A regeneração urbana em territórios carenciados

Por Roberto Falanga

A caminho do Bem?

Nos últimos anos, as iniciativas de regeneração urbana têm vindo a ganhar uma relevância estratégica nas cidades que lidam com transformações, em muitos casos incomportáveis por pequenas e médias autarquias. Contudo, por regeneração podemos entender coisas diferentes. Não existindo uma interpretação única desse conceito, este post pretende esboçar algumas pistas de reflexão a partir da sua origem etimológica, passando pelo seu uso e, finalmente, por alguns exemplos de Lisboa.

De onde vem o conceito de regeneração?

A origem etimológica da palavra regeneração, do sânscrito g’ânia, remete para a ação das forças naturais chamadas a dar origem e (re)produzir o mundo e a espécie humana, bem como a sua redenção. A evolução do termo para o latim gènus confirma essa valência apologética, como testemunham as palavras “genesis”, “genitor”, “geração”. Portanto, o verbo regenerar – literalmente, voltar a gerar – assume por defeito que, após um processo de deterioração e degeneração, é necessária uma intervenção destinada à reparação e melhoria do objeto em causa. A regeneração é, portanto, um conceito normativo que define o desejável e que se funda numa ética histórica e geograficamente situada de intervenções e que é orientada por conceções e crenças partilhadas sobre o Bem (e o Mal). Continuar a ler

O Estado da Habitação, entre crise e novas políticas

Por Marco Allegra

Como sabemos, a habitação regressou à política, tanto nacional como europeia. Em Portugal, o motor deste debate foi a rápida subida dos preços do imobiliário – um tópico que se tornou incontornável nas conversas dos lisboetas (e não só) nos últimos anos.

Aliás,  nestes anos vimos também várias novidades do ponto de vista legislativo, como a Lei de Base de Habitação e sobretudo a chamada Nova Geração de Políticas de Habitação (NGPH), lançada pelo governo em 2017. A NGPH é o enfoque do dossier “O estado da habitação”, que a equipa do projeto exPERts publicou na revista CIDADES, Comunidades e Territórios. Continuar a ler

After rehousing: the Portuguese Special Rehousing Programme in the eyes of former slum-dwellers

Por Joana Catela

Based on eight months of intensive ethnographic fieldwork in two municipalities in the Lisbon Metropolitan Area, the results of this research were presented at two international conferences: “On Time: The Biennial Conference of the Finnish Anthropological Association” and “ASA19”. This research is part of project exPERts, which will have its final conference in October 2019 at ICS.

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A Remuneração dos Serviços dos Ecossistemas. Quem paga e quem recebe?

Por Rosário Oliveira

Os serviços dos ecossistemas são os benefícios diretos e indiretos que a sociedade pode obter dos ecossistemas a partir de uma correta gestão do capital natural, como a água, o solo, a biodiversidade ou a paisagem, traduzidos no bem-estar humano e numa melhor qualidade de vida.

Desde 2005 que os serviços dos ecossistemas foram classificados e avaliados pelo Millenium Ecosystem Assessment (MEA). Desde então muito se tem escrito acerca de como poderão os ecossistemas prestar à sociedade serviços de Suporte, Regulação, Provisionamento e Cultura. Em 2012 a União Europeia adotou a classificação internacional de serviços dos ecossistemas (Common International Classification of Ecosystem Services, CICES). Continuar a ler

Novos usos em redor do Património Tangível Pós-Industrial. Contributos do Projeto H2020 ROCK

Por João Carlos Martins

As cidades, e os seus territórios urbanos mais ou menos periféricos, enquanto formas territoriais do capitalismo contemporâneo, resultam da interação entre capital, representações e atores sociais. Compreender a herança cultural das urbes contemporâneas, perante um contexto global que promove o consumo e a visita, e em que estas marcas históricas são convocadas como elementos fundamentais de competição entre cidades, é também compreender a razão das suas pulsões, desvios e disfuncionalidades. Continuar a ler

Como planear uma cidade mais verde para todos?

Por Jessica Verheij

No ano de 2020, Lisboa vai ser a Capital Verde Europeia. Este prémio, criado e promovido pela Comissão Europeia, visa incentivar e apoiar cidades que estejam no ‘bom caminho’ para a sustentabilidade urbana e que possam funcionar como exemplos a seguir por outras cidades. Um dos motivos para eleger Lisboa foi, segundo a Comissão Europeia, o investimento feito (e a ser feito) para expandir a estrutura verde na cidade. Desde 2008 a Câmara Municipal de Lisboa (CML) já desenvolveu 200ha de nova estrutura verde, sendo que até 2021 estão previstos mais 400ha. Lisboa está a ficar mais verde. Mas será que é para todos? Quem tira partido destes novos espaços verdes e quem é deixado de fora? Quais são as prioridades da CML neste sentido? Foram estas as questões que me levaram a investigar as estratégias de estutura verde da CML a partir de uma perspetiva de justiça ambiental. Continuar a ler

Esperança vinda do Fim do Mundo

Por Fronika de Wit

“O Acre não existe!”

Inúmeras vezes ouvi essa piada brasileira, quando dizia que morava no Acre. Por estar situado na Amazónia, longe das grandes cidades, o Acre também é chamado “fim do mundo”. O Acre, situado na fronteira trinacional entre o Brasil, o Peru e a Bolívia, foi o último estado a ser incorporado no território brasileiro. Em 1903, com o Tratado de Petrópolis, a região do Acre foi comprada à Bolívia (a lenda diz que foi em troca de um cavalo). No entanto, somente em 1962 é que o Acre foi elevado à condição de estado brasileiro. O objetivo deste post é mostrar que o estado brasileiro mais novo existe! Além disso, é de destacar que a Amazónia é muito mais que a sua floresta e os seus recursos naturais a serem extraídos como se não tivessem fim. Para mostrar o potencial da região e dos seus habitantes e a importância dos processos de desenvolvimento local, descrevo duas iniciativas transnacionais de ação climática que nasceram no estado do Acre. Termino com um sonho para o futuro da Amazónia. Continuar a ler