Hub Criativo do Beato: Uma infraestrutura inacabada e ativada

Por: João Felipe P. Brito

Desde o final de 2021, quando comecei a etnografar o Hub Criativo do Beato (HCB), equipamento anunciado há seis anos pelo Governo de Portugal e pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) como o mais importante para o desenvolvimento de inovação tecnológica nesta cidade, o “Sónar Lisboa” (abril de 2022) foi o evento que melhor se apropriou dos seus diferentes edifícios e ambientes. Sua organização está diretamente relacionada com os investimentos simbólicos e com as estratégias de promoção internacional que buscam reposicionar Lisboa como capital da inovação e da tecnologia. A escolha do HCB como casa do Sónar, evento de “música, criatividade e tecnologia”, expressa a sua importância nestes investimentos e estratégias, públicos e privados.

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Os micróbios e as contradições nas práticas de consumo ligadas ao risco alimentar

Por: Alexandre Silva e Mónica Truninger

Uma das dificuldades na abordagem ao tema da segurança dos alimentos, do ponto de vista das práticas dos consumidores, consiste na adequação das medidas de prevenção ao carácter multifacetado e até mesmo contraditório do consumo alimentar. Os consumidores parecem por vezes preocupar-se com o risco alimentar, outras vezes parecem não estar nada preocupados com os perigos de contaminação microbiológica dos alimentos e as doenças que pode causar.

Este problema torna-se especialmente difícil de explicar a partir de perspetivas que entendem o consumidor como uma unidade isolada, seja enquanto agente clarividente e calculista ou como uma mera máquina estímulo-resposta, incapaz de refletir e decidir sobre as suas práticas. Mas há um vasto leque de fatores que têm sido realçados no quadro da investigação sobre práticas de consumo, que ajudam a entender o consumidor ao nível meso, isto é, situando-se num emaranhado de influências quer de teor micro – as minudências da vida quotidiana como os tempos, rotinas, sincronização de agendas e espaços, – quer de teor mais macro e estrutural – tipo de comércio e produtos à venda, tipo de família, níveis de educação e escolaridade, níveis de rendimento, modas de consumo, publicidade e media.

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Co-Produção: A Inteligência Humana ao Serviço das Nossas Cidades

Por: Diogo Martins

Estamos sempre a falar em cidades mais inteligentes, com sensores, inteligência artificial, com software que irá gerir tudo ao pormenor, com tecnologia que nós, hoje, não conhecemos. Mas em que medida toda esta tecnologia traz benefícios às pessoas que habitam e frequentam as cidades? E estaremos a tirar partido da inteligência dessas pessoas para melhorar as nossas cidades?

A minha proposta é explorarmos formas de voltar às pessoas, sem deixarmos de evoluir e usar tecnologia. A co-produção é ainda pouco utilizada no nosso dia-a-dia e por isso não vemos efeitos práticos disso nas nossas cidades com a frequência que é desejável.

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PhD SHIFT Hub: balanço do último ano letivo e perspetivas para o futuro

Por: PhD SHIFTHub

Nascido das dificuldades e desafios da pandemia Covid-19, o PhD SHIFT Hub foi criado por estudantes e para estudantes no seio do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa). Em 2021, com o post PhD SHIFTHub: how adversities can be a catalyst for change, ficou clara a relevância do grupo para a comunidade ICS. Este novo post tem como objetivo refletir acerca do ano que passou, um ano em que o Hub se apresentou à restante comunidade científica, afirmando-se como dinamizador de um espaço de inovação e discussão entre pares.

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Metápolis: “nem tudo que é sólido se desmancha no ar”

Por: Mariano Macedo

Essas notas visam problematizar o conceito de Metápolis de forma a referenciar a discussão sobre o futuro das cidades. Coloco 4 questões para reflexão.

A primeira questão é relativa ao conceito de metápolis e porque esse conceito emerge como relevante no momento atual de nossa história.  À semelhança de metápolis, outros conceitos vêm se afirmando: cidade informacional, cidade pós-moderna, cidade pós-fordista e pós-metrópolis.      

Esses conceitos procuram identificar as tendências que estão marcando a transição da metrópole tradicional para a metápolis e visam apreender as suas características socioespaciais e conformação morfológica.

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Will security concerns drive a faster energy transition in Europe?

By: Jiesper Pedersen, Carla Gomes and Filipe Duarte Santos

Energy supply has always been a key security concern. Yet, over the last few months, the Russia-Ukraine war has emerged as a possible driver for a faster transition towards a more resilient and clean energy system. The global economic system is strongly reliant on massive energy consumption. Energy consumption is constantly increasing each year and correlates directly with CO2 emissions. The Paris Agreement’s key goal was to keep warming under 1,5º but has not bent the annually increasing emissions curve yet. Will Putin’s invasion make us deliver on its promise faster?

Stopping Russian gas imports altogether, following the invasion of Ukraine in late February, would have been a strong show of support to the Ukrainian people. However, economic assessments, fear of national recessions, and a firm reliance on Russian natural gas for industry and households have prevented a total halt. Thus, the EU continues to finance the Russian war machine, all the while aiding Ukraine with armoury and gaining time to increase supply from alternative sources.

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BIODIVERSIDADE 2030. NOVA AGENDA PARA A CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE EM CONTEXTO DE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS EM PORTUGAL

Por: Rosário Oliveira e João Mourato

A biodiversidade é fundamental, pois dela depende a regulação de processos essenciais à vida como a composição química da atmosfera, do solo, da água, e a capacidade de produção agrícola e florestal. A sua perda afeta inevitavelmente a espécie humana, pelo que a sua conservação é crucial também para a nossa sobrevivência.

Contudo, as estratégias de conservação internacionais, europeias e nacionais não têm sido capazes de travar e inverter a perda alarmante de biodiversidade nas últimas décadas, sendo, assim, necessário ir além das tradicionais medidas de conservação (ex. gestão de áreas protegidas, proteção de espécies ameaçadas, controlo de espécies invasoras).

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Energias renováveis, paisagens e inovação social: o projeto PEARLS

Por: Ana Delicado e Mónica Truninger

É já longa a tradição de investigação sobre questões energéticas no GI SHIFT. Da história da energia nuclear ao futuro da energia da fusão, da pobreza energética às práticas de consumo dos jovens, têm sido múltiplos os projetos envolvendo investigadores do GI. Sobre energias renováveis houve já um projeto financiado pela FCT e está agora em curso outro financiado pela Comissão Europeia. É deste último que vos vamos falar.

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Democracia Energética e Comunidades de Energia Renovável em Portugal: uma agenda de investigação

Por: Vera Ferreira

A transição energética tem assumido uma preponderância sem precedentes no debate político à escala europeia e nacional. A descentralização da produção de energia e a expansão das comunidades de energia renovável (CER) são vistas como condições necessárias para uma transição energética mais justa e democrática. A democracia energética apresenta-se, assim, como uma alternativa aos sistemas energéticos dominantes. Os protagonistas que encabeçam este movimento priorizam o controlo democrático do setor energético, atribuindo um novo significado à própria noção de energia, que passa a ser entendida como um bem público e um direito universal (e não como uma mercadoria). Em última instância, a democracia energética procura fomentar a justiça social, em detrimento da acumulação de riqueza, empoderar as comunidades, reforçando o seu papel na propriedade, controlo e gestão do setor energético, e redistribuir o poder político e económico, almejando uma democratização mais ampla da sociedade.

No caso português, a articulação entre democracia energética e CER carece de aprofundamento. Neste sentido, é necessário introduzir a democracia energética no debate académico nacional, antecipando as suas potencialidades conceptuais e analíticas no que respeita ao estudo das CER. Embora estas se encontrem nas primeiras etapas de implementação, é expectável que se venham a afirmar como atores-chave da transição energética ao longo dos próximos anos. Por conseguinte, torna-se pertinente avaliar em que medida poderão contribuir para veicular os princípios da democracia energética em Portugal.

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A Era das Omnipresenças

Por: João Baptista

É capaz de cuidar de algo que não vê? Preocupar-se com o que não consegue tocar, ainda que esteja ao seu lado? Abdicar de consumir o que gosta por aquilo que não consegue sentir? Mudar as suas rotinas em prol de algo que está para além do seu conhecimento, mas que encontra em todos os sítios onde vai?

Este é, talvez, um dos maiores desafios que a humanidade enfrenta hoje. O de acordarmos, todos os dias, junto a algo que não sentimos, não vemos, não conseguimos tocar, mas pelo qual somos responsáveis. Timothy Morton deu-lhes o nome de hiperobjetos. A ideia de hiperobjectos é genial. Mas a designação é frustrante. O prefixo “hiper-” e a palavra “objeto” desviam-nos da condição espiritual que as entidades globais a que a conjugação se refere têm. O termo “hiperobjecto” atribui-lhes um carácter explícito, tangível. Materializa essas entidades. Dá-lhes um significado mais concreto do que elas requerem. Daí preferir chamar-lhes omnipresenças. Bem-vindo à Era das Omnipresenças.

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