verdiana recriada no bairro e patrimonializada em 2013. Os visitantes trazem dinheiro ao bairro e levam consigo narrativas que contrariam o estigma a ele associado.

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A Aldeia Lunar: “Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade”

Autoras: Mónica Truninger e Vera Assis Fernandes

(english version)

E se um dia houvesse uma base permanente na Lua? Em vez dos ‘pequenos passos’ de Neil Armstrong e dos outros 11 astronautas das missões da Apólo que pisaram a Lua nos anos 60 e 70 do século passado, teríamos vários passos na construção e no uso de uma Aldeia Lunar (Moon Village) – diríamos um ‘salto gigantesco’ para a humanidade… E será?

Imagem2.pngFonte: Nascer da Terra, Apollo 8, NASA.

Esta Aldeia Lunar seria composta por infraestruturas, edifícios, habitações e hotéis, veículos e, quem sabe, explorações agrícolas para produção alimentar, cadeias de supermercados, cafés, pastelarias e até bares construídos sobre o regolito lunar ou dentro de tubos de lava, com a ajuda de impressoras 3D, robots e cyborgs. Se esta imagem caricatural parece retirada de um livro de ficção científica espacial, dos trabalhos de Andrei Sokolov e de Pavel Klushantsev, entre outros, sobre cidades soviéticas na Lua, ou da série televisiva Espaço 1999, na cabeça de muitos cientistas planetários, de responsáveis dos países ou regiões envolvidos na ‘velha’ e na ‘nova’ corrida ao espaço (EUA, Rússia, China, Japão, Índia, Europa, Canadá) e de empresários ‘lunáticos’ que apostam no próximo grande investimento – o turismo espacial –, a construção de uma Aldeia Lunar está a passar de um sonho a um projecto concreto que envolve milhares de milhões de euros. Continuar a ler

Estados-nação muralhados: presentes insustentáveis, futuros indesejados

Autor: João Ferrão

Em 2015, a construção de barreiras físicas nas fronteiras nacionais alcançou um lugar de grande destaque nas agendas política e mediática. Donald Trump, por exemplo, candidato às primárias do Partido Republicano dos EUA, defendeu a edificação de um muro de mais de 3.000 km ao longo de toda a fronteira com o México. Ao mesmo tempo sete países europeus, sobretudo do Leste mas também o Reino Unido e a Áustria, anunciaram ou iniciaram a construção de barreiras em alguns troços das suas fronteiras como forma de impedir a entrada de refugiados provenientes sobretudo do Médio Oriente.

Esta não é, no entanto, uma tendência recente: desde 2000 que o total de quilómetros de fronteiras nacionais protegidas por barreiras físicas não para de crescer.

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