Uma transição para dietas com menor consumo de carne e baseadas em alimentos de origem vegetal é importante para responder a desafios globais de sustentabilidade e saúde na alimentação. Descubra aqui a pegada ecológica dos alimentos, conheça o seu potencial de mudança e saiba como pode agir!
SafeConsume – um olhar sociológico sobre a segurança alimentar
Por Luís Junqueira, Alexandre Silva, Mónica Truninger
O SafeConsume é um projeto internacional, financiado pela União Europeia através do programa Horizon 2020 (grant agreement Nº 727580), que junta 32 parceiros de 14 países. O seu objetivo é conhecer as práticas de segurança alimentar em contexto doméstico e procurar soluções para reduzir os surtos de toxinfecção na Europa, concentrando-se nos cinco principais agentes patogénicos de origem alimentar: Campylobacter jejuni; Toxoplasma gondii; Salmonella enterica; Norovirus; Listeria monocytogenes. Ainda que o seu impacto seja pouco discutido, estima-se que estes e outros micróbios transmitidos pelos alimentos que ingerimos sejam responsáveis por 23 milhões de casos de doença e 5000 mortes por ano em toda a Europa. Continuar a ler
Ajuda alimentar em Portugal: as crises que enaltecem o papel das iniciativas
Por Fábio Rafael Augusto
Ajuda, apoio ou assistência alimentar remete para um conjunto de serviços que visam garantir o acesso a bens alimentares a pessoas que se encontram socialmente vulneráveis. Geralmente, este tipo de apoio é proporcionado por iniciativas que advêm da sociedade civil e envolve a doação de alimentos. Em alguns casos, estas respostas articulam-se com sistemas de recolha e redistribuição de excedentes alimentares que não estão inseridos nos habituais processos de comercialização.
A análise desta realidade no contexto nacional representa a força motriz da minha tese de doutoramento, bem como do motivo que me conduziu à escrita deste post. Compreender as dinâmicas relacionais e organizacionais que se estabelecem nos principais modelos de ajuda alimentar que atuam em Portugal representa o principal objetivo do projeto de doutoramento iniciado em 2016. Conhecer o modus operandi das iniciativas, bem como as suas fragilidades e potencialidades, permitirá lançar algumas pistas para o extenso debate, dentro e fora da academia, acerca do papel social destas respostas. Continuar a ler
Substâncias químicas em produtos – propostas de ação política e na área da saúde
Por Susana Fonseca
Entre junho de 2016 e maio de 2019 desenvolvi a minha investigação de pós-doutoramento sobre o tema das substâncias químicas em produtos do quotidiano(brinquedos, roupas, cosméticos, produtos de limpeza, equipamento elétrico e eletrónico, alimentos, etc.). Durante este período, o objetivo foi sempre o de analisar se a controvérsia científica sobre o impacto de substâncias químicas em produtos do quotidiano (alimentação, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza, e brinquedos) é reconhecida e integrada pelos profissionais de saúde (comunidade médica e de enfermagem) que acompanham e apresentam recomendações às mães; e de que forma, seja pelo aconselhamento médico, seja por outras fontes, influencia os pais nas suas práticas quotidianas e opções de consumo relacionadas com o cuidar dos filhos. Continuar a ler
Serviços de Ecossistemas e Bem-Estar: a participação do ICS no projeto Riveal
Por Joana Sá Couto, Luísa Schmidt e Ana Delicado
O Projeto RIVEAL – Valores e Serviços dos Ecossistemas Fluviais e das Florestas Ripárias em Paisagens Fluviais Alteradas e Futuros Climáticos Incertos – tem como objetivo compreender, mapear e quantificar os serviços de ecossistemas dos rios e das florestas ripárias, em zonas a montante e a jusante de barragens, especificamente nos casos do Rio Lima (Barragem de Touvedo) e do Rio Alva (Barragem de Fronhas). Para tal, uma equipa multidisciplinar de diversas instituições – Universidade de Coimbra, Universidade de Aveiro, Instituto Superior de Agronomia e o Instituto de Ciências Sociais, ambos da Universidade de Lisboa – tem como objectivo efectuar uma análise holística dos serviços de ecossistema de paisagens ribeirinhas alteradas por barragens. Continuar a ler
Peixe não Puxa Carroça
Por Lúcia Campos
“Peixe não puxa carroça”. “Galinha gorda não precisa de tempero”. Todos nós conhecemos estas e outras expressões populares, que espelham as ideias pré-concebidas que existem sobre a comida.
Mas existem também crenças sobre quem consome os alimentos: estereotipicamente, a carne está associada à ideia de virilidade, enquanto que a fruta e legumes estão associados a uma ideia de feminilidade. Como exemplo de que este efeito é praticamente universal, um estudo conduzido no Japão mostrou que as pessoas associam nomes femininos a sobremesas, fruta e saladas, e, pelo contrário, associam nomes masculinos a pratos de carne. De acordo com o Inquérito Nacional de Saúde (INE/INSA, 2016), em Portugal, de facto, são as mulheres quem mais consome legumes e saladas (61% das mulheres referem consumir frequentemente estes alimentos/refeições, comparativamente com 49% dos homens que referem o mesmo comportamento). Continuar a ler
Catástrofes naturais, alterações climáticas e seguros
Por António Sobrinho
As catástrofes que ocorreram ao longo do ano de 2019 provocaram perdas económicas da ordem de 146.000 milhões de USD, a nível mundial. Desse montante, 137.000 milhões correspondem a danos causados por catástrofes naturais, de acordo com a SWISS RE. No mesmo período, os desastres resultantes de intervenção humana representaram apenas cerca de 6,2% do total, cifrando-se em 9.000 milhões de USD. Do conjunto das perdas globais, apenas 60.000 milhões de USD estavam cobertos por seguros, correspondendo aproximadamente a 41,1% do seu valor. Isto permite identificar uma considerável lacuna de protecção (protection gap) – ou seja, a quota-parte das perdas económicas globais não cobertas por seguros – de 58,9%. Continuar a ler
Perspetivas Rurais sobre o Futuro dos Sistemas Alimentares
Por Kaya Schwemmlein
Um estudo recente da Rede Global Contra Crises Alimentares refere que quase 135 milhões de pessoas em 55 países ou territórios viviam “em crise ou pior” em 2019. As condições meteorológicas extremas e a pandemia de Covid-19 estão entre os principais fatores da insegurança alimentar global em 2020, piorando o estado de crise, risco e conflito.
Os indivíduos economicamente mais vulneráveis e suscetíveis à situação de insegurança alimentar são, na sua maioria, habitantes de zonas rurais que dependem da remuneração da produção agrícola e, neste contexto, a pandemia global de Covid-19, não só veio expor várias fragilidades do sistema social, político e económico vigente, mas também sublinhou diversas desigualdades e injustiças estruturais sofridas por indivíduos que vivem e trabalham no campo. Veja-se por exemplo que, devido à pandemia, os pequenos produtores deixaram de ter acesso a mercados de venda direta, para muitos a única fonte de rendimento; ou o caso dos trabalhadores rurais migrantes, que acusam a exploração e indiferença face à sua situação, bem como a salvaguarda dos seus direitos fundamentais. Continuar a ler
Negação e saúde mental: da urgência de um plano de intervenção em tempos de pandemia
Por Roberto Falanga
Impreparação?
Há pouco menos de três meses o mundo como o conhecíamos mudou. A Organização Mundial da Saúde declarou a pandemia da SARS-CoV-2 a 11 de março 2020 e, em seguida, muitos governos centrais declararam medidas de contenção que passaram, em muitos casos, por um longo período de isolamento profilático seguido, como no caso de Portugal, por medidas de desconfinamento gradual e regulado. Há, porém, segundo confirmam virologistas, e conforme o anúncio feito pelo diretor da Organização Mundial da Saúde na Europa Hans Kluge, a elevada probabilidade de este coronavírus ter chegado para ficar. Ou ainda a eventualidade de este ser o primeiro de outros vírus que resultam da ação do ser humano nos ecossistemas naturais, incluindo através da aceleração da produção industrial, da agricultura intensiva, e da desflorestação em massa. Continuar a ler
O Pirarucu: o Rei dos Rios Amazónicos
Por Fronika de Wit
Este post é sobre um peixe. Mas não sobre qualquer peixe. Como nesta época de Covid-19 é difícil viajar, vou levar-vos numa viagem até à Amazónia, o habitat do maior peixe de escamas do mundo: o Pirarucu. Durante o meu trabalho de campo em Ucayali-Peru descobri a importância deste peixe. O pirarucu – ou “el paiche” como é conhecido na língua espanhola – é muito mais do que um mero peixe; é um componente vital da política de baixo carbono e do combate às alterações climáticas. Neste post, relato o que aprendi sobre o pirarucu e faço uma análise crítica do potencial e da ameaça do seu comércio para o desenvolvimento justo da região amazónica. Continuar a ler