As if U and sustainability mattered: U-you, U-niversity, U-theory, U-topia

By Olivia Bina

U for you

When was the last time you sat with two strangers and told them the story of your life, in three minutes?

Mine was eight weeks ago. It is harder than you think. And not just because of the embarrassment factor, but because one too rarely thinks of one’s whole life, let alone presenting it in three minutes. But it does achieve something precious: it tears down silos. Silos of me and you, of all those ideas of what makes us different, of what divides us, of the ‘what I do’ identities. It leaves you with something simpler, something about a shared humanity and a sense of what probably does matter and what probably does not (at least not that much).

U for University

It is from within this space that thirty-two people from fifteen countries began a journey to explore ‘The Future Of Universities, as if Sustainability Mattered’: a training programme centred around the question of how universities can be a positive force for transformation and change towards a more sustainable future.

The key words here being ‘future’ and ‘sustainability’, since both inevitably require a normative exploration engaging with ‘evaluative claims about what is good’. And to add to the discomfort that at least some of us are already feeling with ‘being normative’, let me introduce the killer application: during a whole week, we were asked to use bodies (the ones in the room), emotions and, yes, minds. That was meant to take care of the centuries-long arguments around separation between thought and feeling.

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The challenges of regulatory science: the case of chemicals

By Susana Fonseca

In the last decades, there have been regular alerts on the risks that different chemical substances found in day-to-day life products – textiles, toys, cosmetics, food, electronic equipment, inks, etc. – pose for human health, particularly when vulnerable groups – among them children and women in childbearing age – are considered.

The research community has been a central intervenient in this debate. In fact, at the scientific level, research conducted on the interaction between some chemical substances and human health started, in a more systematic way, more than a century ago, even if regulatory effects resulting from that work can only be identified in more recent decades. But this is an area of strong controversy, where the strength of evidence necessary to act by anticipation by applying the precautionary principle has been everything but consensual.

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“Ambiente, Território e Sociedade. Novas Agendas de Investigação”: um final feliz

Por Ana Horta

O mundo académico é terrivelmente competitivo. Mas quando há cooperação os resultados surgem mais depressa – e com vantagens para todos. O livro Ambiente, Território e Sociedade. Novas Agendas de Investigação, agora disponível ao público gratuitamente em pdf e com a reimpressão de mais exemplares em preparação, é um bom exemplo das vantagens da cooperação no mundo académico.

Foi numa reunião mensal do grupo de investigação Ambiente, Território e Sociedade que a ideia do livro surgiu. O grupo tinha recebido do Instituto de Ciências Sociais um fundo de mil euros para utilizar até ao final do ano de 2015. Ao discutir qual seria a melhor forma de o fazer, procurou-se encontrar uma em que todos os membros do grupo pudessem beneficiar e do modo mais equitativo possível. Por unanimidade optou-se por uma publicação que correspondesse aos objetivos do grupo de investigação, enquadrados no programa estratégico do ICS, e em que cada membro escrevesse um texto. O maior desafio era o prazo: as despesas do livro teriam de ser pagas até ao final do ano. E estávamos a 1 de julho.

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“Inclusão”, liminaridade e precariedade científica (II)

Por Paulo Granjo

(Continuação do post publicado a 4 de Outubro)

Verifiquemos, então, em que medida esta proposta teórica poderá ser útil para compreender um processo de inclusão em curso e a negociação social nele envolvida: a regularização da precarização científica estrutural.

3 . Quando o precariado científico “não existia”

Tendo em conta o contraste entre essa situação e a atual, deveremos começar por focar a atenção no tempo recente, há menos de 2 anos, em que o precariado científico «não existia».

Claro que existia precariedade científica, abrangendo aliás 70% d@s investigadores trabalhando no país, sob 6 diferentes situações de vinculação laboral, concretizadas através de bolsas e de contratos a termo certo ou incerto. Contudo, para utilizar uma expressão clássica na análise de classes, constituíam um grupo “em si” (pela sua situação objetiva), mas não um grupo “para si” (segundo a sua perceção subjetiva).

Esse quadro resultava em grande medida de uma atomização, quer das condições de trabalho, quer das representações que lhes estavam associadas.

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“Inclusão”, liminaridade e precariedade científica (I)

Por Paulo Granjo

1. Inclusão: uma falsa ideia clara

“Inclusão” tornou-se uma palavra-fetiche, omnipresente quer no discurso político vago e bem-intencionado, quer nos cadernos de encargos para o financiamento de pesquisas sociais.

Como qualquer palavra que utilizemos, pretendendo que seja mais do que um som, está associada a noções e ideias, por vezes muito variáveis. Contudo, na sua utilização predominante nos contextos que referi, constitui por um lado uma “falsa ideia clara” (para utilizar uma expressão cara a Mário Murteira) e, por outro, um traiçoeiro simplismo.

Quando ouvimos “inclusão”, de imediato pensamos “exclusão”. Com isso, tendemos a aperceber ambas as palavras e ideias como um par opositivo, delimitado de forma evidente e com uma carga positiva ou negativa, consoante o prefixo; mas não é, de todo, esse o caso.

Ao estabelecermos essa oposição (fig. 1), não estamos, antes de mais, a constatar uma evidência empírica. Estamos a enfatizar de forma arbitrária – mas de acordo com critérios valorativos, normalmente dominantes – um conjunto, entre muitos possíveis, de critérios ou características que permitam afirmar a semelhança ou a partilha de posse entre quem é “incluído”, ao mesmo tempo que enfatizamos um outro conjunto de características ou critérios de diferenciação ou despossessão, que permitam contrastar esse grupo com o dos “excluídos”. É só em função dessa arbitrariedade negociada que a fronteira entre “dentro” e “fora” (e entre quem está de um e de outro lado) é afirmada e assume um simulacro de evidência.

Fig. 1 – Construção de fronteiras de inclusão/exclusão (P. Granjo)

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O futuro da Universidade: precisamos de uma mudança?

Por Lavínia Pereira e Olivia Bina

“Não se pode conceber a educação sem o pensamento de um futuro.” É Clément Rosset quem o diz numa entrevista concedida a Anita Kechichian publicada em 1985 no Le Monde de l’Éducation. Historicamente, a Universidade e a função educativa têm na Modernidade o seu momento alto: o projecto iluminista entende o conhecimento como fonte de emancipação do ser humano, finalidade associada a uma ideia redentora de futuro.

Como podemos conceber o projecto educativo no momento posterior àquele em que o ideal da Modernidade foi conduzido ao seu limite por auto-refutação? Um momento em que o risco e a incerteza alteraram a experiência humana do tempo: o futuro vem agora ao nosso encontro, interrogando-nos, interrompendo permanentemente o fluir do tempo presente? [1]

Três notícias recentemente vindas a público são ilustrativas do alcance da acção do ser humano sobre o equilíbrio do planeta: a destruição do mar de Aral; a separação de mais um enorme icebergue na Antártida Ocidental; e a sexta extinção de espécies em massa descrita pelos cientistas como ‘aniquilação biológica’. Tornámo-nos uma ‘força da natureza’ que introduziu uma alteração irreversível no equilíbrio planetário.

Por outro lado, a diferença entre os mais ricos e os mais pobres é maior que nunca. De acordo com o relatório Oxfam de Janeiro de 2017, o nível de desigualdade social ultrapassa as nossas piores expectativas. Continuar a ler

Navegar a tensão entre ciência e movimentos sociais: notas a partir da soberania alimentar

Por Rita Calvário

A cada dois anos realiza-se o Colóquio sobre Estudos Agrários Críticos. Este encontro junta investigadore/as que trabalham, numa perspetiva crítica e socialmente comprometida, temas ligados à agricultura, mundo rural e alimentação com ativistas e movimentos sociais. O objetivo é proporcionar um espaço de debate que promova a reflexão crítica e a coprodução de conhecimento e contribua para avançar as lutas por um sistema agroalimentar global mais equitativo, democrático e ecológico. Este é também um espaço onde muitas das tensões que ocorrem na relação entre academia e movimentos sociais se tornam visíveis, mesmo que nem sempre de forma explícita.

elikidura
Foto de sessão plenária do Colóquio. Fonte: Elikadura21

Este ano foi o País Basco a acolher a organização do Colóquio n.º 7 (24 a 26 de Abril), aproveitando o facto de ser aqui que se vai realizar a VII Conferência Internacional da Via Campesina, de 15 a 24 de Julho de 2017. Continuar a ler