Fishing in the Anthropocene

By: Joana Sá Couto

Humanity’s impact on planet Earth is undeniable. Despite the creation of a Geological Era called Anthropocene still being a controversial subject among scientists, the term has been used to discuss a period of time when human action becomes an inevitable subject to think about the terrestrial system, or even as written by Crutzen: humans as a great force of nature. But make no mistake. The Anthropocene does not mean the end of nature, but rather a possible turning point: more than ever we realize that humans are part of Nature and our life depends on a harmonious relationship between us and the life around us – we can enjoy the Anthropocene to reflect on this relationship and redefine it.

The concept of Anthropocene has, in fact, led to an ever-greater reflection on the question of the sustainability of everything: we humans are part of Nature and we have to preserve it, even though the political economic model in which we live formats us to search for profit and economic growth, which, even though contradictory, continues to be parallel to the sustainability agenda. Thus, depending on the perspectives and reflection of each author, as well as on their focus, others concepts derived from the notion of Anthropocene have arised, such as Capitalocene, Plantationocene, Carbocene, Manthropocene.

One of these others is Plasticene. Plastic is a synthetic material that has become a landmark of the Anthropocene, due to its distribution in marine and terrestrial environments, becoming a distinctive stratal component. The impact of plastics is varied, and has been increasingly analyzed. However, it is in the marine environment that its presence has been given more attention, as it appears on beaches, in the stomachs of fish and in fishing nets.

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E, de súbito, o mundo mudou? Avanços da Covid-19, retrocessos da sustentabilidade

Por João Guerra

Pouco depois do coronavírus ter emergido no panorama mundial e ocupado um lugar imperativo na imprensa, nos fora de decisão política e na vida quotidiana, as anteriores preocupações sociais perderam fôlego, tal a proeminência alcançada pela nova ameaça. Para isso contou a descomunal extensão das suas consequências, de que não há memória recente quer na saúde pública, quer na economia, quer nas comunidades. Cada vez mais pronunciados, os efeitos múltiplos e multiplicadores da pandemia fazem adivinhar, já a curto e médio prazos, convulsões sociais e crises políticas não menos inquietantes.

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Água, Alimento e Energia: vértices em risco no Brasil

Por Luiz Carlos de Brito Lourenço

No âmbito do “Seminário Internacional sobre Ambiente e Sociedade: Desafios atuais e trajetórias de mudança”, realizado nos dias 2 e 3 de Março no ICS da Universidade de Lisboa, quis a organização da Associação Portuguesa de Sociologia abrir espaço para um painel sobre a “Governança dos Recursos Hídricos no Contexto Brasileiro”. As comunicações selecionadas partiram de três projetos de investigação de doutoramento ainda em andamento. Foram seguidas de uma síntese deste autor sobre os riscos que pairam sobre Água, Alimento e Energia, três vértices que conformam um espaço de análise de eventos que formam faces interligadas, inacabadas num infinito “poliedro de inteligibilidade” de Michel Foucault. (“Mesa redonda de 20 de Maio de 1978” in “Estratégia, Poder-Saber”, Forense, 2a ed., 2006, pág. 340) .

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YOON [caminho]

Por Pedro Figueiredo Neto

YOON | jɒn |, que em idioma wolof pode significar estrada, caminho ou percurso, é um projecto de longa metragem documental, contando também com uma  componente de investigação e  projecto artístico.

Rodado entre Portugal e o Senegal, atravessando Marrocos e a Mauritânia, YOON lança um olhar sobre determinadas mobilidades e actividades económicas entre Norte e Sul, e que envolvem não só bens e pessoas, mas também informações e ideias. Tudo isto é revelado através dos percursos de Mbaye S., um routier (denominação usada para referir os indivíduos que conduzem carros usados com fins comerciais) que, a cada mês, percorre os mais de 4000 Km de estrada que separam os dois lugares a que chama casa. Continuar a ler