Governação Ambiental: O que é que os não-humanos fariam?

Por João Afonso Baptista

A certa altura, Thomas e o departamento onde trabalha foram invadidos por muitas tarefas administrativas. Essas tarefas trouxeram desafios distintos e exigiam muito trabalho. A desorientação, o cansaço e o terror da improdutividade instalaram-se na sua equipa. Thomas e os seus colegas tinham de fazer alguma coisa para resistir a tamanha sobrecarga administrativa. Empregar mais pessoas? Contratar terceiros? Renunciar às suas novas responsabilidades administrativas? Em vez disso, Thomas aproveitou o momento difícil em que vivia para repensar a forma de trabalhar da sua equipa, e decidiu implementar uma nova forma de organização no departamento. Implicaria as mesmas pessoas, mas as atividades e os processos de tomada de decisão iriam mudar radicalmente. Para tal, Thomas adotou e pôs em prática a forma como se governa noutros locais e por outros seres. Ele adotou e pôs em prática a forma de governar das abelhas nas colmeias. Numa palestra que deu em 2011, Thomas D. Seeley revelou qual a questão que passou a surgir com mais frequência no Departamento de Neurobiologia e Comportamento da Universidade Cornell, onde trabalha, sempre que têm de resolver problemas administrativos: “O que é que as abelhas fariam?” Continuar a ler