A CLAN for Human-Animal Studies? Opportunities and challenges of establishing the field in Portugal – Part 1

By: Verónica Policarpo

**A versão portuguesa dos 3 posts pode ser consultada aqui.

Three sociologists meet at a conference in Athens

In September 2017, the congress of the European Sociological Association was held in legendary Athens. It was a very hot day, and as it happens to me often, my presentation was on the very last day of the conference, on the very last time slot, late in the day. Feeling all the tiredness that comes after a long week of one of these big conferences, I headed to the venue early in the morning, after a sleepless night. I had browsed the conference program several times, looking for presentations that had the word “animal”, or any other related, in the title or abstract. I had found only three. One of them was exactly on the very same panel, and the very same day, in which I was going to present my own work. Moreover, it was about a topic very dear to me: death and mourning for a companion animal.

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Second Edition of the Lisbon Early-Career Workshop in Urban Studies 2022

By: Luisa Rossini

The Urban Transitions Hub (as part of the SHIFT research group) hosted, from the 23rd to the 25th of November 2022, at ICS-ULisboa, the second edition of the Lisbon Early-Career Workshop in Urban Studies, with the support of the AESOP Young Academics Network. 16 PhD students and early-career scholars from all over Europe and abroad gathered for the opportunity to present and discuss their research projects and/or findings during a 3-day event organized as a space of exchange, debate and learning. The topic for this second edition was “Social Mobilisations and Planning through Crisis.”

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O que são, o que não são e o que podem vir a ser as assembleias de cidadãos. Uma reflexão sobre o Conselho de Cidadãos de Lisboa

Por: Roberto Falanga

Nos últimos tempos, o debate público sobre “assembleias de cidadãos” tem vindo a ganhar palco. No entanto, este debate não é recente na academia, como o demonstra a vasta literatura sobre o tema. O que se destaca do debate em curso é certamente o impulso dado por organismos internacionais para a realização de assembleias, levando assim a um aumento exponencial de experiências no mundo. Neste post, pretendo abordar alguns aspetos deste debate, visando clarificar as caraterísticas essenciais das assembleias de cidadãos. A razão principal deste post prende-se com a relativa novidade deste debate em Portugal e as potencialidades abertas por experiências recentes, como o Conselho de Cidadãos lançado pela Câmara Municipal de Lisboa, em 2022.

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Uma árvore portuguesa, com certeza?

Por: Filipa Soares

Um eucalipto com mais de 140 anos, localizado no concelho de Sátão, distrito de Viseu, foi eleito a Árvore Portuguesa do Ano, num concurso anual organizado, desde 2018, pela União da Floresta Mediterrânica (UNAC). O imponente “Eucalipto de Contige”, uma das maiores árvores classificadas em Portugal, vai representar o país no concurso European Tree of the Year.

Esta competição europeia, fundada em 2011 e organizada anualmente pela Environmental Partnership Association, com o apoio da Comissão Europeia, é uma final constituída pelas árvores vencedoras dos vários concursos nacionais (15 neste momento, sem contar com a Rússia, banida em 2022 devido à guerra na Ucrânia). Vence a árvore que receber mais votos eletrónicos do público, qual Eurovisão arbórea. O objetivo do concurso é destacar a importância das árvores enquanto património cultural e natural a ser protegido e cuidado. Mais do que a estética, o tamanho ou a idade da árvore, o enfoque recai na “sua história e nas relações com as pessoas”.

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Regeneração Urbana: Ontem, Hoje e Amanhã

Por: Mafalda Nunes

A regeneração urbana tornou-se um conceito popular nas políticas urbanas a nível global, como forma de responder aos desafios e ‘crises’ urbanas que vão sendo identificados nas cidades contemporâneas. Das questões espaciais (qualidade do edificado e espaços públicos), às sociais (níveis de educação, emprego, coesão social), económicas (oportunidades para o comércio, negócios, turismo) e ambientais (qualidade do ar e dos espaços verdes), surgem várias estratégias com enfoques distintos sob o ‘chapéu’ comum da regeneração urbana.

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Conferência ODSlocal’22 – Caminhos, Dinâmicas, Futuros

Por: Paulo Miguel Madeira, João Guerra, Madalena Duque dos Santos, Luísa Schmidt e João Ferrão

O projeto ODSlocal – Plataforma Municipal dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável é uma iniciativa que tem mobilizado os municípios e outras entidades locais para a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos na Agenda 2030 das Nações Unidas. Entre os seus vários propósitos está a capacitação das comunidades locais para a prossecução do desenvolvimento sustentável, estimulando a construção participada e colaborativa de estratégias de sustentabilidade municipal e a sua monitorização, bem como a valorização e divulgação de boas práticas, projetos inovadores e resultados alcançados. Para isso, o projeto conta com uma equipa diversificada e interdisciplinar que inclui, para além de investigadores do OBSERVA/ICS-ULisboa, participantes de outras instituições: MARE-NOVA, CNADS e, ainda, a 2adapt, a empresa responsável pela conceção do portal ODSlocal (o sítio eletrónico da Plataforma, a qual presta serviços também por outras vias).

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O ICS na Noite Europeia dos Investigadores 2022: ‘Desafios da Sustentabilidade – Cidadãos em Transição’

Por: André Pereira, Joana Sá Couto e Inês Gusman

O Instituto de Ciências Sociais (ICS-UL) participou, no passado dia 30 de setembro, na Noite Europeia dos Investigadores (NEI). Esta é uma iniciativa dedicada a aproximar a comunidade académica e a sociedade civil, que acontece em simultâneo em diferentes cidades do país. Em Lisboa é promovida pelo Museu Nacional de História Natural e da Ciência e pela Universidade de Lisboa, em colaboração com a Universidade Nova de Lisboa representada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia, o ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, a Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril e a Câmara Municipal de Lisboa. Acontece entre as paredes do próprio museu, no Jardim Botânico de Lisboa, no Jardim do Príncipe Real e online. Em 2022, este evento consistiu num programa variado, incluindo visitas orientadas, Cafés de Ciência, espetáculos, para além das diversas atividades promovidas por universidades e centros de investigação. Dado o tema deste ano, “Ciência para todos – sustentabilidade e inclusão”, e à semelhança de edições anteriores, o ICS não poderia mais uma vez deixar de estar presente (Figura 1), especialmente tendo em conta o seu compromisso com as atividades de extensão universitária e de promoção do diálogo ciência-sociedade.

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Imaginar Cidades – notas sobre o “East Side” de Lisboa

Por: Marco Allegra

Será que é a imaginação que cria a sociedade e o ambiente onde vivemos? Será que uma cidade é feita de ideias e até de fantasias, misturadas com aço, vidro e cimento? Será que todos nós (do Presidente da República ao cidadão comum) somos também sonhadores de cidades?

Sobre este tema foi publicada recentemente uma mesa redonda na revista Mediapolis, coordenada por dois colegas do ICS, Lavínia Pereira e João Felipe P. Brito – um agradecimento especial à Anna Viola Sborgi pelo convite inicial.

Esta mesa redonda resulta da reflexão que surgiu no grupo de leitura do Urban Transitions Hub que, durante o ano passado, debateu a noção de “social imaginary” através da obra de autores como, Cornelius Castoriadis, Benedict Anderson, Yuval Harari, Frederic Jameson, Ruth Levitas e Sheila Jasanoff, entre outros, – aqui uma introdução mais estruturada ao tema, a lista das leituras completa encontra-se no final do post.

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COP 27 – premência, apreensão e esperança

Por: João Guerra

Talvez mais do que qualquer outra convenção, tratado, ou programa de governança global, desde que foi proposta e aprovada na Conferência da Terra (Rio 92), a UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas) conseguiu uma adesão quase-universal, envolvendo atualmente 198 signatários. A razão deste aparente sucesso resulta da apreensão que as alterações climáticas têm vindo a suscitar de norte a sul, bem como a premência de minorar os seus impactos a partir da origem. Ou seja, estabilizar as concentrações de gases com efeito de estufa na atmosfera, a um nível que evite consequências indesejáveis para o sistema climático. No entanto, como se pode deduzir dos resultados alcançados ao longo destas três décadas, mereceram menos concordância as formas e os meios para alcançar tal objetivo. Neste panorama, desde 1995, ano em que decorreu a primeira, em Berlim, têm vindo a ser promovidas as anuais “Conferências das Partes (COP)” que funcionam como espaços de discussão e elaboração de propostas práticas para implementar a convenção.

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Multispecies organizing: “de-anthropocentering” management practices in the city

By: Leticia Fantinel

Organizations are omnipresent in our lives. We are born in hospitals, we study in schools, we work for companies, and when we die, we go to cemeteries. Organizations represent one of the main instruments for mediating our relationships with other human beings, with our cities, or even with the environment and other animals. Organizations make possible animal exploitation in complex food systems and laboratory experimentation. Organizations coordinate human and non-human work in assisted therapies, as well as in aquariums and zoos. Furthermore, it is through organizations that public management intermediates our relationships with multiple non-human populations in our cities. The latter was the subject of a project we developed in Brazil.

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