O princípio da suficiência

Autora: Susana Fonseca

There are two ways to have enough. One is to accumulate more and more. The other is to desire less.”

O uso de citações para ilustrar o nosso posicionamento em termos de valores tende a ser relativamente comum, desde as assinaturas nos emails até teses, relatórios, redes sociais ou outros meios que possamos usar para nos expressarmos.

Nunca tendo sido fã desta abordagem, alterei um pouco a minha perspetiva ao encontrar a citação de G. K. Chesterton com que dei início a este post, datada do início do século XX, que resume, em poucas palavras, aquele que me parece ser o dilema central do momento presente da história da humanidade.

Neste blogue, foram  vários os posts que chamaram a atenção para os desafios que a humanidade enfrenta e como as respostas que forem dadas podem conduzir, ou evitar, a extinção da própria espécie humana. O planeta, enquanto estrutura geológica, não está em perigo, mas as condições para suster a vida sim.
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O papel da sociedade civil no combate à insegurança alimentar: deambulações futurísticas

Autor: Fábio Augusto

Pensar o problema da insegurança alimentar conduz, geralmente, a uma discussão que visa responder à questão: que caminho é necessário seguir para combater de forma eficaz o fenómeno? Tratando-se de um fenómeno complexo e multifacetado, a resposta acarreta uma multidimensionalidade que apenas permite traçar algumas linhas orientadoras.

Uma dessas linhas prende-se com a necessidade de concertar esforços entre o Estado e a sociedade civil, sendo que a “gestão” desta relação poderá implicar diferentes estratégias consoante o contexto sociocultural. Continuar a ler

Economia Circular em destaque: apoio da União Europeia e foco no consumo

Autora: Carolina Souza

A insustentabilidade do modelo econômico linear (aqui incluídos produção e consumo) é um tópico debatido há certo tempo tanto no ambiente acadêmico quanto no mercado, entretanto ainda não se chegou a um consenso sobre saídas e mudanças viáveis para suplantar a tríade pegar- usar- descartar, base do atual modelo econômico.

O modelo linear depende de grandes quantidades de energia e de matérias-primas baratas e de fácil acesso. O uso desenfreado dessas fontes naturais e finitas, combinado com uma cultura de descarte de uma população que cresce exponencialmente, esgotou as capacidades do planeta de se autogerir, tamanho o poder da ação do homem sobre ele.

Uma das soluções debatidas para acabar com o contínuo uso e desperdício dos recursos naturais seria a economia circular. Nesse sistema as matérias-primas, produtos e recursos mantêm-se em uso o máximo de tempo, não havendo produção de resíduos já que os componentes são utilizados em diversas etapas de diferentes cadeias produtivas, buscando evitar o descarte absoluto. Continuar a ler

John Urry (1946-2016)

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A sociologia está de luto. No dia 18 de março de 2016 morreu John Urry. Decano da Universidade de Lancaster, foi um dos mais influentes sociólogos britânicos das últimas décadas do século XX e do início do século XXI. A par de Anthony Giddens e de outros autores muito associados à revista Theory, Culture and Society, moldou indelevelmente o pensamento sobre as sociedades da “modernidade radicalizada”. É um autor particularmente importante para a sociologia do ambiente, mas também do espaço e da mobilidade, e mesmo para a geografia.

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“Not in planning’s name”? Lessons from Israel/Palestine

Autor: Marco Allegra

Last year an International Advisory Board (IAB) chaired by Cliff Hague (former president of the Royal Town Planning Institute, RTPI) and working under the auspices of the UN-Habitat, produced a report on planning conditions for Palestinian communities in the so-called “Area C” of the West Bank. The report detailed the asymmetries of planning policies in Israel/Palestine, and highlighted how planning arguments are often used by Israeli authorities to curtail Palestinian development. The publication of the report has stimulated a debate in the planning community: the findings of the report were endorsed by eighteen former presidents of the RTPI in a letter to the Institute’s official magazine, The Planner. Hague himself recently published a commentary in the journal Planning Theory and Practice. Reflecting on his experience, he noted how in the West Bank “‘good planning’ is the rationale for oppressing poor people”, and asked professional bodies to take a stand against oppressive practices in Area C by declaring “not in planning’s name”. Continuar a ler

Antropoceno: o derradeiro axioma escatológico?

Autor: João Mourato

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Fonte: Image: ‘Habitus’ (2013) Edge Hill University, Ormskirk, Lancashire, by Robyn Woolston.

No século I A.D., num lugar remoto que recentemente visitei, um meu homónimo relatou detalhadamente a visão profética e apocalíptica sobre o fim de tudo que o filho do seu Deus lhe tinha transmitido. O resultado é o que conhecemos hoje como o Livro da Revelação do Novo Testamento, pilar incontornável da escatologia cristã. A escatologia consiste na linha de pensamento filosófico / teológico que aborda os últimos eventos da história do mundo e o destino final da humanidade. Sublinhe-se, porém, que existe também um campo de reflexão escatológica de natureza secular. Em comum, ambas exploram a discussão do fim das eras, do tempo e da vida tal como os concebemos, e dos processos que os sucedem, se de facto estes existirem. Daqui emerge um profícuo universo filosófico, literário e cinematográfico que plasma um binómio narrativo entre retratos utópicos e distópicos do fim do mundo, perfeito enquadramento para o conceito que aqui iremos explorar. Continuar a ler

A crise na Área Metropolitana de Lisboa: entre austeridade nacional e respostas locais

Autor: Simone Tulumello

Passaram mais de oito anos desde que, em outono de 2007, o colapso do mercado de crédito à habitação iniciou uma reação em cadeia que iria provocar a falência do banco Lehman Brothers, a crise financeira e, finalmente, a grande recessão global. Na Europa, a recessão produziu, por sua vez, uma série de crises das dividas soberanas, que desde 2010 afetaram de maneira particularmente evidente os países do sul da Europa, incluindo Portugal, o qual teve que recorrer, em 2011, a um “programa de resgate” e a um financiamento extraordinário da “troika” composta pelo Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional.

Durante esses anos, muito foi estudado e escrito sobre as causas e os efeitos da crise nos vários países europeus, sobre as políticas anticrise adotadas – nomeadamente, políticas de austeridade a nível europeu e nacional – e sobre as dimensões políticas da crise e da austeridade. Porém, e em termos comparativos, o debate sobre a dimensão local e urbana da crise foi pouco rico. Quais as consequências da crise e das políticas de austeridade nas sociedades urbanas? Quais as respostas implementadas pelas autarquias? E quais as reações cívicas e políticas desenvolvidas à escala local?

No artigo Dinâmicas sociogeográficas e políticas na Área Metropolitana de Lisboa em tempos de crise e de austeridade (em acesso aberto), publicado por mim, João Seixas, Ana Drago e Susana Corvelo na revista Cadernos Metrópole, tentou-se responder a estas perguntas com base no estudo da Área Metropolitana de Lisboa.

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Green Growth Knowledge Platform. O que é, para que serve?

Autor: António Sobrinho

Com o propósito de divulgar e contribuir para a transição rumo a uma economia verde (equitativa, de baixo carbono, eficiente em recursos e socialmente inclusiva), quatro organismos – o Global Green Growth Institute (GGGI), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) e o Banco Mundial – decidiram criar em Janeiro de 2012 a Green Growth Knowledge Platform (GGKP).

Das quatro organizações internacionais atrás referidas, a mais recente e, eventualmente, a menos conhecida – GGGI – foi fundada em 2012 durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20. Tem como missão apoiar e promover o crescimento económico robusto, sustentável sob o ponto de vista ambiental e socialmente inclusivo nos países em desenvolvimento e nas economias emergentes. Está sedeada em Seoul, na Coreia do Sul.

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Palmas – Documentário sobre a comunidade cearence que criou a sua própria moeda

Foi apresentado, no passado dia 24 de fevereiro, no ICS-ULisboa, o filme Palmas, da realizadora Edlisa B. Peixoto.

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O filme conta a incrível história de uma comunidade cearense que transformou a situação inicial de “moradores de favela” na década de 70 e criou uma série de soluções inusitadas para resolver os seus problemas socioeconómicos, o que resultou na criação da sua própria moeda – O PALMAS – e do Primeiro Banco Comunitário do Brasil – o Banco Palmas.

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Nem no meu quintal, nem no de ninguém: a luta contra a exploração de petróleo e gás no Algarve

Autora: Ana Delicado

É comum afirmar-se que a participação cívica em Portugal é baixa. E, de facto, olhando para a subida contínua da abstenção eleitoral ou para os resultados dos inquéritos internacionais que demonstram que Portugal tem das taxas mais baixas na Europa de participação em manifestações (7%), assinatura de petições (8%) ou contacto direto com um representante político (6%) (European Social Survey, 2012), esta afirmação parece confirmar-se.

No entanto, o que uma leitura mais atenta da realidade demonstra é que, quando os problemas ambientais (ou de outra natureza) as afetam diretamente, as pessoas mobilizam-se, procuram informação e aliados, exercem pressão para ver os seus interesses e necessidades satisfeitos. Foi disso exemplo o prolongado caso da coincineração de resíduos perigosos e, agora, a mobilização contra a exploração de petróleo e gás natural no Algarve.

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