Shanghai’s 2035 future imagined: a paradigm for a high-end society?

By Virginie Arantes

Created in 1949 under leader Mao Zedong, the People’s Republic of China experienced the fastest sustained economic expansion in world history under China’s Communist Party. Opposing Western countries and modernization theories, the one-party system has been dominating the state and society and reinforced its grip on power with Xi Jinping’s election. The Party-state is determined to put China at a world stage and to create an ecological civilization, a “New Green Era”, putting an end to the previous industrial civilisation. Continuar a ler

A Estrada que Fura: Progresso e Contradição nas Novas Infraestruturas em Angola

Por João Afonso Baptista

Atrás dele está uma moradia da era colonial, elegante e discreta. A fachada ostenta imunidade à dor e ao isolamento que as guerras do passado trouxeram àquela cidade no sudeste de Angola. Depois de uma breve conversa de apresentações, ele encaminha-me para dentro da moradia. É a sede provincial da ONG que dirige. Sentamo-nos e conversamos no seu escritório despido dos adereços característicos da “indústria do desenvolvimento”. No final da reunião, ele esboça um mapa onde indica a saída de Menongue. “Depois de passares por esta rotunda em construção”, diz apontando com o lápis para as últimas linhas que tracejou, “furas por aí fora”.

Continuar a ler

A floresta: sobre o conhecimento eco(i)lógico

Por João Afonso Baptista

Ao fim de quase duas semanas a residir numa aldeia em Angola afastada do asfalto, do cimento e das redes móveis, resolvi ir beber um café ao sítio mais próximo. O desejo pela cafeína que não havia ali surgiu-me quando matabichava com outras quatro pessoas. Anunciei-lhes a minha viagem para a manhã seguinte. “Então tens de dar boleia ao Senhor Administrador,” avisou-me o soba, “se não ele leva a mal.”

O Administrador era novo na aldeia. Homem magro, alto, com ar de cidade, claramente desajustado à vida que ali se vivia. Ele tinha sido transferido para este povoado há pouco mais de um mês.  Motivo (oficial) da sua colocação: administrar 27 aldeias dispersas “na mata”. A sede, como chamavam à casa do Administrador, construída pelo governo angolano no ponto mais elevado da povoação, situava-se junto à aldeia onde eu estava. “Estou muito oprimido aqui,” costumava queixar-se o Administrador.

floresta
A vida com a floresta numa aldeia em Angola. Fonte: João Afonso Baptista

Continuar a ler