Maricultura em Pitangui/RN: género, economia solidária e meio ambiente

Por: José Gomes Ferreira & Winifred Knox

Logo após a declaração do estado de pandemia pela Organização Mundial de Saúde, a 11 de março de 2020, um grupo de investigadores liderado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) submeteu ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) o projeto Boas Práticas de Enfrentamento da Covid-19 no Rio Grande do Norte, na Paraíba e no Ceará,  visando acompanhar as necessidades sociais, económicas e de acesso à saúde das comunidades tradicionais, levando informação sobre saúde e promovendo articulações para diminuir a vulnerabilidade destas comunidades no acesso a serviços públicos. Na qualidade de investigadores do Departamento de Políticas Públicas da UFRN coube-nos o acompanhamento dos pescadores da vila de Ponta Negra, em Natal, e das maricultoras da AMBAP – Associação de Maricultura e Beneficiamento de Algas de Pitangui, no município de Extremoz, situado a 40 km de Natal. 

Além da associação ao projecto Boas Práticas, a investigação surge integrada no projecto de extensão Saberes Dialógicos, coordenado por nós, assim como à Rede Macroalgas coordenada pelo professor Dárlio Teixeira da Escola Agrícola de Jundiaí da mesma Universidade (EAJ/UFRN), incluindo outros especialistas e comunidades que recolhem e transformam algas no Nordeste.

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Lisboa Inovadora e Inclusiva – notas de trajetória, investigação e outros quereres

Por: João Felipe P. Brito

Há doze anos, no Rio de Janeiro, enquanto eu iniciava uma investigação sobre a criação de um novo bairro nos arredores do maior complexo penitenciário da América Latina, não imaginava que a vontade de compreender os porquês daquele processo me traria, um dia, a Lisboa. Aquela inquietação intelectual diante das desigualdades das cidades brasileiras e da mudança social em ambiente urbano resultou em uma dissertação de mestrado sobre estratégias políticas e econômicas que buscavam ressignificar e revalorizar um tradicional e decadente bairro industrial carioca, Bangu, lugar onde nasci e onde primeiro vi o mundo.

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O Perigo da História Única das Alterações Climáticas

Por: Fronika de Witt

Quando rejeitamos a história única, quando percebemos que nunca há uma história única sobre qualquer lugar, recuperamos uma espécie de paraíso.

Chimamanda Adichie: O perigo de uma história única. TED Talk 2009.

A escritora e contadora de histórias nigeriana Chimamanda Adichieto tem vindo a alertar para o perigo das histórias únicas. As histórias únicas, segundo ela, são as perceções excessivamente simplistas e, por vezes, falsas que formamos sobre pessoas e lugares. Estas dependem da perspetiva do narrador e criam estereótipos e imagens incompletas. Outro problema das histórias únicas é onde começam; começar antes ou depois do processo de colonização, por exemplo, muda completamente uma história e a sua dinâmica de poder.

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Cidades inteligentes para quem? Notas de um estudo de caso sobre Lisboa

Por: Tomás Donadio

No enquadramento de um dos temas indicados para o Blogue SHIFT em 2022, este texto discute um tópico particular sobre o futuro das cidades: as cidades inteligentes. Apesar de ser um conceito relativamente recente, certamente a sua utilização está na moda. O termo é atualmente empregue por diversos atores urbanos, como formuladores de políticas, políticos e académicos. No entanto, é encontrado com maior assiduidade em discursos de corporações multinacionais de tecnologia e de instituições governamentais. Mas, afinal, o que são as cidades inteligentes?

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Local voluntary carbon markets – what they are, how they went at COP26 and what to expect next

By: Jieling Liu & Lurdes Ferreira

1. Why focus on local voluntary carbon markets?

The Paris Agreement of 2015 set forth a global target of limiting the warming in this century to 2o C or even more ambitiously to just 1.5o C, in order to contain the catastrophic impacts of anthropogenic climate change planet Earth is facing. National governments voluntarily made respective emissions reduction targets called Nationally Determined Contributions (NDCs) to implement the Paris Agreement, of which the COP26 this year has welcomed the first update cycle. Voluntary carbon markets (VCM) emerged as a potentially effective tool to support the NDCs under Article 6 of the Paris Agreement as it encourages voluntary contribution.  

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A REDE METROPOLITANA DE PARQUES AGROALIMENTARES. READY TO GO.

Por: ICS FOOD HUB

1. Os sistemas alimentares no centro da agenda política

Os sistemas alimentares têm vindo a ganhar destaque na agenda política internacional como resposta ao contexto global de crise económica, climática, energética e pandémica. Olhar para a alimentação de forma sistémica permite, simultaneamente, atuar sobre a saúde humana, ambiental e económica do planeta. Neste sentido, as Nações Unidas organizaram, em 2021, a Cimeira dos Sistemas Alimentares, em linha com a Estratégia do Prado ao Prato no âmbito do Pacto Ecológico Europeu para a próxima década.

Caminhar neste sentido pressupõe que possamos entender o alimentar para além do alimento, a alimentação para além do setor de produção agroindustrial e, em particular, ampliar o impacto do planeamento alimentar do nível local para escalas mais alargadas, muito com base em redes de cidades que, cada vez mais, prosseguem abordagens neste âmbito, tanto na Europa como a nível global. Este objetivo decorrerá das decisões tomadas a favor da transição alimentar, o que implica intervir num sistema multi-ator complexo, de base territorial, que relaciona o produtor com o consumidor de alimentos, sempre numa ótica de sustentabilidade e de valorização dos serviços dos ecossistemas (Fig. 1).

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Ambiente, Território e Sociedade na iniciativa “Ciências Sociais em Público”

Por: Mariana Liz

Foi inaugurada a 5 de abril de 2020 a parceria entre o ICS e o jornal Público: Ciências Sociais em Público. Todas as semanas, ao domingo, foi publicado um texto (online, e sempre que possível, também em papel) no suplemento do jornal P2, da autoria de um investigador, investigadora ou equipa de investigadores do ICS. Embora a iniciativa tivesse sido pensada antes do desenvolvimento da Covid-19, muitos dos textos foram necessariamente adaptados face ao que havia sido inicialmente planeado, quer quanto à forma de enquadrar os seus tópicos, quer quanto à escolha de abordagens a realidades que, entretanto, se alteraram. A iniciativa também ganhou uma nova dimensão quando estes textos se tornaram numa das poucas ferramentas à disposição de investigadores para a divulgação científica, numa altura em que, pelo menos em Portugal, tantos estavam confinados em sua casa.

Com o objetivo de poder transmitir resultados de pesquisa de forma clara e concisa a públicos diversos, 53 textos surgiram então até 4 de abril de 2021 sobre os mais diferentes tópicos de investigação, do cinema à alimentação, do racismo à imigração, e com as mais diferentes abordagens e perspetivas, da história à antropologia, da sociologia à ciência política. Oito destes textos foram escritos por investigadores que desenvolvem a sua pesquisa no seio do Grupo de Investigação “Ambiente, Território e Sociedade” (GI ATS). Este post é, assim, um resumo do trabalho publicado no âmbito desta iniciativa, e também um testemunho da abrangência dos temas e metodologias contemplados no trabalho dos investigadores que integram este GI.

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A apresentação de produtos alimentares de origem rural em lojas especializadas de Aveiro, Lisboa e Porto

Por: Alexandre Silva, Elisabete Figueiredo, Monica Truninger

Em Novembro apresentámos neste blogue um post com os resultados preliminares de um inquérito por questionário, conduzido no âmbito do projeto STRINGS  a lojas especializadas no comércio de produtos agroalimentares de proveniência rural localizadas em Aveiro, Lisboa e Porto. No quadro do projeto foram também realizadas 30 entrevistas a proprietários ou gerentes de lojas e uma parte do guião para essas entrevistas dizia respeito à organização do espaço interior e das montras das lojas.

A disposição no espaço e a visibilidade dos produtos alimentares é tema de investigação sobre os comportamentos dos consumidores, geralmente com o objetivo avaliar a eficácia dessa disposição na promoção de vendas. Uma outra possível perspetiva de análise considera a disposição dos alimentos nas lojas enquanto prática, no sentido de compreender que motivações têm os responsáveis pelas lojas para a decoração das montras. É nesse sentido que apontamos agora algumas pistas sobre o estudo sociológico deste tema a partir dos resultados preliminares do exame das entrevistas, identificando algumas possíveis dimensões de análise para um estudo mais centrado neste aspeto da venda alimentar.

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Covid 19: Is sustainability gaining importance despite increasing poverty?

By: Alexandra Bussler

Worldwide, the COVID pandemic has unleashed a new poverty wave affecting millions of people. In Portugal alone, in 2020 more than 900 000 job losses were recorded and 37% more people are searching for employment than in 2019. People with jobs that otherwise secured a reasonable living standard are now unable to make ends meet. The reliance on food aid raised by 15% and food banks are overflown by people. Many that had never imagined to have to resort to food aid are reluctant to admit this new situation of poverty, suggesting that the actual poverty crisis is even more dramatic than what these numbers show.

However, there seems to be a positive development that can be observed during the Covid pandemic. The uncertainty about the future and the loss of control that many are experiencing in these times of crisis can create conditions for change and transformation. In fact, sustainability concerns and community-based initiatives are gaining importance and attention in midst of this hardship. In Portugal, the demand for food baskets and local food providers has been increasing steadily since the onset of the pandemic. These times of uncertainty are also windows of opportunity for new pathways. Therefore, we have to take this situation seriously in order to bring the sustainability transition forward, and to make our food systems healthier, more just, more resilient and more sustainable.

This trend has also been observed in an online survey made to the consumers of the Fruta Feia food cooperative in Lisbon in October 2020. Fruta Feia is a 2013-born initiative aiming to reduce the food waste problem in Portuguese cities in collaboration with about 250 local smallholder farmers, many of them organic farming producers. Today, Fruta Feia brings ‘ugly’ fruits and veggies at social prices to the tables of 6.600 families and already saved 2.760 tons of food from the bins while creating sustainable jobs in their 12 delegations all over Portugal. The establishment of these alternative and sustainable markets even yielded them the 2020 European LIFE prize for the Environment.

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A walk on the wild side: Rewilding Britain’s landscapes with large herbivores

By: Filipa Soares

Conservation is at a crossroads. Despite increasing efforts worldwide aimed at halting or preventing the extinction of animal and plant species, many reports and scientific studies paint alarming pictures of rocketing extinction rates, dwindling population sizes and habitat loss. The era of the sixth mass extinction is under way, the first for which humankind is deemed responsible. In response to these ‘doom and gloom’ scenarios, a growing number of ecologists and conservationists has emphasised the need for innovative, proactive and experimental approaches to nature conservation. Rewilding, which was the focus of my PhD thesis in environmental geography, is one such approach.

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